O Atlético-MG entra no mercado de julho com um diagnóstico feito e uma dor exposta: o time de Eduardo Domínguez precisa de comando na área. No entanto, a busca por um zagueiro não é apenas uma escolha técnica; é um teste de fogo para a filosofia da SAF alvinegra. O clube se vê diante de dois caminhos opostos: a “solução pronta” e sem custos de transferência ou o “investimento pesado” em um ativo com potencial de revenda.
A urgência é real. Após ceder empates nos minutos finais contra Botafogo e Juventude, o Galo entendeu que a intensidade pedida por Domínguez precisa de um alicerce mais sólido na última linha.
Kevin Lomónaco: O patrimônio em jogo
O primeiro caminho é o da construção de valor. Kevin Lomónaco, zagueiro de 23 anos do Independiente, representa o perfil de “ativo” que as SAFs costumam perseguir. O Atlético já sinalizou com uma oferta de US$ 5 milhões (R$ 26 milhões) no início do ano, mas encontrou um clube argentino irredutível.
- Perfil: Jovem, em ascensão e com passagem pelo Red Bull Bragantino.
- A Lógica: Pagar caro agora (perto de US$ 7 milhões) para colher um titular por anos e uma venda milionária para a Europa no futuro.
- O Risco: O alto consumo de caixa imediato em um jogador que, apesar do potencial, ainda está em fase de maturação.
Juan Jesus: O bombeiro do curto prazo
No lado oposto do espectro estratégico está Juan Jesus. Aos 34 anos e em fim de contrato com o Napoli, o defensor brasileiro é a personificação da oportunidade de mercado. Sem taxa de transferência, ele chegaria apenas pelo custo de salários e luvas.
- Perfil: Experiente, com mais de uma década de futebol italiano e liderança técnica.
- A Lógica: Resolver o problema da “bola aérea” e da organização defensiva imediatamente, sem comprometer o orçamento de compras do clube.
- O Risco: É um investimento sem retorno financeiro futuro. O valor aplicado na operação é “custo seco” em troca de desempenho esportivo imediato.
O dilema da SAF: Resultado agora ou lucro depois?
A decisão da diretoria alvinegra e de Paulo Bracks revelará qual é a prioridade do Atlético para o segundo semestre. O time tem sofrido gols evitáveis por falta de imposição e leitura nos minutos finais — exatamente o que Juan Jesus entrega. Por outro lado, a saúde financeira de uma SAF depende da oxigenação do elenco com jogadores que se valorizam, o que favorece Lomónaco.
Um fator que pode desequilibrar essa balança é a situação de Gustavo Scarpa. Caso o meia seja negociado, o Galo ganharia fôlego financeiro para não precisar escolher entre um e outro, atacando tanto a urgência esportiva quanto a construção de patrimônio.
A análise da Moon BH
O Atlético não pode se dar ao luxo de errar. Se a prioridade for estancar a sangria de pontos no Brasileirão e buscar a Copa do Brasil, o perfil de Juan Jesus parece mais adequado ao caos do calendário brasileiro. No entanto, se o clube quiser se consolidar como uma plataforma de exportação de talentos, Lomónaco é o nome.


