O Atlético levou à Corte Arbitral do Esporte, o CAS, disputas relacionadas a três contratações que continuam produzindo cobranças fora de campo. Os processos envolvem pagamentos por Lyanco, Bruno Fuchs e Brahian Palacios, com pendências que ultrapassam R$ 17 milhões, conforme levantamento publicado pelo ge.
As decisões foram divulgadas nesta semana, mas os julgamentos ocorreram no primeiro semestre de 2026. A diferença importa porque o noticiário não representa três novas condenações proferidas em outubro: trata da publicação de casos que o clube já vinha contestando.
Segundo a reportagem do ge sobre os processos, o Atlético recorreu nos três casos. Procurado, o clube reconheceu as disputas e afirmou que “impugna alguns excessos nas respectivas ações”, relacionando essa contestação às tratativas para pagamento.
Cobrança por Lyanco envolve parcelas da contratação

A negociação de Lyanco com o Southampton foi acertada por 5,2 milhões de euros, divididos em cinco parcelas. O cronograma de pagamento se estendia de julho de 2024 a julho de 2026, fazendo com que a obrigação financeira continuasse depois da chegada do defensor.
O clube inglês acionou a Fifa após o atraso da terceira parcela, de 1,125 milhão de euros, vencida em julho de 2025. Posteriormente, houve nova cobrança envolvendo a quarta prestação, de igual valor, prevista para o início de janeiro deste ano.
Na discussão sobre essa quarta parcela, o Atlético alegou não ter recebido faturas válidas e atualizadas. A justificativa foi rejeitada em abril, e a decisão determinou o pagamento com juros, prevendo restrição ao registro de jogadores em caso de descumprimento.
O valor de cada parcela não deve ser confundido com o preço integral da contratação. Da mesma forma, o montante de R$ 17 milhões citado no levantamento não corresponde à soma de tudo o que o Atlético concordou em investir originalmente nos três atletas.
Fuchs deixou o elenco, mas a obrigação permaneceu

O processo relacionado a Bruno Fuchs tem origem no acordo com o CSKA. A operação previa uma taxa de 360 mil euros pelo empréstimo e uma compra definitiva de 2,7 milhões de euros, com pagamentos parcelados.
A Rádio Fã FM detalhou que a condenação determinou o pagamento de 900 mil euros, acrescidos de juros anuais de 7% e multa contratual de 63,6 mil euros. O clube russo havia apontado pendências na taxa de empréstimo e na primeira parcela da aquisição.
O caso mostra por que a movimentação do elenco não encerra automaticamente as obrigações de uma transferência. Fuchs seguiu para o Palmeiras, mas o compromisso assumido pelo Atlético com o antigo clube continuou sendo discutido.
Multa por Palacios foi reduzida

Na contratação de Palacios, o Atlético acertou o pagamento de 3 milhões de dólares ao Atlético Nacional, em quatro parcelas. A controvérsia envolve a última prestação, de 800 mil dólares, vencida em março de 2026.
O clube colombiano também cobrou uma multa equivalente a 100% do valor atrasado. O Atlético considerou a exigência desproporcional e defendeu que a penalidade fosse de 80 mil dólares.
A decisão reconheceu a cobrança, mas reduziu a multa para 400 mil dólares. O pagamento das parcelas anteriores foi considerado na avaliação, que afastou a interpretação de má-fé e diminuiu a penalidade pretendida pelo credor.
Esse ponto ajuda a entender o posicionamento divulgado pelo Galo. Reconhecer a existência de débitos e contestar componentes da cobrança são movimentos que podem coexistir dentro do mesmo processo.
Recursos exigem cuidado ao falar em punição
As decisões preveem consequências para o descumprimento, incluindo impedimento de registrar novos atletas. Isso não autoriza concluir, apenas com a publicação dos documentos, que exista uma nova proibição já em vigor contra o Atlético nesta sexta-feira.
Como os casos foram levados ao CAS, é necessário acompanhar o andamento dos recursos e eventuais medidas aplicáveis a cada disputa. A publicação das condenações, isoladamente, não esclarece todos esses desdobramentos.
Também é preciso separar esses processos do plano apresentado pelo Atlético para pagar mais de R$ 43 milhões na CNRD. São frentes distintas, e não há base para tratar todos os valores como uma única cobrança com o mesmo prazo.
Para o planejamento do clube, o desafio passa por organizar pagamentos que sobreviveram às próprias mudanças do elenco. Parcelas, juros e multas continuam exigindo recursos enquanto a diretoria administra as necessidades esportivas da temporada e prepara suas próximas decisões de mercado.


