O título de “Campos do Jordão mineira” ficou no passado. O distrito de Monte Verde, em Camanducaia, acaba de assumir o protagonismo absoluto no turismo de clima frio do país. Eleito o melhor destino de inverno do Brasil em 2026 pelo prêmio O Melhor do Turismo Brasileiro (promovido pelo Viagem Estadão), o reduto no Sul de Minas superou de forma inédita dois gigantes hegemônicos do setor: Gramado (RS), que ficou em segundo lugar, e a própria Campos do Jordão (SP), que amargou a terceira posição.
A vitória quebra uma barreira histórica no imaginário nacional. O frio de alto padrão, antes quase que exclusivamente associado às serras paulista e gaúcha, agora tem Minas Gerais como sua principal vitrine.
O raio-X do topo: Alta gastronomia e logística de proximidade
A consolidação de Monte Verde no topo não é um acidente geográfico. O distrito construiu um ecossistema que une clima rigoroso na Serra da Mantiqueira, arquitetura de montanha e um polo de pousadas de charme com forte apelo romântico.
Em levantamento do Moon BH com base nos dados do ranking oficial do Viagem Estadão, fica claro que o distrito desbancou seus rivais históricos ao conseguir equilibrar sua identidade serrana própria com uma vantagem logística brutal. Localizado a uma curta distância da capital paulista e de grandes centros emissores do Sudeste, o destino absorveu o fluxo do turismo de viagens curtas rodoviárias (o short break), sem perder a exclusividade e a experiência de natureza.
O próprio município de Campos do Jordão reconheceu publicamente a nova configuração do “top 3” da categoria, sinalizando uma redistribuição de atenção e fluxo financeiro no mercado, e não necessariamente uma decadência paulista.
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O impacto bilionário do frio na economia de Minas
A conquista de Monte Verde é a ponta de lança de uma estratégia muito maior para o estado. O turismo de inverno atrai o perfil de viajante mais cobiçado do mercado: aquele com ticket médio elevado. Em destinos de montanha, o turista consome mais em hospedagem de luxo, alta gastronomia, experiências e comércio local, espalhando renda de forma capilarizada.
Nossa equipe mapeou o fluxo de viajantes no estado e, segundo o cruzamento de dados feito pelo Moon BH com as projeções do Observatório do Turismo de Minas Gerais, a temporada de inverno mobiliza números estratosféricos. Em 2025, a campanha estadual envolveu mais de 300 cidades (focando nos territórios da Mantiqueira, Caparaó e Espinhaço), com a expectativa de injetar 7 milhões de turistas na economia local na estação — sendo 4 milhões apenas no período das férias de julho.
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O próximo desafio do mercado mineiro
O prêmio de 2026 entrega a Minas Gerais a oportunidade de ouro para reposicionar definitivamente a sua marca nacional e internacionalmente.
O desafio comercial a partir de agora é converter a badalação do selo “número 1 do Brasil” em fluxo contínuo, aumentar a média de permanência do turista na rede hoteleira e utilizar Monte Verde como uma âncora para escoar visitantes para outros destinos de frio do estado. No imaginário do viajante brasileiro de 2026, Minas não corre mais atrás da concorrência; agora, é o reduto a ser batido.