O técnico Eduardo Domínguez voltou a falar sobre a necessidade de reforços no Atlético após o empate por 1 a 1 com o Bahia, na Arena MRV. Questionado sobre a qualidade e a profundidade do elenco, o argentino deixou claro que já apresentou internamente suas avaliações sobre o grupo.
“O que tinha que falar com a diretoria, eu falei”, afirmou Domínguez durante a entrevista coletiva concedida na noite de terça-feira (21). A frase surgiu em meio ao debate sobre a atuação do ataque e a capacidade financeira do Atlético para realizar novas contratações na janela.
Embora a declaração possa soar como uma cobrança, o treinador evitou demonstrar publicamente qualquer ruptura com os dirigentes. Domínguez afirmou que a diretoria está trabalhando, pediu tranquilidade e lembrou que o clube ainda possui tempo para buscar oportunidades no mercado.
O Atlético anunciou apenas o zagueiro Léo Duarte nesta janela. O jogador chegou para ocupar o espaço deixado por Junior Alonso, negociado com o Atlanta United, mas sofreu uma lesão muscular na coxa direita antes de estrear.
Para Domínguez, a prioridade neste momento está no ataque. O treinador confirmou que o Galo procura um centroavante, embora reconheça que os valores envolvidos nas principais opções disponíveis dificultam as negociações.
Domínguez confirma busca por centroavante
A necessidade de um novo camisa 9 ficou mais evidente no empate com o Bahia. O Atlético criou oportunidades, principalmente no primeiro tempo, mas teve dificuldade para transformar a superioridade em gols.
Mateo Cassierra começou como referência ofensiva. O colombiano participou da movimentação do ataque e encontrou espaços, mas não conseguiu marcar. Quem abriu o placar foi o zagueiro Ruan Tressoldi, de cabeça, após cruzamento de Bernard nos acréscimos da etapa inicial.
O Bahia empatou aos 11 minutos do segundo tempo, com Ademir. Depois do gol, o Atlético perdeu parte da intensidade apresentada antes do intervalo e não conseguiu retomar o controle completo da partida. O jogo terminou em 1 a 1.
Domínguez reconheceu que o clube está procurando um atacante de área. Ao mesmo tempo, explicou que jogadores desse perfil normalmente exigem um investimento elevado.
“Estamos tentando trazer algum centroavante”, disse o treinador, antes de mencionar as dificuldades financeiras encontradas pelo Atlético no mercado.
A afirmação confirma uma carência identificada pela comissão técnica. O Galo perdeu Hulk no primeiro semestre e ainda não encontrou um substituto com capacidade semelhante para decidir partidas, ocupar a área e assumir o protagonismo ofensivo.
Cassierra chegou ao Atlético no começo da temporada e continua recebendo oportunidades. Ainda assim, a busca por outro centroavante indica que Domínguez deseja aumentar a concorrência e ter alternativas com características diferentes para a sequência do ano.
Atlético adotou cautela nesta janela
A postura da diretoria atleticana ajuda a explicar a fala do treinador. Antes mesmo da abertura da janela, o clube definiu que priorizaria atletas livres, empréstimos e operações sem grandes compensações financeiras.
A ideia é evitar um aumento significativo da folha salarial e proteger o caixa. Dentro desse planejamento, a chegada de um jogador também pode depender da saída de outro integrante do elenco.
Léo Duarte representa exatamente esse modelo. O zagueiro encerrou seu vínculo com o İstanbul Başakşehir e chegou sem que o Atlético precisasse pagar pela transferência.
A tentativa de contratar Fred, do Fenerbahçe, encontrou um obstáculo justamente na exigência de compensação financeira feita pelo clube turco. O brasileiro era um dos principais nomes desejados para reforçar o meio-campo, mas a permanência na Turquia ganhou força.
No ataque, a dificuldade pode ser ainda maior. Centroavantes com experiência, capacidade de decisão e bom histórico recente costumam ser valorizados. Mesmo quando estão livres, podem exigir luvas, salários elevados e contratos longos.
Domínguez mostrou estar consciente dessas limitações. O treinador disse que a janela ainda oferece tempo para trabalhar e que uma avaliação mais definitiva deverá ser feita somente depois do encerramento do período de transferências.
Empate aumentou a cobrança por reforços
O empate diante do Bahia intensificou o debate porque o Atlético teve oportunidades para construir uma vantagem maior durante o primeiro tempo.
Cuello e Cassierra levaram perigo nos minutos iniciais, enquanto Renan Lodi também tentou finalizar de fora da área. O gol saiu apenas aos 45 minutos, com Ruan Tressoldi aparecendo livre na segunda trave.
Na etapa final, o Atlético sofreu o empate em uma jogada que terminou com Ademir. Domínguez colocou Cissé, Dudu e Reinier, mas as substituições não foram suficientes para garantir a vitória.
A torcida vaiou a equipe depois do apito final. Domínguez tratou a reação com naturalidade e reconheceu que o público esperava uma vitória na retomada do Campeonato Brasileiro.
O treinador avaliou que o time representou o comportamento esperado pelos atleticanos no primeiro tempo, mas não conseguiu manter o mesmo ritmo depois do intervalo. Para ele, a oscilação foi determinante para que o Bahia permanecesse na partida.
Com o resultado, o Atlético encerrou o primeiro turno na décima posição, com 25 pontos. O desempenho mantém o clube distante dos primeiros colocados e aumenta a pressão por uma reação na segunda metade da competição.
Retornos também são tratados como reforços

Além de acompanhar o mercado, Domínguez aguarda a recuperação e a reintegração de jogadores que não estiveram disponíveis contra o Bahia.
Alan Franco, Alan Minda e Ángelo Preciado disputaram a Copa do Mundo com a seleção do Equador. O trio é considerado importante para aumentar as opções da comissão técnica durante a sequência de jogos.
Léo Duarte também deverá ser integrado assim que concluir o tratamento da lesão muscular. O defensor foi contratado para substituir Junior Alonso, mas ainda não conseguiu estrear.
Gustavo Scarpa, que sofreu uma entorse no joelho, é outro jogador esperado para o segundo semestre. A presença desses nomes pode melhorar a profundidade do grupo, mas não elimina a procura por um centroavante.
Domínguez diferencia os retornos dos pedidos feitos à diretoria. Recuperar jogadores amplia as alternativas, enquanto contratar um novo atacante atenderia a uma necessidade específica identificada desde a saída de Hulk.
Próximo desafio será contra o Palmeiras
O Atlético volta a campo no domingo (26), às 19h30, contra o Palmeiras, fora de casa. A partida abre o segundo turno do Campeonato Brasileiro para o clube mineiro.
O confronto aumentará o nível de exigência sobre o elenco. O Palmeiras possui um dos grupos mais valorizados do país e aparece como adversário direto na comparação sobre investimento, profundidade e capacidade de reposição.
Até a partida, a tendência é que o Atlético ainda não tenha o novo centroavante pedido por Domínguez. O treinador deverá trabalhar com as opções disponíveis e avaliar quais atletas que retornaram da Copa já possuem condições físicas para atuar.
A frase direcionada à diretoria não representa uma novidade completa. Domínguez já havia falado anteriormente sobre a necessidade de melhorar o elenco. A diferença é que, agora, a janela está aberta e as respostas dependem de negociações concretas.
“O que tinha que falar com a diretoria, eu falei” resume a postura adotada pelo argentino. Ele apresentou seus pedidos internamente, reconheceu as limitações financeiras e transferiu aos dirigentes a responsabilidade de encontrar soluções sem prometer grandes investimentos.


