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Lula vira em Minas, garante reeleição e mantém tradição histórica desde 1989

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reverteu o placar eleitoral em Minas Gerais neste domingo (25) e preservou a mais célebre máxima da política nacional: desde a redemocratização, quem vence a disputa presidencial entre os mineiros conquista o Palácio do Planalto. A consolidação do inédito quarto mandato de Lula foi acompanhada por uma virada estadual de peso, após o petista sair em desvantagem na primeira etapa da votação.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) havia imposto uma frente expressiva no estado. O candidato da direita obteve 48,24% dos votos válidos (5.777.548 votos), contra 43,33% de Lula (5.188.936). A diferença, que bateu na casa dos 588 mil votos, obrigou o quartel-general petista a transformar os 853 municípios mineiros na prioridade absoluta da campanha na rodada final, focando na recuperação de eleitores abstencionistas e indecisos.

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A décima vitória consecutiva do “oráculo” mineiro

A fama de Minas Gerais como “espelho do Brasil” não é um mero mito político, mas uma estatística cravada nas urnas. Desde 1989, na primeira eleição direta após a ditadura militar, nenhum candidato chegou à Presidência da República sendo derrotado no estado no turno decisivo.

Sem exceções na Nova República, o eleitorado mineiro escolheu para a presidência Fernando Collor (1989), Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998), Lula (2002, 2006, 2022 e agora 2026), Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Jair Bolsonaro (2018). Em uma perspectiva histórica mais ampla, levantamentos apontam que o último presidente eleito no Brasil sem vencer em território mineiro foi Getúlio Vargas, na longínqua eleição de 1950.

A mística foi explorada até o último minuto pela oposição. Na sexta-feira (23) que antecedeu o segundo turno, Flávio Bolsonaro encerrou sua campanha em Belo Horizonte ao lado do governador eleito Cleitinho Azevedo e do deputado Nikolas Ferreira, apostando justamente na manutenção da tradição para tentar blindar sua vantagem inicial. A mobilização, porém, não conteve a arrancada governista.

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A síntese demográfica do Brasil

A proximidade histórica dos percentuais mineiros com a média nacional (em 2022, Lula teve 50,20% no estado e 50,90% no Brasil) encontra explicação na demografia e na geografia. Com mais de 16 milhões de eleitores aptos (o segundo maior colégio eleitoral do país), Minas Gerais funciona como uma miniatura do mapa nacional.

O estado abriga um microcosmo socioeconômico:

  • O Norte e os Vales (Jequitinhonha e Mucuri) apresentam dinâmicas de votação frequentemente alinhadas às do Nordeste brasileiro.
  • O Sul de Minas e o Triângulo Mineiro possuem forte presença do agronegócio e laços econômicos com São Paulo e o Centro-Oeste, refletindo um perfil de voto mais conservador.
  • A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) concentra o forte peso do voto urbano e industrial.

É essa diversidade interna, frequentemente descrita por cientistas políticos como uma “síntese do Brasil”, que garante ao estado a precisão matemática de reproduzir os humores do país. E que, após uma virada de quase 590 mil votos, cravou novamente o nome do vencedor no Planalto.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.