A noite em que Gabriel Delfim virou protagonista de uma classificação do Atlético terminou com uma comemoração que ele não costuma repetir e uma conversa familiar que precisou esperar. Depois de defender três pênaltis contra o Santos, o goleiro bateu na trave durante a festa e foi encaminhado ao controle antidoping antes de conseguir falar com os parentes.
Os detalhes aparecem em reportagem publicada pelo ge nesta sexta-feira, 2 de outubro. O relato recupera a experiência do jogador na decisão de 16 de setembro, quando o Galo avançou às semifinais da Sul-Americana.
Para quem acompanhou a partida, a lembrança mais evidente ficou nas defesas. Para o goleiro, o desfecho também passou pela dificuldade de conter a euforia e pela vontade de dividir aquela conquista com quem acompanhou sua trajetória.
A primeira defesa mudou a maneira de viver a disputa
Delfim contou que esperava ganhar tranquilidade se conseguisse defender a primeira cobrança. Depois da segunda intervenção, porém, a reação já era diferente: o controle que costumava demonstrar nas categorias de base deu lugar a uma comemoração mais intensa.
“Se eu pego o primeiro pênalti, eu saio mais tranquilo”, explicou. O comentário ajuda a compreender como ele organizava a própria expectativa antes da disputa, concentrando a atenção na primeira oportunidade de interferir no resultado.
A lembrança acrescenta uma dimensão pessoal a um momento geralmente resumido pelas imagens das cobranças. O goleiro não descreve apenas onde a bola foi, mas como a sequência de defesas alterou sua reação dentro de campo.
A preparação começou antes de a bola chegar à marca
O registro oficial do Atlético sobre a atuação mostra que o estudo dos possíveis cobradores fazia parte da rotina dos goleiros e preparadores. Ainda na noite da classificação, Delfim dividiu o mérito com os profissionais envolvidos nesse trabalho.
A preparação não eliminava a incerteza de cada cobrança. Ela oferecia referências para uma decisão que precisaria ser tomada em segundos, diante do movimento do adversário e da pressão de uma eliminatória.
Esse aspecto também ajuda a enxergar o trabalho de quem passa longos períodos no banco. Mesmo sem a sequência de partidas do titular, o reserva precisa acompanhar os adversários e permanecer preparado para situações que podem surgir sem antecedência.
Um soco na trave entrou na comemoração
Depois da terceira defesa, Delfim relatou uma euforia tão grande que acabou acertando a lateral da trave com a mão. Segundo o próprio jogador, o episódio não deixou dores, e ele o descreveu como parte da felicidade daquele momento.
A cena aconteceu enquanto a Arena MRV celebrava a classificação. O goleiro também recebeu os cumprimentos do treinador Eduardo Domínguez, chamado por ele pelo apelido de Barba.
O relato revela uma comemoração espontânea, distante da postura mais contida que o atleta disse ter adotado na base. Naquela noite, a experiência no profissional trouxe uma intensidade que ele próprio destacou ao relembrar o jogo.
A ligação para a família teve de esperar
Enquanto os familiares queriam conversar com o goleiro, havia uma etapa a cumprir depois da partida. Delfim precisou passar pelo controle antidoping, procedimento que adiou o contato com as pessoas que aguardavam notícias.
Ao ser liberado, conseguiu falar com a mãe, as irmãs e o pai. Na lembrança do jogador, a emoção dos familiares foi uma das partes mais importantes do encerramento daquela noite.
A passagem pelo controle não foi apresentada como punição ou irregularidade. No depoimento, aparece como um compromisso do pós-jogo que separou a festa no gramado da comemoração compartilhada com a família.
A virada exigiu uma resposta coletiva antes dos pênaltis
O Atlético havia perdido a primeira partida por 2 a 0 e precisava recuperar a diferença. Na volta, venceu por 4 a 2, igualou o confronto no agregado e levou a definição da vaga para as penalidades.
A vitória por 3 a 1 na disputa completou uma reação que envolveu diferentes momentos da equipe. As defesas de Delfim decidiram o desfecho, mas só se tornaram possíveis porque o time construiu o placar necessário durante o jogo.
A oportunidade apareceu depois de anos de preparação
Formado na base atleticana, Delfim ganhou espaço durante a ausência de Everson. O Moon já havia mostrado como sua experiência profissional ainda era reduzida quando precisou assumir compromissos importantes.
O novo relato permite conhecer o jogador para além dessa comparação de partidas. Entre a expectativa pela primeira defesa e a conversa com os familiares, Delfim descreve como viveu uma noite em que seu trabalho passou a ocupar o centro da atenção da torcida.


