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Atlético mudou depois de enfrentar o Cruzeiro e números mostram o tamanho da virada

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O Atlético que entra na Arena MRV nesta terça-feira (1º) para decidir uma vaga na semifinal da Copa do Brasil contra o Cruzeiro é muito diferente daquele que encontrou o mesmo rival quatro meses atrás. A comparação não está apenas na sensação em torno da equipe. Os números de Eduardo Domínguez mostram como uma temporada que ameaçava escapar do controle ganhou estabilidade justamente depois de um período em que o clássico mineiro apareceu no centro da crise.

Em 2 de maio, o Atlético venceu o Cruzeiro por 3 a 1 no Mineirão pelo Campeonato Brasileiro. Naquele momento, o resultado teve peso muito maior do que três pontos. O Galo vinha pressionado, o trabalho de Domínguez ainda despertava dúvidas e uma nova derrota aumentaria a temperatura sobre a comissão técnica.

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O clássico não iniciou matematicamente a atual sequência de invencibilidade. O Atlético ainda perderia para o Corinthians em 24 de maio. Mas aquele 3 a 1 funciona como um marco importante para entender quando o time começou a deixar o ambiente de instabilidade para trás.

Domínguez tinha 50% de aproveitamento no Atlético

Treinador Eduardo Dominguez do Atlético
Foto: Pedro Souza / Atlético

Em junho, quando completou 100 dias no comando alvinegro, Domínguez acumulava 24 partidas, com 11 vitórias, três empates e dez derrotas. O aproveitamento era exatamente de 50%.

Era um retrato bastante diferente do atual. Não se tratava de uma campanha desastrosa, mas também não havia números suficientemente fortes para encerrar as dúvidas sobre o trabalho.

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Pouco mais de dois meses depois, o argentino soma 35 partidas pelo Atlético, com 16 vitórias, nove empates e dez derrotas. O aproveitamento geral subiu para 54,3%.

O dado mais revelador aparece quando o período recente é isolado. Depois daquele recorte dos primeiros 100 dias, foram 11 jogos sem derrota, com cinco vitórias e seis empates. São 21 pontos possíveis conquistados em 33, aproveitamento de 63,6%.

A sequência completa sem perder chegou a 13 partidas depois do 2 a 1 sobre o Vitória, no último sábado. São sete vitórias e seis empates desde a derrota para o Corinthians.

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O momento passou até a chamar atenção fora do Brasil. A imprensa argentina destacou recentemente os números do treinador, e a Itatiaia mostrou que o jornal Olé classificou a campanha recente como de “números invejáveis”.

Cruzeiro aparece novamente no caminho do Atlético

Existe uma coincidência que transforma o duelo desta terça em algo maior para Domínguez. O Cruzeiro apareceu quando seu trabalho precisava urgentemente de uma resposta e volta agora quando a equipe tenta comprovar que a transformação recente resiste a um jogo de máxima pressão.

Depois da vitória sobre o Vitória, Domínguez atribuiu boa parte da evolução ao próprio elenco. “Quem começou a acreditar foram os jogadores”, afirmou o argentino ao analisar o momento vivido pelo Atlético.

A declaração combina com a mudança apresentada pelos números. O Atlético deixou de alternar constantemente vitórias e derrotas e passou a encontrar maneiras diferentes de permanecer competitivo. Em alguns jogos, conseguiu controlar o adversário. Em outros, precisou sobreviver a períodos de pressão ou buscar o resultado depois de sair atrás.

Foi justamente o que aconteceu no primeiro confronto das quartas contra o Cruzeiro. No Mineirão, o time celeste teve mais posse, abriu o placar e viveu seu melhor momento na partida. Mesmo assim, o Atlético reagiu e levou o 1 a 1 para casa.

Clássico pode mudar novamente a leitura sobre a temporada

Cruzeiro e Atlético em clássico da semifinal da Copa do Brasil
Cruzeiro e Atlético em clássico da semifinal da Copa do Brasil – Foto: Gustavo Martins/ Cruzeiro

A transformação recente não elimina os problemas apresentados anteriormente. O aproveitamento geral de 54,3% ainda carrega as dez derrotas acumuladas nos primeiros meses e mostra que a temporada teve dois momentos bastante diferentes.

É justamente por isso que o clássico desta terça-feira ganha valor adicional.

Uma classificação colocaria o Atlético na semifinal da Copa do Brasil e prolongaria a maior sequência de invencibilidade do clube desde 2021, desconsiderando o Campeonato Mineiro. Mais do que isso, consolidaria a ideia de que Domínguez conseguiu efetivamente transformar uma equipe que chegou ao meio do ano cercada por dúvidas.

Quatro meses atrás, vencer o Cruzeiro ajudou o treinador a ganhar oxigênio. Agora, enfrentar novamente o rival pode mostrar até onde aquela reação conseguiu levar o Atlético.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.