Alan Minda chegou ao Atlético-MG como aposta cara, silenciosa e pouco vazada. Agora, antes mesmo de disputar sua primeira Copa do Mundo, o ponta equatoriano já aparece no radar internacional como uma das peças capazes de mudar o ritmo ofensivo do Equador.
O jornal britânico The Guardian incluiu o atacante do Galo em seu guia de jogadores do Mundial e destacou características que ajudam a explicar por que o clube mineiro investiu pesado no atleta: velocidade, drible, coragem no um contra um e capacidade de decidir em transições ofensivas. A repercussão foi registrada pelo Bolavip, que apontou o equatoriano como um dos nomes elogiados pelo periódico antes da estreia contra a Costa do Marfim.
O elogio não é detalhe. Em uma Copa com 48 seleções, muitos jogadores de clubes brasileiros entram como coadjuvantes no noticiário internacional. Minda aparece em outra prateleira: a do atleta ainda jovem, comprado por valor alto, convocado por uma seleção competitiva e com características que combinam diretamente com o modelo de jogo do Equador.
Alan Minda vira vitrine internacional do Atlético
O Atlético acertou a contratação de Alan Minda em janeiro. No comunicado oficial, o clube informou que havia avançado nas bases negociais para trazer o atacante equatoriano, então com 22 anos, do Cercle Brugge, da Bélgica. Na ocasião, Paulo Bracks descreveu o jogador como ágil, potente, habilidoso e forte no um contra um.
A definição do dirigente conversa diretamente com o que o Guardian passou a destacar meses depois.
Minda não é um ponta de posse longa, que vive apenas de circulação lateral. Sua principal virtude está em mudar a velocidade da jogada. Ele recebe aberto, ataca espaço, encara o marcador e tenta transformar recuperação de bola em chance clara antes que a defesa adversária se reorganize.
É exatamente esse tipo de jogador que costuma crescer em Copa do Mundo.
Em torneios curtos, seleções que não têm o controle total da posse precisam ser letais quando roubam a bola. O Equador tem uma base física forte, defensores de alto nível, Moisés Caicedo como pilar de meio-campo e atacantes capazes de acelerar. Minda entra nessa lógica como peça de ruptura.
Por que o Equador pode usar Minda como arma
O Equador está no Grupo E, ao lado de Alemanha, Costa do Marfim e Curaçao. A estreia será contra os marfinenses, em uma partida que tende a exigir intensidade, disputa física e velocidade pelos lados. A Reuters registrou a convocação equatoriana com Alan Minda entre os atacantes, ao lado de nomes como Enner Valencia, Gonzalo Plata, Kevin Rodríguez e John Yeboah.
A presença de Enner Valencia dá experiência ao ataque. Gonzalo Plata oferece condução e repertório técnico. Minda, por sua vez, pode ser o jogador de aceleração mais vertical, especialmente se o Equador optar por defender em bloco médio e sair rápido.
Esse é o ponto que torna o elogio do Guardian relevante para o Atlético. O jornal não está apenas dizendo que o jogador é promissor. Está identificando uma função clara: Minda pode ser decisivo quando o jogo abre espaço para transições.
Para o torcedor do Galo, é uma leitura familiar. O melhor momento do equatoriano no clube veio justamente quando passou a jogar com mais confiança, atacando a profundidade e se aproximando de Cassierra.
O investimento de R$ 40 milhões começa a ganhar sentido
Minda chegou ao Atlético como uma das contratações internacionais mais relevantes do clube na temporada. Segundo o ge, o Galo desembolsou cerca de R$ 40 milhões pelo atacante, que vinha de quase três anos na Bélgica, onde disputou 99 jogos, marcou 14 gols e deu 16 assistências pelo Cercle Brugge.
O começo em Belo Horizonte, porém, não foi imediato.
Com Jorge Sampaoli, o atacante demorou a ganhar sequência. Estreou no Campeonato Mineiro, passou por adaptação e só foi escolhido como titular meses depois. A virada aconteceu no clássico contra o Cruzeiro, pelo Brasileirão, quando marcou seu primeiro gol pelo clube e ainda sofreu um pênalti na vitória atleticana por 3 a 1. Depois disso, emplacou mais gols e se firmou no ataque.
Esse recorte importa porque mostra que Minda não chega à Copa como um jogador parado ou apenas convocado pelo currículo. Ele chega em ascensão.
A Copa, portanto, pode funcionar como vitrine dupla. Para o Equador, é a chance de usar sua explosão contra defesas fortes. Para o Atlético, é a oportunidade de ver um ativo caro ganhar exposição global poucos meses depois da compra.
Como joga Alan Minda
Alan Minda é ponta, mas não está preso a um lado específico do campo. Ele pode atuar aberto pela direita, buscar diagonal, inverter posição e aparecer em zonas de finalização.
Seu jogo é baseado em aceleração curta, drible frontal e ataque ao espaço. Quando recebe com campo pela frente, tende a ser mais perigoso. Quando enfrenta defesas muito baixas, ainda precisa melhorar a tomada de decisão para não depender apenas da arrancada.
Esse é um ponto importante para entender sua evolução no Atlético.
No Brasil, Minda encontrou marcações mais fechadas, laterais fortes no duelo e menos espaço do que em alguns jogos na Bélgica. A adaptação exigiu paciência. Ele mesmo disse ao ge que estava tentando se adaptar “passo a passo” e que foi bem recebido no país.
Na Seleção, o contexto pode favorecê-lo mais. O Equador não precisa entregar a bola a Minda o tempo todo. Pode usá-lo em momentos específicos, especialmente quando o rival adianta linhas. Nesses cenários, sua velocidade deixa de ser apenas uma virtude individual e vira arma coletiva.
O que o Guardian viu que interessa ao Galo
O elogio do Guardian ajuda a reposicionar Minda. No Atlético, ele ainda é um jogador em construção. No radar internacional, já aparece como peça capaz de quebrar linhas e mudar partidas em poucos segundos.
Essa diferença de percepção é comum em atletas jovens. O torcedor local acompanha erros, adaptação, jogos sem brilho e oscilações. O observador internacional olha para ferramentas: idade, velocidade, contexto, potencial de valorização e encaixe tático.
Para o Galo, esse é o ganho de informação da pauta. Minda não é apenas “um convocado do Equador”. Ele é um ativo que pode voltar da Copa mais conhecido, mais confiante e mais valorizado. Se jogar bem, o investimento de R$ 40 milhões tende a ser reavaliado por outro ângulo.
E há um detalhe adicional: o Atlético terá quatro representantes no Mundial, com Junior Alonso pelo Paraguai e o trio equatoriano formado por Alan Franco, Ángelo Preciado e Alan Minda. Isso coloca o clube em uma vitrine rara para o futebol mineiro.
A estreia do Equador será contra a Costa do Marfim no domingo, 14 de junho, às 20h de Brasília, no Philadelphia Stadium, nos Estados Unidos, com transmissão prevista por TV Globo, SporTV, CazéTV e Globoplay.


