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Atlético já tem dois caminhos na Sul-Americana e um deles pode virar armadilha brasileira

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O Atlético já sabe que terá dois caminhos possíveis nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. O sorteio colocou o Galo contra o vencedor do playoff entre Red Bull Bragantino e Sporting Cristal, do Peru, em um cruzamento que exige dois planos completamente diferentes dentro da Cidade do Galo. Eduardo Domínguez, Bragantino e Sporting Cristal formam o triângulo que vai definir o ritmo da temporada continental alvinegra.

A definição só virá após a repescagem, marcada para julho. Mas o trabalho de observação começa agora.

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Por que o roteiro muda completamente

Contra o Bragantino, o Atlético teria um duelo brasileiro: físico, conhecido, cheio de detalhes de Campeonato Brasileiro e com um adversário que não se intimida diante de times grandes.

Contra o Sporting Cristal, o desafio seria outro: viagem internacional, escola peruana, posse de bola mais cadenciada e um rival que passou pelo nível competitivo da Libertadores, onde enfrentou Palmeiras, Cerro Porteño e Junior Barranquilla.

Em ambos os casos, Domínguez terá que ajustar o plano sem perder a identidade que recolocou o Galo nas oitavas: competitividade, força em casa e leitura pragmática de mata-mata.

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O plano contra o Bragantino

Se o adversário for o Red Bull Bragantino, o Atlético terá pela frente um time de intensidade.O clube paulista joga com linhas agressivas, pressão pós-perda e ataques rápidos pelos lados. Não é um rival que deixa o jogo morrer. Foi assim que o Massa Bruta sobreviveu na Sul-Americana: na rodada decisiva, venceu o Carabobo por 2 a 0 mostrando força justamente quando a pressão era máxima.

Para o Atlético, o plano não pode ser de exposição. O Galo teria que controlar perdas no meio-campo, evitar saídas forçadas por dentro e proteger os corredores. Em confronto brasileiro, o detalhe não estará apenas na técnica, mas na maturidade competitiva.

O ponto mais sensível do Bragantino é a defesa quando precisa correr para trás. Como o time paulista gosta de adiantar o bloco, há espaço para atacar a última linha com inversões rápidas, lançamentos diagonais e infiltrações de segunda bola. O Atlético teria que jogar com paciência para escapar da primeira pressão e agressividade para explorar o espaço logo depois.

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Na avaliação do Moon BH, esse seria o duelo mais brasileiro possível: muita disputa, muito contato, pouca margem para erro e uma eliminatória provavelmente definida em detalhes. O Galo conhece esse ambiente. O desafio é não permitir que o Bragantino leve o confronto para o território da intensidade pura.

O plano contra o Sporting Cristal

Se o adversário for o Sporting Cristal, o Atlético terá um problema diferente. O time peruano chegou à repescagem depois de terminar em terceiro na fase de grupos da Libertadores, com seis pontos, duas vitórias e quatro derrotas. A campanha não assusta pelo número frio, mas mostra que o rival passou por nível competitivo mais alto do que a fase de grupos da Sul-Americana.

O Sporting Cristal tem características tradicionais: tentativa de posse, jogo apoiado, circulação curta e busca por controle técnico. Para o Atlético, esse confronto exigiria paciência e imposição desde o início.

Bernard no Atlético
Jogador Bernard do Galo – Foto: Pedro Souza / Atlético

Diferentemente do Bragantino, o Sporting tende a não oferecer tantos espaços em transição. O risco está em deixar o jogo lento demais, aceitar uma posse estéril do adversário e transformar a eliminatória em tensão desnecessária.

O ponto que o Atlético pode explorar é a dificuldade do Sporting em defender cruzamentos, bolas paradas e ataques de maior imposição física. O Galo tem jogadores fortes em duelos, boa presença de área e capacidade de criar volume quando empilha escanteios, faltas laterais e chegadas pelo corredor. O plano ideal seria pressionar sem se abrir e transformar cada retomada em avanço real.

A vantagem que o Atlético tem sobre os dois

O maior trunfo do Galo não é apenas decidir em casa. É poder preparar dois jogos ao mesmo tempo. Domínguez pode dividir a análise em dois blocos: um voltado ao Bragantino, com foco em pressão, transição e duelo físico; outro voltado ao Sporting Cristal, com atenção à posse, paciência defensiva e imposição territorial.

Esse é o tipo de planejamento que separa time que apenas joga mata-mata de time que sabe competir em mata-mata. O Atlético chega às oitavas depois de sofrer mais do que gostaria na fase de grupos. Estreou mal, perdeu fora, oscilou, mas reagiu. A vitória por 1 a 0 sobre o Puerto Cabello garantiu a classificação direta e evitou a repescagem, justamente o desgaste que Bragantino e Sporting Cristal terão que enfrentar em julho.

Esse detalhe pode valer muito. Enquanto os possíveis adversários disputam jogos decisivos, o Galo observa, ajusta e recupera atletas. Se usar bem esse intervalo, chegará às oitavas com vantagem competitiva real.

Galo não pode escolher rival, mas pode escolher postura

Entre Bragantino e Sporting Cristal, não há adversário perfeito. O Bragantino conhece o futebol brasileiro e não sentiria tanto o ambiente. O Sporting Cristal traz o peso internacional e pode deixar o confronto mais traiçoeiro se o Atlético não abrir vantagem quando tiver domínio.

A resposta do Galo precisa ser a mesma nos dois cenários: entrar para controlar a eliminatória desde o primeiro jogo.

A Sul-Americana virou uma obsessão esportiva para o Atlético depois das frustrações recentes em finais continentais e nacionais. O clube sabe que não pode tratar o torneio como prêmio menor. O primeiro passo já foi dado. O desafio agora é transformar o sorteio em plano.

Antes das oitavas, o Atlético enfrenta o Vasco neste domingo, 31 de maio, às 16h, em São Januário, pela 18ª rodada do Brasileirão, com transmissão exclusiva do Amazon Prime Video. Será o último teste antes da pausa da Copa do Mundo.

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Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.

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