Eduardo Domínguez deixou escapar mais do que uma bronca depois da vitória por 2 a 1 sobre o Juventud, pela Sul-Americana. Ao pedir que o elenco deixe “de lado o egoísmo” e cobre “mais união e mais conexão”, o técnico expôs que o desafio do Atlético hoje não é apenas tático. O problema central parece ser fazer um grupo caro e experiente funcionar como time de verdade. Além disso, a atual situação do Atlético demonstra que a busca por unidade é crucial para o desenvolvimento do grupo.
A vitória foi complicada. O Galo sofreu contra o penúltimo colocado do Campeonato Uruguaio, chegou ao quarto jogo consecutivo sofrendo gol e ouviu cobrança pública do treinador logo após o apito final. O recado foi direto: “Se não estamos nos conectando lá dentro, como vamos conectar com a torcida?” Vale ressaltar que o Atlético enfrenta dificuldades para criar laços entre elenco e torcida neste momento.
Ruídos dentro e fora do campo
A fala de Domínguez não caiu no vazio. Ela veio numa semana em que o ambiente produziu ruídos em sequência. Bernard marcou, provocou a torcida com a mão nos ouvidos na comemoração, depois pediu desculpas e reconheceu a necessidade de “conversar mais internamente”. Alexsander também precisou vir a público negar boatos de descompromisso extracampo. Quando esses episódios se acumulam, o recado é claro: o elenco ainda não transmite sensação de unidade plena. Em outras palavras, o Atlético neste momento precisa fortalecer o espírito de equipe para evitar novos conflitos.
O próprio Domínguez já havia reconhecido o padrão antes. Após a derrota para o Santos, ele falou em “urgência”. Depois do Puerto Cabello, disse: “Não era o rival, era a gente”. E agora, contra o Juventud: “Não era o Juventud, era a gente.” Três vezes seguidas o treinador identificou o problema no próprio time — o que sinaliza que ele enxerga uma questão estrutural, não circunstancial.

O técnico também foi revelador ao falar de Cassierra: para ele, o atacante precisa se convencer de que rende mais perto da área, não saindo dela. Isso mostra que ainda há jogadores tentando resolver o jogo do jeito que preferem, e não do jeito que o modelo pede — algo que trava a fluidez ofensiva.
O que Domínguez precisa resolver antes do Coritiba
A análise recente de O Tempo apontou que a defesa voltou a perder confiança após um início de melhora sob o técnico. O time oscila entre partidas seguras e recaídas em marcação e saída de bola — um padrão que costuma revelar falha coletiva de coordenação, não apenas erro individual. Mas o Atlético precisa ajustar o sistema defensivo para garantir melhores resultados e estabilidade.
O caminho que o treinador sinalizou passa por definir funções mais rígidas, reduzir o ruído externo com decisões claras e recuperar o básico defensivo. Sem estabilidade atrás, o time fica emocionalmente instável — e cada erro amplifica a cobrança da arquibancada.
O próximo teste será já neste domingo, 19 de abril, às 16h, no Couto Pereira, contra o Coritiba, pelo Brasileirão, com transmissão de TV Globo e Premiere. O jogo dirá se o discurso de Domínguez ficou só no pós-jogo ou se o elenco conseguiu transformar cobrança em comportamento coletivo melhor. Por fim, será mais uma oportunidade para o Atlético demonstrar evolução dentro de campo.