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Atlético avalia venda de Bernard, que revelou propostas de Flamengo e Palmeiras

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Bernard voltou a explicar por que escolheu retornar ao Atlético mesmo com propostas mais vantajosas financeiramente de outros clubes brasileiros. O meia-atacante revelou que Corinthians, Flamengo e Palmeiras conversaram com seus representantes antes do acerto com o Galo, mas que a prioridade sempre foi voltar para Belo Horizonte.

“Recebi ofertas de grandes clubes, mas meu coração falou mais alto. Quero ajudar o Atlético a conquistar títulos”, disse nesta quarta.

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A declaração reacende uma discussão importante sobre o momento do camisa 11. O retorno, anunciado em fevereiro de 2024 e concretizado no meio daquele ano, começou cercado de expectativa pela história construída em 2013, quando foi campeão da Libertadores.

Dois anos depois, o cenário é mais equilibrado: houve cobrança, lesão, oscilação, retomada de espaço e agora uma fase mais produtiva sob o comando de Eduardo Domínguez.

O jogador tem contrato até dezembro de 2027 e não vive uma situação contratual urgente. Ainda assim, seu nome entrou em debates recentes por causa de salário, idade, desempenho e valor de mercado. Aos 33 anos, ele deixou de ser um ativo de revenda relevante e passou a ser avaliado principalmente pelo que entrega dentro de campo.

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A fala sobre as propostas recusadas ajuda a dar dimensão da escolha feita. O meia afirmou que não quis transformar a negociação em leilão. Mesmo sabendo que poderia ganhar mais em outros centros, preferiu retomar a trajetória no clube que o revelou.

Volta ao Galo teve peso emocional, mas começou com cobrança

O retorno foi anunciado oficialmente no início de 2024, ainda enquanto o atleta defendia o Panathinaikos, da Grécia. O acordo previa chegada no meio do ano, após o fim do vínculo no futebol europeu, com contrato válido até dezembro de 2027.

A decisão teve forte componente emocional. O jogador saiu de Belo Horizonte em agosto de 2013, negociado com o Shakhtar Donetsk por 25 milhões de euros, depois de uma temporada histórica. Na despedida, deixou a ideia de que um dia voltaria. Mais de uma década depois, cumpriu a promessa.

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O problema é que o futebol não costuma proteger ídolos apenas pela memória. A primeira temporada depois da volta ficou abaixo da expectativa. O meia teve dificuldades de encaixe, passou por lesão no joelho direito e terminou 2024 sem conseguir transformar o retorno em impacto ofensivo consistente.

Bernard no Atlético
Jogador Bernard do Galo – Foto: Pedro Souza / Atlético

Essa cobrança aumentou porque a lembrança da primeira passagem ainda era muito forte. Em 2012 e 2013, o garoto revelado na base era sinônimo de velocidade, drible, aproximação com Ronaldinho e desequilíbrio pelo lado esquerdo. O jogador que voltou da Europa era outro: mais experiente, menos explosivo e com necessidade de se adaptar a uma função diferente.

O próprio atleta já reconheceu que o posicionamento e a lesão atrapalharam o início do novo ciclo. A retomada começou de forma mais clara em 2026, especialmente com Domínguez, que passou a utilizá-lo de maneira mais próxima das zonas em que se sente confortável.

Com Domínguez, camisa 11 recuperou utilidade

A melhora recente de Bernard mudou a leitura sobre o futuro. O jogador deixou de ser apenas uma lembrança afetiva da Libertadores e voltou a participar diretamente dos resultados.

Na temporada, os números mostram crescimento. O site oficial do clube destacou que, em seus últimos oito compromissos antes da pausa, o meia marcou três gols e deu duas assistências. No recorte geral de 2026, soma 29 partidas, 5 gols e 2 assistências, segundo o oGol.

Com Domínguez, a função também parece mais ajustada. O camisa 11 do Atlético tem atuado principalmente pelo lado esquerdo, mas com liberdade para centralizar em alguns momentos. Essa movimentação permite que participe da construção, aproxime dos meias e apareça em zonas de finalização.

Não é mais o ponta jovem que ganhava campo apenas pela aceleração. Hoje, o melhor uso passa por mobilidade, associação, bola parada, passe curto e leitura para ocupar espaços. Quando fica preso demais à lateral, perde influência. Quando recebe por dentro e tem companheiros próximos, consegue dar mais fluidez ao ataque.

Essa mudança é importante para entender por que a permanência voltou a fazer sentido. O Galo tem um elenco caro, com nomes de peso no setor ofensivo, mas precisa de jogadores capazes de ajudar em diferentes funções. O meia oferece justamente essa flexibilidade.

Além disso, há um componente de vestiário. Em um grupo que passa por reformulações, um atleta identificado, experiente e disposto a cumprir papel tático tende a ganhar valor que não aparece apenas nas estatísticas.

Futuro provável passa por permanência até 2027

O futuro mais provável, neste momento, é a permanência. O contrato vai até o fim de 2027, o jogador recuperou espaço e a comissão técnica passou a encontrar uma função mais adequada para suas características.

Uma venda no meio da temporada só faria sentido em cenário específico: proposta de um clube estrangeiro, redução relevante de folha ou desejo do próprio atleta por um novo ciclo. Mesmo assim, o valor de mercado não sugere uma negociação de grande impacto financeiro.

O caminho mais lógico é tratar o meia como peça de rotação qualificada, com possibilidade de titularidade em jogos que peçam mais associação pelo lado esquerdo. Em um calendário com Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana, Domínguez precisará de alternativas para preservar titulares e mudar o desenho ofensivo.

O jogador também tem um fator a seu favor: está mais adaptado à nova realidade. A cobrança pelo Bernard de 2013 já não faz sentido esportivo. O que pode sustentar sua permanência é a versão atual, mais madura, menos dependente da velocidade e mais útil na circulação ofensiva.

A entrevista em que revelou propostas de Corinthians, Flamengo e Palmeiras reforça essa leitura. Ele não voltou por falta de mercado. Voltou porque quis. Agora, a continuidade dependerá menos do passado e mais da capacidade de transformar essa escolha em rendimento.

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Tati Oliveira
Tati Oliveira
Há quase 15 anos no mercado de comunicação, é apaixonada pela notícias e trabalha no jornalismo cobrindo entretenimento, grandes eventos e futebol.

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