O instituto de pesquisas Datafolha incluiu em sua nova rodada de entrevistas perguntas diretas sobre a crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal. Um questionário que será aplicado, analisado pelo Moon BH, revela que a empresa vai medir o nível de conhecimento da população sobre as investigações recentes e testar o apoio popular a um eventual processo de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
O levantamento busca entender se os escândalos jurídicos possuem força suficiente para alterar a intenção de voto na corrida presidencial que se aproxima.
A estrutura metodológica da pesquisa dedica um bloco específico ao caso envolvendo o antigo controlador do Banco Master. Os pesquisadores vão questionar se o entrevistado tomou conhecimento do vazamento de informações da Polícia Federal contendo mensagens enviadas em 2025 pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.
O texto da pergunta destaca que o contato ocorreu quando a investigação sobre a instituição financeira já era de amplo conhecimento do público. A partir dessa premissa, o eleitor precisará classificar seu nível de informação sobre o assunto antes de opinar sobre o destino da autoridade.
Alexandre de Moraes e André Mendonça devem sofrer impeachment?
O formulário oferece diferentes caminhos para avaliar o futuro de Alexandre de Moraes. O entrevistado pode responder que nada deve acontecer, justificando a posição com o argumento de que não há irregularidades nas mensagens ou que o vazamento das conversas da investigação foi ilegal. Nas alternativas mais severas, o cidadão pode defender que o ministro se afaste temporariamente do cargo durante as apurações, que renuncie à sua cadeira na corte ou que sofra um processo formal de impeachment conduzido pelo Senado Federal.
Imediatamente após essa escolha, o Datafolha testa o impacto eleitoral da crise, perguntando se a revelação das conversas fez o eleitor mudar de ideia sobre o seu voto para presidente da República.
A pesquisa também mergulha profundamente no outro lado da crise interna do tribunal. O questionário mede o conhecimento do eleitor sobre o pedido feito pelo próprio Alexandre de Moraes para que o ministro André Mendonça seja formalmente investigado.
A pergunta contextualiza a suspeita de que Mendonça teria conduzido tratativas irregulares de delações premiadas, direcionando alvos da Justiça por motivos estritamente pessoais e políticos. O instituto repete a dinâmica e pede que o eleitor avalie o grau de informação que possui sobre essa segunda frente de atrito no Judiciário.
Assim como no caso anterior, o Datafolha apresenta um cartão com opções de consequências diretas para André Mendonça. As alternativas variam entre a absolvição sumária, alegando não haver nada de errado nas ações do ministro, até medidas drásticas como o afastamento temporário, a renúncia ou a abertura de um processo de impeachment.
O bloco é encerrado com a mesma pergunta sobre o reflexo desse escândalo na decisão presidencial. A inclusão desses temas no levantamento oficial indica que os desdobramentos da operação sobre o Banco Master e a guerra de acusações dentro do STF se tornaram variáveis centrais para medir o clima político do eleitorado nesta reta final.


