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Instituto Veritá muda parâmetros 3 vezes em Minas e não cita critério de ponderação

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Exclusivo: o Instituto Veritá registrou uma nova pesquisa eleitoral em Minas Gerais, com divulgação prevista para 11 de setembro. Ao comparar os critérios metodológicos adotados pelo instituto em três levantamentos consecutivos — maio, agosto e setembro —, o Moon BH identificou mudanças relevantes na composição estatística usada como referência para escolaridade, renda e ponderação da amostra.

O tema é técnico, mas pode ser explicado de forma simples. Pesquisas eleitorais trabalham com parâmetros que buscam reproduzir, em uma amostra reduzida, características do universo pesquisado. Se, por exemplo, uma população fosse composta por 55% de mulheres e 45% de homens, uma pesquisa com 1.000 entrevistas tentaria se aproximar de 550 mulheres e 450 homens. Quando a coleta não alcança essas proporções, os institutos podem aplicar ponderação para corrigir o desequilíbrio.

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O mesmo princípio vale para outras características, como idade, escolaridade e renda. A amostra é organizada para que esses grupos tenham participação compatível com os parâmetros escolhidos pelo instituto. É justamente nesse ponto que aparecem as maiores diferenças entre as três pesquisas do Veritá em Minas.

Na pesquisa divulgada em 1º de maio, o instituto trabalhava com duas grandes faixas de escolaridade: 64,1% de pessoas com até o ensino médio completo e 35,9% com ensino superior incompleto ou completo.

Na pesquisa divulgada em 24 de agosto, o Veritá passou a adotar uma classificação mais detalhada, posteriormente agrupada em três grandes faixas: até o ensino fundamental completo, ensino médio incompleto ou completo e ensino superior incompleto ou completo. O mesmo modelo aparece no levantamento previsto para divulgação em 11 de setembro.

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  • Até o ensino médio completo
  • Maio: 64,1%
  • Agosto: 76,7%
  • Setembro: 78,4%
  • (+14,3 pp maio→set)
  • Até o ensino superior completo
  • Maio: 35,9%
  • Agosto: 23,3%
  • Setembro: 21,6%
  • (−14,3 pp maio→set)

Em uma amostra hipotética de 1.000 pessoas, isso equivaleria a uma mudança de referência da ordem de 143 entrevistas estatísticas entre os dois grupos. Também há variação quando comparamos a renda:

  • Ganha até 2 salários mínimos
  • Maio: 30,7%
  • Setembro: 38,5%
  • (+7,8 pp)
  • Ganha entre 2 a 5 salários mínimos
  • Maio: 44,2%
  • Setembro: 41,1%
  • (−3,1 pp)
  • Ganha acima de 5 salários mínimos
  • Maio: 25,1%
  • Setembro: 20,4%
  • (−4,7 pp)

O Veritá passou a adotar, em setembro, parâmetros de referência com maior participação das faixas de menor renda e menor participação das faixas de maior renda e escolaridade do que utilizava em maio.

Isso exige cautela ao comparar diretamente as três rodadas. Parte de uma eventual alta ou queda pode decorrer de mudança real na preferência eleitoral, mas parte também pode ser influenciada pela alteração na composição estatística usada como referência pelo próprio instituto.

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Proporcionalidade da amostra e ponderação

O instituto também informa que as cotas de sexo, idade, escolaridade e renda precisam ser alcançadas no conjunto da pesquisa, e não individualmente em cada município. Significa que determinado município pode ter proporcionalmente mais homens, mulheres, jovens ou idosos entrevistados que outro, desde que a composição estadual final alcance os parâmetros estabelecidos.

Em um exemplo hipotético, as 550 mulheres de uma amostra de mil entrevistas não precisariam estar distribuídas proporcionalmente da mesma maneira dentro de todas as cidades pesquisadas. É possível que sejam entrevistadas, proporcionalmente, mais mulheres em Belo Horizonte do que em Ouro Preto e que no final a proporção seja equacionada a nível estadual.

Por fim, também chama atenção a ponderação. Nem sempre a coleta termina exatamente na proporção prevista. Imagine que dentre as 1.000 respostas, o instituto obtenha 600 respostas de mulheres e outras 400 de homens. Há um desequilíbrio. Então o instituto aplica uma fórmula matemática para corrigir esse desequilíbrio. Como as mulheres deveriam representar 55% da amostra, mas acabaram representando 60%, cada resposta feminina receberia um peso menor. Já os homens, que deveriam representar 45% mas ficaram em apenas 40%, receberiam um peso maior.

Neste exemplo, cada resposta de uma mulher passaria a valer aproximadamente 0,92, enquanto cada resposta de um homem passaria a valer 1,125. A conta seria:

  • Mulheres: 550 ÷ 600 = 0,917
  • Homens: 450 ÷ 400 = 1,125

Assim, as 600 respostas femininas, depois da ponderação, equivaleriam estatisticamente a aproximadamente 550 entrevistas. As 400 respostas masculinas passariam a equivaler a 450. Na prática, portanto, nem todas as respostas teriam exatamente o mesmo peso no resultado final. Isso não significa alterar nenhuma resposta. Significa alterar quanto cada resposta contribui para o resultado agregado. Isso é normal.

O que nos chamou atenção é o fator de ponderação. Enquanto em maio o Veritá trazia que a ponderação aconteceria quando houvesse “diferença acima da margem de erro”, em setembro o critério é “diferenças relevantes”. A redação de maio oferecia ao leitor um parâmetro quantitativo para saber quando a correção seria acionada.

Essas mudanças não demonstram, isoladamente, erro ou manipulação. As pesquisas utilizam fontes e referências estatísticas que podem ser atualizadas. Mas tornam necessária cautela na comparação direta das rodadas: uma diferença entre os resultados pode refletir mudança real na intenção de voto, alteração metodológica ou uma combinação das duas coisas.

  • Pesquisas analisadas:
  • MG-05613/2026 Data de registro: 25/04/2026
  • MG-09980/2026 Data de registro: 18/08/2026
  • MG-09918/2026 Data de registro: 05/09/2026

O Moon BH entrou em contato com o Veritá, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto caso o instituo queira comentar.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.