Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, decidiu colocar um freio em parte dos investimentos do Supermercados BH no futebol. O empresário, que também é proprietário da SAF do Cruzeiro, revelou que a rede deixou de patrocinar os principais clubes do Espírito Santo porque os valores pedidos chegaram a superar o que a empresa encontra em equipes da Série A do Campeonato Brasileiro.
A mudança chama atenção pelo tamanho da virada. Em 2024, o próprio Supermercados BH anunciou que patrocinava seis dos dez clubes que disputavam o Campeonato Capixaba. Dois anos depois, a marca não está atualmente na camisa de nenhum dos principais times do estado.
Pedrinho deixou claro, porém, que não abandonou a ideia de investir no futebol. A decisão é comercial: se os clubes reduzirem suas pedidas, ele afirma estar disposto a voltar.
“Pedem mais do que os times da Série A do Brasileiro”, afirmou o empresário ao ge durante a inauguração de uma nova unidade da rede em Vitória, na sexta-feira (21).
De seis clubes em um campeonato para nenhum
É essa comparação histórica que dimensiona melhor a decisão. Quando o Supermercados BH avançou sobre o mercado capixaba em 2024, a empresa fez do futebol uma de suas principais ferramentas de aproximação com o consumidor local.
Naquele Campeonato Capixaba, a companhia anunciou oficialmente patrocínio a Desportiva Ferroviária, Estrela do Norte, Nova Venécia, Rio Branco, Serra e Vitória-ES. Isso significava colocar a marca em 60% dos clubes da competição.
A estratégia acompanhava a expansão empresarial da rede no Espírito Santo. O BH havia chegado ao estado após adquirir operações do EPA e do Mineirão Atacarejo pertencentes ao Grupo DMA.
A presença foi sendo reduzida nos anos seguintes. O Supermercados BH esteve no Vitória-ES em 2025 e patrocinou o Vilavelhense nesta temporada, segundo o ge. Hoje, entretanto, não mantém patrocínio ativo nos clubes capixabas citados pela publicação.
Ou seja: não se trata apenas de uma negociação que não avançou. A empresa saiu de uma posição em que espalhava a marca por praticamente todo o campeonato estadual para uma presença próxima de zero nas camisas locais.
Pedrinho diz que clubes precisam voltar à realidade do mercado
O argumento de Pedro Lourenço é que a audiência, exposição e alcance esportivo precisam guardar relação com o preço cobrado. Segundo ele, os grandes clubes capixabas passaram a solicitar cifras superiores às encontradas pelo Supermercados BH em equipes que disputam a principal divisão nacional.
Pedrinho afirmou que os times precisam se “inserir dentro do mercado” e disse permanecer aberto a novas conversas caso haja adequação dos valores.
Além de comprar mídia esportiva por meio do Supermercados BH, Pedro Lourenço controla o Cruzeiro e, portanto, também participa de uma estrutura que vende espaços de patrocínio a empresas.
Essa dupla posição lhe dá uma referência pouco comum sobre quanto clubes de diferentes dimensões conseguem cobrar por suas propriedades comerciais.
Freio não significa saída do Supermercados BH do futebol
Em Minas Gerais, a empresa continua ligada aos grandes clubes. Em abril, evento organizado pela própria rede reuniu os mascotes de Atlético, América e Cruzeiro, identificados pela companhia como clubes patrocinados pelo Supermercados BH.
O América, por exemplo, renovou em janeiro o contrato até 31 de dezembro de 2026, chegando à sexta temporada consecutiva de parceria. Mais recentemente, a estratégia avançou para outro estado.
Em julho, o Supermercados BH fechou contrato de um ano com o Vitória, da Bahia, para aparecer na barra traseira das camisas da equipe profissional, do time feminino e da categoria sub-20. O valor não foi divulgado.
Portanto, a leitura mais precisa da declaração de Pedrinho não é que o supermercado decidiu parar de patrocinar futebol. O que aparece é uma seleção mais dura de onde colocar o dinheiro.


