O senador Flávio Bolsonaro (PL) venceu a eleição presidencial em Belo Horizonte neste domingo (25), mas não conseguiu frear a arrancada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no conjunto do estado. A capital mineira voltou a registrar um comportamento eleitoral divergente da média de Minas Gerais, repetindo o exato fenômeno ocorrido no pleito presidencial de 2022.
Com a apuração consolidada, Flávio fechou a disputa em Belo Horizonte com 50,8% dos votos válidos, contra 49,2% de Lula. O cenário estadual, contudo, inverteu-se no segundo turno. No quadro geral de Minas Gerais, Lula alcançou 50,39% (cerca de 6,33 milhões de votos), enquanto Flávio registrou 49,61% (aproximadamente 6,23 milhões de votos).
A vitória estadual marca uma expressiva recuperação do petista. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia vencido em Minas Gerais com uma frente confortável de 588.612 votos de diferença.
A redução da margem em Belo Horizonte
Embora Flávio Bolsonaro tenha garantido o maior colégio eleitoral do estado, o segundo turno mostrou um avanço proporcional de Lula na capital. Na primeira rodada, o candidato do PL havia superado o petista por uma margem de 6,91 pontos percentuais (quase 99 mil votos). Neste domingo, a distância despencou para cerca de 1,6 ponto percentual.
A capital foi tratada como território estratégico nas últimas semanas de campanha. Flávio realizou seu grande ato de encerramento em BH ao lado de cabos eleitorais de peso, como o governador Romeu Zema, o governador paulista Tarcísio de Freitas, o governador eleito Cleitinho Azevedo e o deputado Nikolas Ferreira. Lula também intensificou as agendas na cidade, conseguindo absorver uma fatia maior dos votos que estavam diluídos entre outros candidatos no primeiro turno.
O desempenho de Flávio na capital, no entanto, foi proporcionalmente menor que o de seu pai. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula em Belo Horizonte com uma folga de 8,5 pontos percentuais (54,25% a 45,75%), margem que agora encolheu drasticamente.
O peso do interior na virada estadual
A chave para a virada de Lula esteve na pulverização demográfica de Minas Gerais. Flávio Bolsonaro começou o segundo turno embalado por ter vencido em nove dos dez maiores colégios eleitorais do estado (como Uberlândia, Contagem, Betim e Montes Claros), com Lula liderando apenas em Juiz de Fora nesse extrato.
A vantagem territorial do PT, contudo, mostrou sua força na rodada decisiva. Enquanto o PL concentrou sua votação nos grandes centros urbanos, o presidente manteve o domínio em 452 dos 853 municípios mineiros, com votações maciças em cidades menores, especialmente nas regiões do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha.
Essa capilaridade no interior foi a base matemática que permitiu a Lula compensar a derrota em Belo Horizonte, anular a desvantagem de quase 589 mil votos do primeiro turno e assegurar a vitória no estado que tradicionalmente decide as eleições presidenciais brasileiras.


