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Atlético esperou anos e Delfim alcançou marca que só Victor e Everson tiveram

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O Atlético passou anos preparando um goleiro que, até poucas semanas atrás, havia aparecido muito pouco para o torcedor. Bastaram, porém, 12 partidas como profissional para Gabriel Delfim alcançar uma marca que coloca seu nome ao lado de dois dos goleiros mais importantes da história recente do clube.

Na classificação sobre o Santos, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, o camisa 31 defendeu três cobranças na disputa de pênaltis. O feito já havia sido alcançado por Victor e por Everson em decisões pelo clube.

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A diferença está no caminho percorrido até chegar ali. Delfim entrou naquela noite ainda tentando construir espaço no futebol profissional e saiu da Arena MRV com uma atuação que dificilmente poderia ser mais simbólica.

Delfim entrou em um grupo muito pequeno no Atlético

O Galo precisava reverter a derrota por 2 a 0 sofrida no primeiro confronto. Venceu por 4 a 2, empatou o agregado e empurrou uma eliminatória dramática para os pênaltis.

Foi justamente quando a responsabilidade chegou ao goleiro. Delfim parou três cobranças e permitiu ao Atlético vencer a disputa por 3 a 1. Segundo o próprio Atlético, ele igualou feitos de Victor e Everson.

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Victor havia defendido três penalidades contra o Unión La Calera, em 2015, também pela Copa Sul-Americana. Everson repetiu a marca na Supercopa do Brasil de 2022. Delfim agora completa esse grupo.

O contexto torna o feito ainda mais incomum. Aos 24 anos, o goleiro chegou àquela partida com apenas 12 jogos pela equipe profissional, enquanto os dois antecessores já carregavam muito mais experiência quando protagonizaram suas respectivas noites.

Há duas semanas, a dúvida era se ele suportaria uma decisão

A mudança de cenário aconteceu rapidamente.

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No fim de agosto, o Moon BH mostrou que Delfim poderia enfrentar uma das maiores partidas de sua trajetória com somente oito jogos profissionais. A ausência de Everson transformou um reserva com poucas aparições em titular durante uma sequência decisiva da temporada.

Naquele momento, a pergunta era natural: como um goleiro tão pouco utilizado responderia quando o nível de pressão aumentasse?

Pouco mais de duas semanas depois, existe uma primeira resposta concreta.

A classificação contra o Santos não significa que a hierarquia do gol precise necessariamente ser alterada quando Everson estiver disponível. Significa algo diferente e mais mensurável: o Atlético descobriu, em uma emergência, que a opção que vinha preparando havia anos consegue responder também em um cenário de pressão extrema.

Um goleiro que precisou esperar muito para aparecer

Gabriel Delfim Atlético
Foto: Pedro Souza / Atlético

Delfim chegou ao Atlético ainda nas categorias de base, em 2018. O caminho até receber uma sequência no profissional foi muito mais longo do que a explosão de popularidade provocada pela noite contra o Santos faz parecer.

Durante boa parte desse período, Everson praticamente monopolizou a posição. O titular acumulou jogos, tornou-se liderança do elenco e ganhou importância até na construção de jogadas com os pés, característica que o Moon BH já mostrou anteriormente.

Por isso, a oportunidade de Delfim não surgiu a partir de uma troca planejada. Ela apareceu depois da fratura sofrida por Everson no pé esquerdo.

O que poderia ser apenas uma solução temporária passou a produzir informação importante para o próprio clube. O Atlético agora sabe um pouco mais sobre aquilo que possui atrás de seu titular.

O efeito da noite vai além das três defesas

Existe também um efeito esportivo difícil de medir apenas pelo número de pênaltis.

Goleiros reservas convivem com um problema específico: podem treinar durante anos sem receber uma sequência suficiente para provar que estão preparados. Quando a oportunidade aparece, muitas vezes ela chega justamente porque algo deu errado com o titular.

Delfim atravessou exatamente esse caminho.

Primeiro vieram partidas em que o objetivo principal era simplesmente substituir Everson sem alterar demais o funcionamento da equipe. Depois chegaram jogos de mata-mata, pressão na Arena MRV e, finalmente, uma disputa de pênaltis valendo vaga na semifinal continental.

Em poucas semanas, o Atlético conseguiu observar seu goleiro em situações que poderiam levar temporadas para aparecer.

O resultado mais visível são as três defesas. O mais importante para o planejamento do clube pode ser o que elas revelaram.

Com apenas 12 partidas profissionais, Gabriel Delfim já tem uma noite que o coloca estatisticamente ao lado de Victor e Everson. Para um jogador que passou tantos anos esperando por espaço, dificilmente haveria maneira mais rápida de transformar oportunidade em argumento.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.