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Copa do Mundo em BH em 2027 pode colocar Minas na vitrine do turismo

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A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 pode colocar Minas Gerais em uma vitrine turística que vai além do futebol. Belo Horizonte foi confirmada como uma das oito cidades-sede do torneio, com jogos no Mineirão, e terá a chance de receber torcedores, seleções, jornalistas, patrocinadores e visitantes em pleno período de férias de julho.

O torneio será disputado no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Além de Belo Horizonte, a competição terá sedes em Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Será a primeira Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul.

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Ainda não há tabela de jogos definida para o Mineirão, nem confirmação de quais seleções passarão por BH. Mesmo assim, a presença da capital mineira no mapa da FIFA já abre uma janela de planejamento para hotéis, bares, restaurantes, receptivos, guias, agências, companhias aéreas, transporte por aplicativo, comércio e destinos próximos.

A oportunidade está em transformar quem vier ao estádio em turista de Minas. O desafio será fazer isso com organização, mobilidade, segurança, comunicação bilíngue, integração regional e promoção mais clara dos atrativos do estado.

Minas precisa vender mais que o jogo no Mineirão

O Mineirão é a entidade central da Copa em Minas, mas não deve ser o único produto turístico. O visitante que chega para assistir a uma partida pode ficar dois, três ou quatro dias no estado. Nesse intervalo, Belo Horizonte precisa oferecer uma experiência completa: gastronomia, botecos, Mercado Central, Pampulha, Praça da Liberdade, Savassi, Lourdes, museus, vida noturna e circuitos culturais.

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O entorno também pesa. Inhotim, em Brumadinho, pode ser vendido como passeio de um dia. Ouro Preto, Mariana, Sabará, Congonhas, Serra do Cipó e Tiradentes podem entrar em roteiros para quem decidir prolongar a estadia. A força de Minas está justamente nessa combinação entre capital, história, comida, natureza e arte.

A Copa Feminina tem ainda uma vantagem de calendário. O torneio ocorre em junho e julho, período em que Minas costuma receber turistas atraídos pelo inverno, pelas cidades históricas, pela gastronomia, por pousadas no interior e por eventos culturais. Isso pode ajudar a distribuir fluxo para além de BH, desde que os roteiros estejam prontos antes da chegada dos visitantes.

Minas tem uma marca turística forte, mas muitas vezes fala para o próprio brasileiro. A Copa obriga o estado a se explicar para fora: o que visitar, onde comer, como chegar, quantos dias ficar, quais experiências são imperdíveis e como combinar futebol com viagem.

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Esse tipo de comunicação precisa começar cedo. O turista internacional não decide roteiro em cima da hora. Ele pesquisa voo, hospedagem, segurança, transporte e passeios meses antes.

Aeroporto, hotéis e mobilidade entram na conta

O BH Airport, em Confins, será uma das portas de entrada mais importantes. O terminal afirma ser o terceiro aeroporto do país em número de destinos e o segundo em voos domésticos, com mais de 70 rotas. Também informa que quadruplicou os voos internacionais em dois anos, ponto relevante para um evento global.

Mesmo assim, a operação da Copa exige mais que malha aérea. É preciso pensar no deslocamento entre Confins, hotéis, Mineirão, Pampulha, Centro, Savassi e regiões turísticas. O visitante estrangeiro precisa entender rapidamente como se mover. Sinalização, informação em inglês e espanhol, pontos de embarque, integração com transporte público e orientação em aplicativos devem ser tratados como parte da experiência.

O metrô de BH ainda não atende o Mineirão nem o aeroporto. Isso aumenta a dependência de ônibus especiais, táxis, aplicativos, transfers, fretamentos e operação viária em dias de jogo. O planejamento precisa considerar chegada e saída simultânea de torcedores, fluxo de imprensa, equipes, voluntários e moradores da cidade.

A rede hoteleira também terá papel decisivo. Grandes eventos costumam elevar ocupação e diária, mas o risco é o preço afastar parte do público. BH precisa aproveitar a Copa sem criar a sensação de abuso. Hotéis, plataformas de aluguel por temporada, hostels e pousadas próximas podem absorver perfis diferentes de visitante.

Para bares e restaurantes, a oportunidade é evidente. Belo Horizonte já vende a imagem de capital dos botecos e tem uma gastronomia em alta, com reconhecimento crescente fora do país. Mas cardápios, atendimento, meios de pagamento, horários e comunicação precisam conversar com visitantes que talvez estejam chegando pela primeira vez.

Copa pode gerar renda para pequenos negócios

Catamarã da Pampulha
Foto: PBH

O impacto mais interessante pode aparecer nos pequenos negócios. Taxistas, motoristas, guias, cozinheiros, bares, cafeterias, lojas de lembranças, produtores de queijo, cachaçarias, agências de passeio, artesãos, hostels e restaurantes de bairro podem ganhar com o fluxo extra.

A Copa Feminina também cria espaço para experiências ligadas ao futebol. Tours pelo Mineirão, memória de Cruzeiro e Atlético, bares de torcida, lojas oficiais, roteiros pela Pampulha e ações com futebol feminino podem virar produto turístico se forem organizados.

O comércio local precisa entender que turista não consome só ingresso. Compra comida, bebida, transporte, lembrança, farmácia, roupa, café, passeio e experiência. Em BH, isso pode beneficiar Mercado Central, Mercado Novo, Savassi, Lourdes, Pampulha, Santa Tereza, Floresta e Centro, além de cidades próximas.

A chance de geração de renda, porém, depende de coordenação. Não basta esperar que o turista chegue. O estado, a Prefeitura de BH, o setor privado e os circuitos turísticos precisam montar pacotes, mapas, rotas, campanhas e material multilíngue.

Também é uma oportunidade para o turismo liderado por mulheres. Como o torneio é feminino, Minas pode dar visibilidade a empreendedoras, chefs, guias, artistas, produtoras, atletas e projetos ligados ao esporte feminino. Isso cria uma narrativa mais coerente com o evento.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP. Tem experiência em jornalismo esportivo e de cidades e economia e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.