A chegada de Thiago Borbas ao Atlético não representa apenas o aumento da concorrência no ataque. O centroavante uruguaio fez o clube alcançar um limite que pode influenciar todas as próximas decisões da diretoria na janela de transferências.
Com Borbas, o Galo passou a contar com nove jogadores estrangeiros no elenco principal. Esse é exatamente o número máximo de atletas de outras nacionalidades que podem ser relacionados por um clube em uma partida do Campeonato Brasileiro.
Não existe uma restrição para a quantidade de estrangeiros contratados ou inscritos pelo Atlético. O limite vale para a súmula de cada jogo. Caso a diretoria traga um décimo jogador estrangeiro, Eduardo Domínguez terá de deixar pelo menos um deles fora da relação em todas as rodadas da Série A.
Quem são os estrangeiros do Atlético
O grupo atual reúne atletas de seis países. O Equador possui a maior representação, com Alan Franco, Ángelo Preciado e Alan Minda.
A Argentina aparece com Tomás Pérez e Tomás Cuello. Os demais são Iván Román, do Chile, Mateo Cassierra, da Colômbia, Mamady Cissé, de Guiné, e Thiago Borbas, do Uruguai.
Entre eles, Cuello é o jogador que mais atuou pelo Atlético em 2026, com 32 partidas até a chegada de Borbas. Alan Franco aparecia logo atrás, com 31. Iván Román era o menos utilizado, com nove jogos.
Os números revelam que o clube possui estrangeiros importantes em praticamente todos os setores. Não se trata de uma lista formada somente por reservas que poderiam ser retirados da relação sem consequências esportivas.
Alan Franco, Preciado, Cuello, Minda e Cassierra disputam espaço frequente no time. Borbas chega para competir diretamente com Cassierra no comando do ataque. Tomás Pérez também é uma alternativa para o meio-campo.
Novo estrangeiro criaria escolha semanal
A contratação de outro atleta de fora do Brasil obrigaria Domínguez a considerar o passaporte ao montar a lista de relacionados.
Uma lesão ou suspensão poderia resolver temporariamente o problema. Com todos disponíveis, porém, alguém seria retirado do banco mesmo possuindo condições físicas e técnicas para jogar.
Essa situação tende a pesar na análise de custo-benefício. Um jogador estrangeiro que não chegue com capacidade clara de assumir uma posição pode representar um investimento de aproveitamento limitado no Campeonato Brasileiro.
Também haveria reflexos na gestão do grupo. Deixar sempre o mesmo atleta de fora poderia acelerar uma saída. Fazer um rodízio entre os estrangeiros, por outro lado, retiraria opções do treinador de acordo com a competição e o adversário.
Regra aumenta valor estratégico de brasileiros
O cenário ajuda a explicar por que jogadores brasileiros ganham valor adicional no planejamento do Atlético. Eles podem ser relacionados sem que o clube precise abrir espaço entre os nove estrangeiros.
Fred é um exemplo. O volante do Fenerbahçe continua no radar do Galo, embora a operação seja considerada difícil. O jogador tem contrato com o clube turco até junho de 2027, e o Atlético não pretende realizar um investimento elevado para contratá-lo. A possibilidade dependeria de uma liberação sem custos ou de uma mudança na posição do Fenerbahçe.
A nacionalidade não é o motivo principal do interesse em Fred. O Atlético acompanha o jogador pela experiência, pela qualidade técnica e pela identificação com o clube onde foi revelado. No entanto, o fato de ele não ocupar uma vaga de estrangeiro se transforma em uma vantagem adicional no atual desenho do elenco.
Esse raciocínio pode ser aplicado a outros alvos brasileiros. Em negociações envolvendo atletas de nível e custo semelhantes, o passaporte passa a ser um critério esportivo relevante.
Thiago Borbas fechou a conta
Borbas pertence ao Red Bull Bragantino e chegou ao Atlético por empréstimo com opção de compra. Antes do acerto, estava emprestado ao Real Oviedo, da Espanha.
O uruguaio foi contratado para ampliar as alternativas ofensivas, mas também fechou a conta dos estrangeiros. A partir de agora, qualquer nova chegada internacional precisará ser acompanhada por uma saída, uma negociação ou pela aceitação de que um jogador ficará fora das partidas do Brasileirão.
O teto de nove estrangeiros não impede o Atlético de contratar. Ele muda, contudo, a pergunta feita antes de cada negociação. A diretoria não terá de avaliar apenas se o reforço possui qualidade, custo viável e espaço no elenco. Precisará decidir também qual jogador atual perderia lugar na súmula.
A regra que raramente aparece entre as maiores preocupações do torcedor pode, portanto, direcionar os próximos passos do Galo no mercado.


