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Após subir 380% na bolsa, CEO da Copasa diz o que esperar da privatização

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A Copasa volta ao centro das empresas mineiras da Bolsa com uma missão difícil: provar que a privatização não foi apenas o fim de uma novela política, mas o começo de uma nova fase de ganhos operacionais. As ações da companhia acumulam valorização próxima de 380% desde que as primeiras discussões sobre a desestatização ganharam força, em 2019. Em 2026, a alta já passa de 36%. Em 12 meses, o avanço supera 118%, segundo a CEO Marília Carvalho de Melo, em entrevista ao Seu Dinheiro.

“Eu não tenho dúvida de que temos muito espaço para valorização da companhia nos próximos anos. Os ganhos de eficiência de verdade virão daqui para frente”, disse ela ao site.

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Mesmo depois desse rali expressivo, a executiva defende que o mercado ainda não incorporou todo o potencial da empresa. A leitura dela é que a valorização até aqui refletiu, em grande parte, a expectativa pela desestatização. O que falta agora é a Copasa entregar eficiência, expansão e geração de caixa como empresa de controle privado. A privatização movimentou R$ 8,3 bilhões no lote principal, com ações precificadas a R$ 49,03.

A Equatorial virou investidora de referência, com 30% do capital, enquanto o Governo de Minas reduziu sua fatia para cerca de 5% e manteve uma golden share, com poder de veto em temas estratégicos.

As três frentes operacionais que a Copasa precisa atacar

A Copasa chega ao pós-privatização com três frentes colocadas no radar pela própria CEO: perdas de água, estrutura de pessoal e relação com fornecedores.

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A redução de perdas é a mais relevante. Água perdida na rede significa custo, desperdício e receita que deixa de entrar. Belo Horizonte aparece como área sensível por causa de redes antigas. Substituir tubulações, modernizar medição e atacar vazamentos pode melhorar resultado financeiro e qualidade do serviço ao mesmo tempo.

A segunda frente envolve pessoal. A companhia já vinha passando por reorganização interna, e um programa de demissão voluntária e incentivada deve ser apresentado aos novos controladores. Esse tipo de medida costuma agradar ao mercado quando reduz custos, mas exige cuidado para não afetar operação, manutenção e atendimento em uma empresa com presença em centenas de municípios.

A terceira frente está nos fornecedores. Sem as limitações típicas de empresa estatal, a Copasa espera contratar com mais velocidade, cobrar desempenho e substituir prestadores com menos restrições. Para o consumidor, esse talvez seja o ponto mais visível: qualidade de obras, prazo de atendimento, conserto de vazamentos e recomposição de vias.

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O que o mercado projeta e quais são os riscos

O mercado está dividido entre otimismo e cautela. Das sete recomendações compiladas pela Broadcast, quatro eram de compra e três neutras. O Santander trabalha com preço-alvo de R$ 71,53 e aposta em ganhos de produtividade com a entrada da Equatorial. O BTG retomou cobertura com preço-alvo de R$ 81 e recomendação de compra, enxergando potencial de valorização acima de 30% em relação às cotações recentes citadas na reportagem.

Nada disso elimina os riscos reais. Escassez hídrica, dificuldade de execução, mudanças regulatórias, atrasos em contratos municipais, pressão tarifária, resistência política e falhas de atendimento podem reduzir o entusiasmo dos investidores. A nova Copasa entra em uma fase em que discurso pesa menos do que entrega.

A disputa pelos contratos municipais

Há um problema institucional relevante no caminho. A Copasa precisa converter contratos municipais ao novo modelo após a privatização. Até setembro, a empresa tenta avançar nesse processo. Segundo a reportagem do Seu Dinheiro, 22 municípios já haviam renovado contratos, representando cerca de 30% da receita da companhia.

Esse número mostra como a disputa sai da Bolsa e chega às prefeituras. O saneamento é municipal. Cidades querem saber se a privatização trará obras, esgoto tratado, abastecimento regular e atendimento melhor. Também querem garantias sobre tarifa, contratos e investimentos. Para o acionista, contrato municipal é receita.

Para o prefeito, é serviço público. Para o consumidor, é água na torneira e esgoto tratado. Essa diferença de leitura deve acompanhar a nova Copasa pelos próximos anos.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.