O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dedicou parte de seu discurso da vitória neste domingo (25) para destacar o papel estratégico do deputado federal mineiro André Janones (Rede) em sua campanha. Diante de apoiadores, Lula chamou o parlamentar de “general” e atribuiu a ele a responsabilidade por manter o engajamento da militância na dura reta final contra Flávio Bolsonaro (PL). “Eu quero agradecer ao nosso companheiro Janones, o nosso general, que todo dia levantou a moral da nossa tropa”, declarou o presidente.
O avanço do “Exército do Lula”
O reconhecimento público sela a mudança de status de Janones na campanha de 2026. Após permanecer distante do núcleo central de comunicação durante todo o primeiro turno, o parlamentar assumiu a dianteira da guerrilha digital no dia seguinte à primeira votação, inconformado com a desvantagem inicial nas urnas.
Sem aguardar a reestruturação da coordenação petista, o deputado transformou um de seus canais no WhatsApp no chamado “Exército do Lula”. A plataforma explodiu em engajamento: saltou de pouco mais de 2 milhões de inscritos nos primeiros dias do segundo turno para quase 11 milhões de participantes na semana decisiva. Pelo canal, Janones distribuía “missões” diárias de engajamento, exigia comunicação sem filtros e comandou ações coordenadas de impacto, como a convocação do dia 17 de outubro, na qual eleitores e artistas inundaram as redes com fotos vestindo verde e amarelo e fazendo o “L”.
De coadjuvante a estrategista da reta final
A patente de “general” citada no discurso já vinha sendo consolidada pelo próprio presidente. Em 19 de outubro, quando Janones foi internado após apresentar um quadro de arritmia cardíaca, Lula enviou uma mensagem pública de apoio dizendo: “Vamos lá, meu general. Vamos lá ativar o nosso exército”. A parceria culminou na “Live da Virada”, uma transmissão ininterrupta na véspera da eleição, comandada pelo deputado, que teve a participação de Lula na madrugada de sábado (24), logo após o término do debate da TV Globo.
O embate no Tribunal Superior Eleitoral
O poder de fogo da estrutura gerida pelo mineiro transformou o canal no principal alvo jurídico da oposição. A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigindo o bloqueio do “Exército do Lula”, alegando que o ambiente era utilizado para a disseminação estruturada de conteúdos desinformativos.
A plataforma chegou a ser suspensa provisoriamente por determinação do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Um laudo técnico anexado ao processo, focado nas mensagens de 2 a 11 de outubro, não identificou as desinformações específicas apontadas na denúncia, mas destacou que a exclusão prévia de postagens limitava a auditoria — o próprio Janones admitiu ter apagado cerca de 500 publicações. Após um vaivém de decisões na Corte, o canal acabou sendo incorporado e registrado oficialmente como ferramenta jurídica da chapa de Lula.


