A CEO e copresidente da Sigma Lithium, Ana Cristina Cabral, doou R$ 100 mil à campanha de Mateus Simões (PSD) ao Governo de Minas Gerais. O dinheiro entrou na conta eleitoral do atual governador em 1º de setembro, por Pix, conforme dados da prestação de contas eleitoral analisados pelo Moon BH.
O repasse ocorreu 11 dias depois de a Sigma anunciar a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Estado de Minas Gerais, acordo que permitiu à mineradora retomar integralmente suas operações no Vale do Jequitinhonha após uma suspensão parcial determinada pela fiscalização ambiental estadual.
Três dias depois, na última sexta-feira, 4, a Justiça Federal, em uma ação movida pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, determinou a suspensão das atividades da mineradora.
R$ 100 mil colocam CEO entre grandes doadores de Simões
Até a última atualização dos dados eleitorais, a campanha de Mateus Simões havia declarado R$ 9.854.100 em receitas. Cerca de R$ 8 milhões, ou 81,2%, vieram de partidos, enquanto R$ 1.854.100 foram doados diretamente por pessoas físicas.
Nesse universo, os R$ 100 mil de Ana Cabral representam aproximadamente 5,4% de todo o dinheiro arrecadado diretamente com pessoas físicas e pouco mais de 1% da receita total da candidatura. O registro eleitoral mostra que o pagamento de Ana foi feito em parcela única, no dia 1º de setembro. Mateus Simões foi o único candidato que recebeu recursos da CEO, até o momento.
Procuramos a assessoria de imprensa de Simões, mas não tivemos resposta.
Sigma havia acabado de fechar acordo ambiental com o Estado
Em julho, a empresa informou que uma fiscalização ambiental estadual havia resultado em multas de aproximadamente US$ 540 mil e na suspensão parcial de atividades. A companhia contestou as principais acusações, afirmou não ter cometido irregularidades e iniciou negociações de um TAC com o Estado.
Segundo os documentos apresentados pela Sigma a investidores, o acordo também previa cerca de US$ 1 milhão em investimentos para adequações ambientais.
Em 21 de agosto, a companhia anunciou que o TAC havia sido assinado e que suas atividades minerárias e industriais estavam integralmente retomadas. A Sigma projetou produzir 240 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio nos 12 meses seguintes.
Simões participou diretamente da construção do Vale do Lítio
A relação política de Mateus Simões com a agenda do lítio também antecede sua chegada ao Palácio Tiradentes. Quando ainda era vice-governador, Simões pediu em outubro de 2023 a ampliação do escopo do projeto Vale do Lítio para incluir uma estratégia mais ampla de desenvolvimento regional.


