HomeEsportesAtléticoAtlético: Everson desafia posição e vira armador improvável do Galo

Atlético: Everson desafia posição e vira armador improvável do Galo

Publicado em

Everson voltou a ser decisivo para o Atlético na vitória por 1 a 0 sobre o Red Bull Bragantino, nesta quarta-feira (12), pela Copa Sul-Americana. Desta vez, não houve assistência ou lançamento para gol. Houve aquilo que tradicionalmente se espera de um goleiro: uma defesa difícil no momento em que o adversário pressionava pelo empate. Mas reduzir o camisa 22 às intervenções debaixo das traves ajuda pouco a explicar o jogador que ele se tornou no Galo.

Aos 34 minutos do segundo tempo, Vinicinho recebeu uma sobra dentro da área e finalizou forte e rasteiro. Everson reagiu rapidamente e evitou o empate do Bragantino, preservando a vantagem construída pelo gol de Tomás Cuello.

- Publicidade -

A atuação rendeu elogios de Eduardo Domínguez. Depois da partida, o treinador argentino colocou o goleiro entre os melhores do país.

Só que existe outra característica que vem chamando atenção no jogo de Everson em 2026: quando o Atlético tem a bola, o goleiro frequentemente deixa de ser o último homem e passa a funcionar como o primeiro responsável pela criação.

Everson já deu duas assistências em 2026

Não é apenas uma impressão provocada pela tranquilidade com que Everson troca passes perto da própria área.

- Publicidade -

O goleiro já possui duas assistências na temporada.

A primeira aconteceu em fevereiro, diante do Athletic, pelo Campeonato Mineiro. Everson enxergou Renan Lodi avançando pelo lado esquerdo e acertou um lançamento longo diretamente para o lateral. Lodi dominou e marcou seu primeiro gol pelo Atlético.

Poucas semanas depois, veio outra.

- Publicidade -

Contra o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, Everson voltou a ligar defesa e ataque praticamente sem intermediários. O lançamento encontrou Victor Hugo, que aproveitou para marcar. Foi a segunda assistência do goleiro em apenas cinco partidas naquele recorte da temporada.

O próprio Victor Hugo reconheceu após a partida que esse tipo de jogada é explorado pelo Atlético justamente pela qualidade do companheiro com os pés.

Isso transforma Everson em uma alternativa incomum.

Um atacante pode receber uma bola decisiva sem que ela precise passar pelos zagueiros, laterais ou meio-campistas. Em determinados momentos, o primeiro passe da jogada ofensiva pode sair diretamente da pequena área.

A habilidade de Everson não surgiu agora

Foto: Pedro Souza / Atlético

A facilidade não é novidade na carreira do goleiro.

Everson passou pela base do São Paulo e já contou que tinha Rogério Ceni como referência. Outro elemento importante veio do futsal: ele afirmou que costumava atuar como goleiro-linha e gostava de participar ofensivamente.

Depois, o trabalho com Jorge Sampaoli ajudou a transformar essa característica em ferramenta tática.

Quando o argentino comandava o Santos, pediu a contratação de Everson justamente procurando um goleiro que tivesse qualidade para iniciar jogadas com os pés. Em 2020, quando assumiu o Atlético, Sampaoli voltou a indicar o jogador.

Ou seja: a habilidade que hoje chama atenção no Atlético não é um detalhe adicional do jogo de Everson.

Ela está diretamente ligada à razão pela qual ele chegou ao clube.

Um goleiro que pode eliminar linhas inteiras

É justamente aí que a característica ganha importância tática.

Quando um goleiro apenas toca para o zagueiro ao lado, a equipe ainda precisa construir toda a jogada desde a defesa. Everson oferece outra possibilidade.

Um lançamento preciso pode eliminar a primeira linha de pressão adversária, atravessar o meio-campo e colocar um atacante imediatamente em situação ofensiva. Foi exatamente o que aconteceu nos gols de Renan Lodi e Victor Hugo.

Não significa que o Atlético deva buscar lançamentos longos em todas as jogadas. A principal vantagem é a existência da ameaça.

Se o adversário pressiona alto demais, Everson tem capacidade para encontrar alguém às costas da marcação. Se recua, o Galo ganha espaço para começar a construção curta.

Essa dualidade ajuda a explicar por que técnicos de diferentes estilos mantiveram Everson como referência na posição desde sua chegada a Belo Horizonte.

Em novembro de 2025, o então auxiliar Diogo Alves chegou a definir a qualidade de Everson com os pés como algo “pouco visto no futebol brasileiro”.

E quando precisa usar as mãos, os números também impressionam

A característica moderna não eliminou aquilo que continua sendo a principal obrigação do goleiro.

Everson chegou a 22 pênaltis defendidos pelo Atlético em maio, ao parar duas cobranças do Ceará pela Copa do Brasil. Com isso, ultrapassou Victor e se tornou o goleiro com mais penalidades defendidas na história do clube.

Na mesma disputa, ainda converteu o chute que confirmou a classificação atleticana.

Contra o Bragantino, nesta quarta, não precisou enfrentar uma penalidade, mas voltou a aparecer em momento determinante. Além da grande intervenção sobre Vinicinho no segundo tempo, já havia defendido uma finalização colocada de José Herrera na primeira etapa e parado outro chute rasteiro antes do intervalo.

É essa combinação que torna o caso de Everson diferente.

Ele pode salvar uma vantagem debaixo das traves e, minutos depois, ser o jogador responsável por encontrar um companheiro a dezenas de metros de distância.

Aos 36 anos, Everson não parece estar apenas adaptado ao conceito de goleiro moderno. Ele é uma das peças que permitem ao Atlético começar a atacar antes mesmo de a bola sair da própria defesa.

E talvez seja por isso que, quando a habilidade do camisa 22 vira assunto, falar somente sobre suas defesas já não seja suficiente.

- Publicidade -
Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.