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CSN vira terceira mineradora a frear operação em Minas em setembro

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A alta do frete marítimo ganhou um novo efeito concreto sobre a mineração de Minas Gerais. A CSN Mineração decidiu reduzir temporariamente a produção de minério de ferro de menor qualidade no complexo de Pires, em Ouro Preto, tornando-se a terceira mineradora com operação no estado a reduzir atividades em setembro diante de um cenário de custos logísticos elevados e margens mais apertadas.

Antes dela, Mineração Usiminas e Itaminas já haviam anunciado medidas de redução ou paralisação de parte das operações mineiras. A sequência muda a dimensão do problema: o que inicialmente aparecia com maior intensidade entre produtores mais expostos à alta do transporte agora alcança a CSN Mineração, segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil.

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No caso da CSN, a consequência também apareceu nas projeções para 2026. A empresa reduziu a estimativa de produção e compras de minério de terceiros de uma faixa entre 45 milhões e 47 milhões de toneladas para 39 milhões a 41 milhões.

Considerando o ponto médio das duas projeções, são cerca de 6 milhões de toneladas a menos, uma redução próxima de 13%.

CSN escolheu justamente o minério de menor qualidade

Mineração Minas Gerais
Mineração em Minas Gerais – Foto: Envato

A decisão anunciada na terça-feira (29) não representa a paralisação de todo o complexo de Pires. A redução está concentrada nas atividades de produção de minério de baixa qualidade da Planta de Beneficiamento a Seco, em Ouro Preto.

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No fato relevante divulgado ao mercado pela CSN, a companhia afirma que a medida é temporária e poderá ser revertida quando as condições de mercado voltarem a garantir margens melhores para esse tipo de produto.

Esse detalhe ajuda a entender o problema econômico por trás da decisão. Quando o custo para transportar uma tonelada aumenta, produtos de menor valor ficam mais expostos porque há menos margem disponível para absorver a logística antes que a operação deixe de compensar.

O transporte marítimo entre Brasil e China chegou à casa dos US$ 40 por tonelada neste mês. Ao mesmo tempo, a CSN elevou sua própria projeção de custo caixa C1 para 2026: antes estimado entre US$ 22 e US$ 23,50 por tonelada, o indicador agora está previsto entre US$ 25 e US$ 26.

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A combinação ajuda a explicar por que a companhia decidiu privilegiar geração de valor em vez de simplesmente manter o maior volume possível de produção.

Minas já tem três operações afetadas em setembro

O caso de Ouro Preto não surgiu isoladamente.

No início de setembro, a Mineração Usiminas suspendeu temporariamente as atividades da planta de Samambaia, em Itatiaiuçu. A unidade representa aproximadamente 35% da produção mineral da companhia, segundo informações divulgadas naquele momento.

A empresa relacionou a decisão a condições externas desfavoráveis, incluindo a queda do preço do minério de ferro e o aumento do custo do frete marítimo.

Poucos dias depois, a Itaminas anunciou férias coletivas para cerca de 300 funcionários e a paralisação temporária de parte da operação em Sarzedo durante outubro.

O Moon BH mostrou naquele momento que o custo do transporte marítimo havia chegado a superar o próprio custo de extração de uma tonelada de minério para a companhia.

Agora, a entrada da CSN nesse movimento acrescenta uma diferença importante. A pressão deixou de aparecer somente em empresas de menor porte ou mais vulneráveis às oscilações do transporte internacional e chegou a uma das maiores exportadoras de minério do país.

Levantamento do Diário do Comércio também identificou as três companhias como operações mineiras que adotaram medidas diante da combinação entre preço do minério e encarecimento do frete.

O problema não é falta de minério

As três decisões ajudam a revelar uma situação pouco intuitiva para um estado cuja economia está profundamente ligada à mineração. O problema atual não é necessariamente a ausência de minério para extrair, mas quanto sobra depois de produzir o material e levá-lo até o comprador.

A distância entre Minas Gerais e os grandes mercados asiáticos torna o frete marítimo uma variável decisiva nessa conta. Quando o transporte sobe rapidamente sem um movimento equivalente no preço do minério, parte da produção perde competitividade.

Isso também ajuda a explicar por que projetos recentes no estado passaram a tratar logística e qualidade do minério como partes do mesmo investimento.

A Cedro, por exemplo, prepara uma expansão de R$ 3,5 bilhões em Mariana voltada para minério de maior teor e, paralelamente, desenvolve estruturas para ampliar sua capacidade de escoamento.

São estratégias empresariais diferentes, mas inseridas na mesma equação: não basta ampliar a capacidade da mina se o custo para fazer o produto chegar ao mercado consumir uma parcela excessiva de seu valor.

Corte da CSN mostra que setembro mudou o cenário

A redução da CSN não significa que os 6 milhões de toneladas retirados da projeção correspondam integralmente ao complexo de Pires. A revisão também considera a expectativa de menores compras de minério de terceiros nos próximos meses.

Também não há indicação de que a redução temporária em Ouro Preto seja definitiva. A própria companhia condicionou uma eventual reversão à melhora das margens.

Ainda assim, a sequência registrada em setembro cria um sinal relevante para a mineração mineira. Em menos de um mês, Usiminas, Itaminas e CSN ajustaram operações diante de um ambiente em que transportar minério ficou mais caro e manter determinados volumes deixou de ser necessariamente a decisão mais rentável.

Para Minas Gerais, o ponto de atenção passa a ser quanto tempo esse cenário vai durar. Se o frete recuar ou o minério recuperar valor, operações temporariamente suspensas podem voltar. Se a pressão permanecer, setembro de 2026 poderá marcar o momento em que três decisões empresariais distintas começaram a mostrar o mesmo problema econômico em diferentes pontos do setor.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.