A navegação turística na Lagoa da Pampulha deixou de ser um experimento e entrou em sua fase mais consistente até agora. A Prefeitura de Belo Horizonte publicou, no último sábado (27), o edital de licitação para contratar a empresa responsável pela operação dos passeios pelos próximos 12 meses. A decisão marca a transição de um projeto-piloto, iniciado em dezembro de 2025. Agora, o serviço tem vigência mais longa e ambição declarada de se tornar permanente.
A mudança não é apenas de prazo. Segundo a PBH, a embarcação que vai operar nesta nova etapa terá capacidade de atendimento maior e mais conforto do que o catamarã Capivarã, usado desde o início do projeto. Além disso, o novo modelo também prevê estrutura de recepção aos visitantes. Ele inclui sistema de venda e gestão de ingressos e equipe de mediação ao longo do percurso. Esses elementos sugerem um salto de profissionalização em relação à operação anterior.
Do teste em dezembro à consolidação em junho
A trajetória até aqui ajuda a entender por que a prefeitura decidiu investir em continuidade. Os passeios começaram como projeto-piloto em 27 de dezembro de 2025, com o Capivarã, uma embarcação tipo catamarã com capacidade para 30 pessoas, entre passageiros, tripulação e guia de turismo. A proposta inicial era simples. O objetivo era testar a viabilidade de um passeio turístico gratuito navegando pelos principais monumentos do Conjunto Moderno da Pampulha, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade.
O resultado superou as expectativas iniciais. Em abril, quando o contrato passou pela primeira prorrogação, mais de 4,5 mil pessoas já tinham participado da experiência, em 191 viagens. Até a publicação do novo edital, esse número já tinha chegado a 7.252 passageiros atendidos. O índice médio de satisfação do público, medido pelo Observatório do Turismo de Belo Horizonte, ficou em 9,9 em uma escala de até 10. Houve nota igualmente alta para recomendação a amigos e familiares.
Esses números não vieram por acaso.
Estação seca testou viabilidade técnica do serviço
A primeira prorrogação, em abril, teve um motivo técnico específico: avaliar o desempenho da embarcação fora do período chuvoso. Os três primeiros meses de operação coincidiram com a estação mais úmida do ano, e a prefeitura queria entender como o serviço se comportaria durante a estiagem, tanto em termos de navegabilidade quanto de manutenção do barco. O custo dessa segunda fase, que rodou entre abril e julho, foi de R$ 759 mil.
Com a avaliação positiva também nesse novo cenário climático, a PBH decidiu pela consolidação definitiva. O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, descreveu a nova etapa como o resultado natural de um projeto que nasceu de forma planejada. Esse projeto foi testado e aprovado pelos usuários antes de avançar para uma fase mais robusta.
Passeio segue gratuito e percorre cartão-postal de BH

Apesar da reformulação operacional, o caráter gratuito do passeio deve ser mantido, seguindo o modelo adotado desde o início. O trajeto também segue o mesmo conceito. Ele inclui navegação pelos principais monumentos do Conjunto Moderno da Pampulha, com acompanhamento de guia de turismo trazendo informações históricas, culturais e ambientais sobre a região. O embarque acontece no Centro de Atendimento ao Turista Veveco, na avenida Otacílio Negrão de Lima.
O perfil do público também ajuda a justificar o investimento contínuo da prefeitura. A maior parte dos participantes é formada por moradores da própria Belo Horizonte, seguidos por visitantes da Região Metropolitana. Há também turistas vindos do interior de Minas Gerais, de outros estados e até de outros países. Entre os destaques mais citados pelos passageiros estão a navegação em si, as explicações do guia e a possibilidade de observar o conjunto arquitetônico da Pampulha sob uma perspectiva inédita, a partir da água.
O que muda para quem já conhece o Capivarã
Para o morador acostumado a acompanhar o projeto desde o início, a principal mudança prática deve ser sentida na estrutura do atendimento. A nova embarcação, ainda sem nome ou modelo confirmados publicamente, promete maior capacidade de passageiros e um sistema de gestão de ingressos mais robusto que o atual. Hoje, a gestão é feita pela plataforma Sympla com limite de dois ingressos por CPF e nove passeios diários distribuídos em três saídas.
Com o novo edital em fase de concorrência, o cronograma de transição entre o Capivarã e a embarcação vencedora da licitação ainda não foi detalhado pela Belotur. O que já está definido é o horizonte do contrato. Serão 12 meses de operação, tempo suficiente para a prefeitura tratar a navegação na Lagoa da Pampulha não mais como experimento, mas como peça fixa do roteiro turístico da capital mineira.





