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Atlético pagou R$ 43,7 milhões e 33 jogos depois ainda espera resposta de reforço

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O Atlético fez uma das apostas internacionais mais caras de seu elenco quando trouxe Alan Minda no início da temporada. Passados 33 jogos, porém, a discussão já não envolve apenas adaptação ou potencial: começa a envolver o tamanho da resposta esportiva entregue por um jogador que custou aproximadamente R$ 43,7 milhões.

O equatoriano soma quatro gols e duas assistências pelo clube em 2026. Os números, divulgados pelo ge ao analisar o momento do atacante, não transformam Minda automaticamente em uma contratação malsucedida, mas ajudam a colocar o investimento em perspectiva numa temporada que já entrou em sua reta decisiva.

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O investimento mudou o tamanho da expectativa

Minda não chegou à Cidade do Galo como uma aposta de baixo custo que poderia amadurecer sem pressão. O valor desembolsado pelo Atlético colocou o atacante em outra categoria de contratação e, consequentemente, aumentou a expectativa por uma participação mais constante no time.

Até aqui, foram seis participações diretas em gols nas 33 partidas disputadas. Em uma conta simples, isso significa uma participação a cada cinco jogos e meio, embora esse cálculo não considere diferenças de minutagem, titularidade ou contexto de cada partida.

O problema para o Atlético está menos em um número isolado e mais na dificuldade de transformar bons momentos em sequência. Minda já mostrou características que justificam o interesse do clube, especialmente na velocidade e na capacidade de atacar espaços, mas ainda alterna partidas de maior influência com períodos em que participa pouco da construção ofensiva.

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Em julho, por exemplo, o Moon BH mostrou como o atacante conseguiu dar sua primeira assistência pelo clube na vitória sobre o Palmeiras e, poucos minutos depois, desperdiçou uma oportunidade clara com o gol praticamente aberto. Aquele jogo acabou funcionando como um retrato bastante fiel da temporada: Minda consegue criar a sensação de que está perto de dar o salto, mas ainda não tornou esse salto permanente.

Domínguez mudou o tom da avaliação

Eduardo Dominguez em campo pelo Atlético
Eduardo Dominguéz do Galo – Paulo Henrique França / Atlético

A novidade agora está na maneira como Eduardo Domínguez passou a tratar publicamente o desenvolvimento do jogador. Depois do empate por 1 a 1 com a Chapecoense, o treinador reconheceu que Minda ainda pode crescer e ressaltou sua juventude, mas colocou parte importante da responsabilidade sobre o próprio atacante.

Domínguez afirmou que, se Minda não acompanhar a evolução coletiva, terá dificuldades para aumentar sua minutagem. A declaração não representa uma ruptura com o jogador — o argentino também ressaltou o esforço demonstrado nos treinamentos —, mas muda ligeiramente a natureza da cobrança.

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Até pouco tempo, a discussão poderia ser resumida ao processo de adaptação de um jovem estrangeiro ao futebol brasileiro. Depois de 33 partidas, o Atlético começa a ter material suficiente para perguntar quando esse processo passará a produzir uma resposta mais consistente.

Quatro gols não contam toda a história

Avaliar Minda exclusivamente pelos gols também seria simplificar seu papel. O equatoriano não é um centroavante cuja principal função esteja restrita à finalização e pode contribuir conduzindo a bola, atacando profundidade e abrindo espaço pelos corredores.

Ao mesmo tempo, o tamanho do investimento faz com que participação ofensiva e capacidade de decidir partidas sejam inevitavelmente consideradas. Quando um clube desembolsa mais de R$ 40 milhões por um atacante, a expectativa não é apenas que ele complete o elenco, mas que se transforme em uma peça relevante.

Esse é o ponto em que a temporada de Minda entra agora. O Atlético já viu sinais positivos suficientes para continuar acreditando no potencial do jogador, mas também acumulou uma quantidade de partidas que começa a reduzir o espaço para explicar tudo apenas como adaptação.

A reta final pode definir a leitura sobre a contratação

Minda ainda tem tempo para modificar a percepção sobre seu primeiro ano em Belo Horizonte. A reta final de 2026 oferece partidas importantes e um Atlético que precisará encontrar soluções ofensivas para continuar perseguindo seus objetivos nas competições que disputa.

Por isso, os próximos meses podem pesar mais do que os primeiros. Uma sequência produtiva transformaria quatro gols e duas assistências em apenas o ponto de partida de uma adaptação mais lenta. Se o rendimento permanecer irregular, o debate sobre os R$ 43,7 milhões inevitavelmente ficará maior.

O próprio Domínguez indicou onde está a régua: o time precisa crescer, e Minda terá de crescer junto. Depois de 33 jogos, essa talvez seja a principal diferença em relação ao começo do ano. O Atlético continua disposto a esperar pelo desenvolvimento do equatoriano, mas a espera já começou a vir acompanhada de cobrança.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.