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Atlético-MG: Saída de Junior Alonso pode trazer a nova ‘Parede’ argentina que Domínguez sonha

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O Atlético-MG está diante de uma encruzilhada estratégica que promete ditar o ritmo de sua reformulação na janela de transferências do meio do ano. O zagueiro paraguaio Junior Alonso abriu o jogo e admitiu publicamente a existência de um acordo com a diretoria da SAF para avaliar propostas de transferência logo após o encerramento da Copa do Mundo de 2026.

A revelação acendeu o debate nos bastidores da Cidade do Galo, colocando o experiente defensor como o principal ativo regulatório para destravar a contratação do jovem argentino Kevin Lomónaco, atualmente no Independiente.

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O depoimento do camisa 3 ocorreu logo após a importante vitória alvinegra por 3 a 1 sobre o Mirassol, na Arena MRV. Alonso negou qualquer acerto verbal definitivo com outra agremiação, mas confirmou que as conversas de planejamento com a cúpula atleticana ocorreram no início do ano.

“Depois do Mundial, teremos uma janela de oportunidades maior”, pontuou o defensor paraguaio. Com vínculo contratual válido apenas até dezembro de 2026, o Galo encara a janela de julho como a última oportunidade real de obter alguma compensação financeira antes de ver o atleta assinar um pré-contrato gratuito com qualquer concorrente.

O dilema do conselho: Rendimento imediato vs. Ativo patrimonial

A discussão que consome as reuniões do comitê de futebol do Atlético-MG opõe duas visões distintas de gestão de elenco. Do ponto de vista técnico, Junior Alonso é uma peça inquestionável na engrenagem de Eduardo Domínguez.

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Trata-se de um zagueiro de hierarquia internacional, líder silencioso de vestiário e com profunda identificação com a torcida alvinegra. No entanto, aos 32 anos de idade e com um contrato curto, o paraguaio transformou-se em um ativo de curto prazo, sem qualquer margem de revenda futura para o mercado externo.

Segundo levantamento do Moon BH, a manutenção de Alonso garante segurança esportiva para o restante da temporada, minimizando os riscos em um setor que já demonstrou instabilidade na Copa do Brasil. Por outro lado, negociá-lo imediatamente em julho significa adotar uma postura racional de oxigenação de elenco.

A saída economizaria uma folha salarial pesada e abriria espaço na folha de planejamento para injetar juventude e vigor físico na última linha de defesa, transformando o gasto com veteranos em patrimônio financeiro valorizável.

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O xadrez por Kevin Lomónaco: Os números do Independiente

O alvo escolhido pela diretoria atleticana para capitanear essa transição de perfil é o zagueiro argentino Kevin Lomónaco, de 24 anos. O Atlético-MG tenta a sua contratação desde o início da temporada de 2026, esbarrando na postura irredutível da diretoria do Independiente.

Jogador Kevin Lomónaco
Foto: Divulgação/Club Atlético Independiente

O clube de Avellaneda faz jogo duro para liberar o atleta, gerando divergências nas cifras exigidas:

  • A investida inicial: O Galo apresentou uma proposta oficial de US$ 5 milhões (cerca de R$ 26 milhões) para adquirir 50% dos direitos econômicos de Lomónaco, recusada prontamente pelos argentinos.
  • A pedida máxima: Setores da imprensa de Buenos Aires apontam que o Independiente fixou o teto de venda em US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 52 milhões) para liberar o zagueiro de forma definitiva.
  • A margem de negociação: Apurações do diário Lance! indicam que o clube vizinho aceitaria abrir conversas caso o Atlético-MG atinja a marca de US$ 7,5 milhões (cerca de R$ 39 milhões) por 70% dos direitos do jogador.

Independentemente da oscilação dos valores de bastidor, a mensagem do mercado sul-americano é direta: capturar um defensor jovem, com boa imposição física e rodagem internacional exige um aporte milionário que o Galo precisará viabilizar através de engenharia financeira.

Por que o perfil de Lomónaco agrada a Eduardo Domínguez

A obsessão do técnico Eduardo Domínguez por um perfil como o de Kevin Lomónaco responde a uma necessidade estritamente tática dentro das quatro linhas do Brasileirão. O futebol nacional migrou definitivamente para um modelo pautado em transições longas, velocidade de contragolpe e duelos individuais de extrema força física.

Eduardo Dominguez em campo pelo Atlético
Eduardo Dominguéz do Galo – Paulo Henrique França / Atlético

Lomónaco acumula 68 exibições oficiais e dois gols marcados pelo Independiente desde que foi comprado junto ao futebol europeu por 3 milhões de euros. O argentino oferece a velocidade de recuperação indispensável para equipes que gostam de adiantar suas linhas de marcação e pressionar o adversário no campo de ataque.

Zagueiros estritamente posicionais sofrem para defender o campo aberto quando o sistema de pressão falha. Lomónaco entrega o vigor atlético necessário para correr para trás e vencer o mano a mano com atacantes velozes, além de carregar uma enorme margem de valorização para o mercado europeu ou para a MLS — liga que já monitora o atleta através do Atlanta United.

A engenharia do “Fundo de Inovação” na Cidade do Galo

A diretoria do Atlético-MG compreende que a venda isolada de Junior Alonso não cobriria o valor total exigido para assinar com Kevin Lomónaco. A estratégia da SAF é utilizar a saída do paraguaio como um catalisador financeiro de um plano maior.

A conta fechada nos bastidores soma a taxa de transferência de Alonso à drástica economia de seus vencimentos futuros. Esse montante será acoplado ao fôlego financeiro gerado pelas iminentes saídas de outros medalhões de custo elevado, como são os casos em discussão envolvendo Gustavo Scarpa, Dudu e Bernard.

O plano de Mateus Simões e dos gestores da SAF não é reduzir o teto de investimentos, mas alterar radicalmente o perfil do gasto. O clube pretende estancar a política de pagar fortunas por currículos vitoriosos do passado para apostar em atletas funcionais e famintos por espaço.

O próximo desdobramento dependerá do comportamento do mercado após o encerramento do Mundial. Se a proposta oficial por Alonso se materializar, o Atlético-MG precisará agir com a frieza de um enxadrista: abrir mão de uma liderança consagrada na Arena MRV para garantir a sustentabilidade patrimonial dos próximos anos.

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Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.

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