A notícia imediata é positiva para o Atlético: Lyanco está novamente à disposição. Mas o retorno do camisa 13 ao elenco de Eduardo Domínguez abre uma questão mais interessante do que simplesmente saber se ele poderá enfrentar o Santos. Depois de uma temporada marcada por duas recuperações físicas, que Lyanco volta ao Galo e qual espaço ele encontra na defesa?
O zagueiro foi um dos três jogadores liberados pelo departamento médico, ao lado de Igor Gomes e Maycon, segundo informou o ge. Lyanco estava afastado desde 12 de agosto, quando sofreu uma ruptura da fáscia plantar do pé esquerdo durante a vitória sobre o Red Bull Bragantino pela Copa Sul-Americana.
A ausência durou menos de um mês. O contexto, porém, torna o retorno especialmente importante: Lyanco já havia passado boa parte de 2026 tentando recuperar espaço depois de uma lesão muito mais grave.
Lyanco vinha recuperando espaço no Atlético
A temporada começou praticamente como uma corrida contra o tempo para Lyanco. O defensor passou por uma longa recuperação após romper o tendão de Aquiles em 2025 e só voltou gradualmente aos jogos oficiais.
Durante a pausa provocada pela Copa do Mundo, a situação começou a mudar. Com a saída de Junior Alonso e as alterações promovidas pelo Atlético no setor defensivo, Lyanco ganhou novamente espaço entre os titulares e passou a formar a defesa ao lado de Ruan Tressoldi.
Os números imediatamente anteriores à lesão mostram que essa retomada não acontecia apenas por falta de alternativas.
De acordo com os registros do FotMob, Lyanco disputou nove partidas e acumulou 633 minutos no Brasileirão de 2026, com avaliação média de 6,83. Quando se observa a sequência anterior à lesão, o desempenho chama ainda mais atenção.
Contra o Vasco, recebeu nota 7,3. Depois, marcou 7,0 diante do Bahia e 7,2 contra o Palmeiras. Nos dois confrontos seguintes com o Juventude, pela Copa do Brasil, teve notas 7,6 e 8,0.
Ou seja: nas cinco últimas partidas que conseguiu completar antes de se machucar novamente, Lyanco recebeu nota 7,0 ou superior em todas.
A partida seguinte foi justamente contra o Bragantino. O defensor permaneceu apenas 29 minutos em campo antes de precisar ser substituído.
Problema é que a defesa não ficou esperando
Se os números indicavam uma recuperação técnica, a nova interrupção colocou Lyanco novamente em uma situação conhecida: precisar conquistar sequência.
Durante sua ausência, Domínguez foi obrigado a reorganizar o setor. Ruan Tressoldi também entrou no departamento médico, enquanto Victor Hugo ganhou importância justamente depois da primeira baixa de Lyanco.
Vitão também passou a receber oportunidades. Na derrota por 2 a 0 para o São Paulo, no último sábado, por exemplo, Domínguez iniciou a partida com Vitor Hugo e Vitão entre os defensores disponíveis.
Isso não significa que Lyanco tenha perdido definitivamente a posição. Pelo contrário: antes da lesão, ele era uma das peças mais utilizadas pelo treinador na reorganização defensiva realizada após a Copa do Mundo.
Mas seu retorno acontece em circunstâncias diferentes daquelas de julho.
Lyanco ainda é o zagueiro que o Atlético esperava?
O jogador renovou contrato com o Atlético até dezembro de 2029 depois de ganhar protagonismo no clube. O Moon BH já mostrou que, no início desta temporada, o futuro do defensor chegou a entrar no radar do mercado, justamente enquanto ele tentava recuperar o espaço perdido durante a longa recuperação física.
Depois da Copa, a resposta começou a aparecer dentro de campo. Foram cinco atuações completas consecutivas com avaliações acima ou iguais a 7,0 antes que o problema no pé interrompesse novamente a sequência.
Agora, a liberação médica oferece uma terceira oportunidade de continuidade em 2026.
E ela chega em um momento importante. O Atlético enfrenta o Santos nesta quarta-feira (9), às 19h, na Vila Belmiro, pela ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. Ruan Tressoldi e Léo Duarte continuam entre os desfalques do setor, enquanto Domínguez volta a contar com Lyanco, Victor Hugo e Vitão.
Por isso, a volta do camisa 13 representa mais do que simplesmente mais uma opção no banco.
Lyanco já mostrou, antes da lesão, sinais de que poderia recuperar o protagonismo perdido no início do ano. O próximo desafio é provar que a segunda interrupção da temporada não interrompeu também essa evolução.


