O Equador se despediu da Copa do Mundo nesta terça-feira, derrotado pelo México por 2 a 0 no Estádio Azteca. Com a eliminação, também chega ao fim a contagem de dias que rendia dinheiro ao Atlético. O trio equatoriano do clube é formado por Alan Franco, Ángelo Preciado e Alan Minda. Juntos, eles geraram um faturamento que deve superar os R$ 2,9 milhões ao longo da participação da seleção no torneio.
Como funciona o pagamento da Fifa aos clubes
O dinheiro vem do Programa de Benefícios aos Clubes. O mecanismo foi criado pela Fifa em 2010 para compensar as equipes que cedem jogadores às seleções durante a Copa do Mundo. Para esta edição, a entidade confirmou um valor mínimo de US$ 5 mil por atleta a cada dia de participação. Isso equivale a cerca de R$ 26 mil na cotação atual. Os números finais só serão fechados após o fim do torneio, mas o piso já garante uma boa arrecadação para clubes com vários jogadores convocados.
A contagem começa na data de liberação obrigatória dos atletas às seleções, fixada em 25 de maio. Ela segue até o dia seguinte à eliminação da equipe, ou até a decisão final, no caso de quem chega lá. Com o Equador caindo nesta terça, o relógio para de contar a partir de amanhã para os três jogadores do Atlético.
A conta do trio equatoriano
Somando Alan Franco, Preciado e Minda, o Atlético recebeu cerca de R$ 78 mil por dia enquanto os três estiveram vinculados à seleção equatoriana. Do dia 25 de maio até a eliminação, nesta terça, são aproximadamente 38 dias de contagem. O resultado é uma arrecadação estimada em quase R$ 3 milhões só com o trio. O valor pode variar levemente conforme o ajuste final feito pela Fifa depois do Mundial.
O montante é bem menor do que o pago na Copa do Catar, em 2022, quando a diária por atleta chegava a US$ 10,95 mil. A Fifa reduziu o valor individual nesta edição. Em compensação, ampliou o alcance do programa. Pela primeira vez, também há pagamentos a clubes que cederam jogadores para as Eliminatórias. No total, a entidade vai distribuir US$ 355 milhões entre times do mundo inteiro, alta de 69% em relação ao ciclo anterior.
Papéis diferentes, mesmo cheque no fim do mês
Nem todos os três jogadores tiveram protagonismo semelhante em campo. Isso não muda o valor recebido pelo Atlético. Alan Franco foi o mais utilizado, atuando como lateral-direito improvisado em praticamente todos os jogos da fase de grupos e no confronto contra o México. Preciado também ganhou minutos importantes, inclusive na virada heroica sobre a Alemanha, quando entrou bem no segundo tempo. Já Alan Minda perdeu espaço ao longo do torneio. Ele sequer entrou em campo diante dos mexicanos, ficando no banco durante praticamente toda a competição.
Para efeitos de pagamento da Fifa, o critério é a convocação e a permanência no elenco, não o tempo jogado. Por isso, mesmo Minda, que teve participação mais discreta, rendeu o mesmo valor diário que os companheiros titulares. É um detalhe que costuma passar despercebido pela torcida, mas que faz diferença direta no caixa do clube.
Como o Atlético se compara a outros clubes brasileiros
O caso do Atlético ilustra um fenômeno que se repete em vários clubes do país nesta Copa. Equipes com atletas estrangeiros na base do elenco encontraram uma fonte extra de receita durante o Mundial, mesmo sem disputar uma partida sequer no período. Na edição de 2022, no Catar, o Flamengo foi o clube brasileiro que mais faturou com o programa da Fifa. O clube carioca somou US$ 838 mil gerados pela presença de seus jogadores nas seleções. Para 2026, o valor diário caiu, mas o alcance do programa aumentou. A tendência é uma distribuição mais pulverizada entre clubes ao redor do mundo.
Atlético ainda soma com jogador do Paraguai
O trio equatoriano não é a única fonte de receita do Atlético na Copa. O zagueiro Junior Alonso, convocado pelo Paraguai, segue na disputa. Ele avançou depois de eliminar a Alemanha nos pênaltis pelos 16 avos de final. A seleção paraguaia enfrenta o vencedor de França e Suécia neste sábado, pelas oitavas de final. Cada dia adicional de permanência no torneio representa mais R$ 26 mil aos cofres alvinegros.
Somando os quatro jogadores, o Atlético já ultrapassou os R$ 3,4 milhões arrecadados com o Programa de Benefícios aos Clubes até aqui. Esse total considera também o período de Alonso na competição. O valor tende a crescer enquanto o zagueiro paraguaio seguir vivo no Mundial. É mais um exemplo de como a base de jogadores estrangeiros do elenco gera retorno financeiro mesmo fora dos gramados do Brasileirão.





