Uma construtora criada em Belo Horizonte no ano de 1981 transformou seu fundador em um dos homens mais ricos do Brasil. O engenheiro mineiro Ricardo Valadares Gontijo, criador da Direcional Engenharia, acumula um patrimônio estimado em R$ 3 bilhões na nova lista de bilionários da Forbes de 2026. Aos 76 anos, o empresário ocupa a centésima trigésima sexta posição no ranking nacional.
O valor representa um avanço financeiro em relação ao levantamento do ano anterior. Em 2025, a publicação atribuía a ele R$ 2,9 bilhões. O acréscimo de 3,4 por cento consolidou sua presença na elite da construção civil brasileira. A história dessa fortuna familiar, no entanto, começou muito longe do mercado financeiro e das ações negociadas na bolsa de valores.
O início no bairro Salgado Filho e a expansão nacional
Formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, Gontijo trabalhava como diretor de obras habitacionais antes de empreender. Em fevereiro de 1981, ele decidiu abrir o próprio negócio e fundou a Direcional Engenharia. O primeiro projeto da empresa foi um pequeno empreendimento popular erguido no bairro Salgado Filho, na região Oeste da capital mineira.
A construtora cresceu inicialmente focada em moradias populares e obras públicas de saneamento. Na década seguinte, a empresa expandiu suas fronteiras para Brasília e se especializou na construção em larga escala atrelada aos financiamentos da Caixa Econômica Federal. Hoje, a companhia figura entre as cinco maiores do setor no país e atua em metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza.
A abertura de capital em 2009 revelou o peso da companhia para o mercado de ações. Atualmente, o bloco controlador familiar detém 36,2 por cento dos papéis. Com a construtora avaliada pela Forbes em cerca de R$ 5,7 bilhões, apenas essa fatia societária representa mais de R$ 2 bilhões, explicando a base de cálculo principal da revista para estimar a riqueza do empresário.
Direcional registra o maior recorde de vendas da história
A presença do empresário no clube dos bilionários reflete o momento de escala inédita vivido pela construtora. No segundo trimestre de 2026, a Direcional atingiu R$ 2 bilhões em vendas brutas, marcando o maior volume trimestral de sua trajetória de 45 anos. A receita líquida bateu a marca de R$ 1,3 bilhão, um crescimento expressivo superior a 20 por cento na comparação anual.
Os lucros acompanharam esse ritmo acelerado de expansão imobiliária. Somente nos primeiros seis meses do ano, a companhia lucrou R$ 415 milhões. O potencial de crescimento futuro também está garantido por um banco de terrenos avaliado em R$ 63,1 bilhões em valor geral de vendas. Esse estoque de áreas equivale a mais de onze vezes o valor de mercado atual da própria empresa.
A gestão do negócio já passa por um processo maduro de sucessão. Ricardo Valadares Gontijo deixou a presidência executiva em 2019 para comandar exclusivamente o conselho de administração. Seu filho, também engenheiro formado pela UFMG, assumiu o cargo de diretor executivo principal. O cenário atual coroa uma jornada de quatro décadas que começou com projetos básicos em Belo Horizonte e culminou na criação de um império bilionário da habitação.


