O debate entre os candidatos ao Governo de Minas Gerais, organizado em parceria pelo jornal O Tempo e pela Rede 98, não vai mais acontecer. O encontro estava marcado para a próxima terça feira, dia 8 de setembro, mas foi cancelado oficialmente após uma baixa adesão das campanhas. A decisão dos organizadores ocorre de maneira abrupta, apenas dois dias depois do anúncio público do evento.
A organização previa inicialmente a participação de Alexandre Kalil, Flávio Roscoe, Gabriel Azevedo, Mateus Simões e Patrus Ananias. O formato de uma hora e meia de duração contaria com a mediação dos jornalistas Cynthia Castro e Paulo Leite, transmitido exclusivamente pela internet direto do auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas, no centro de Belo Horizonte.
O roteiro desenhado incluía quatro blocos distintos, intercalando embates diretos e perguntas de eleitores. Toda essa estrutura foi desmobilizada quando as assessorias começaram a recuar.
O esvaziamento dos estúdios e o cálculo de risco
O episódio adiciona um capítulo inusitado a uma corrida eleitoral marcada pela dificuldade das emissoras em colocar os principais concorrentes frente a frente. O senador Cleitinho Azevedo, atual líder nas pesquisas, já havia comunicado com antecedência que não compareceria.
Ele adotou a estratégia de priorizar viagens pelo interior e o contato direto com os eleitores, prometendo retornar aos estúdios apenas no último confronto televisivo da temporada.
A tática do primeiro colocado possui uma base matemática clara. O último levantamento divulgado pelo instituto DataTempo mostra Cleitinho com 35,5 por cento das intenções de voto, ostentando uma vantagem folgada sobre Patrus, com 11,1 por cento, e Kalil, com 11 por cento. Para quem domina o cenário, comparecer a um debate significa assumir o papel de alvo de todos os adversários. O problema atual é que a estratégia de fuga não ficou restrita ao líder, inviabilizando a transmissão conjunta.
O fenômeno do esvaziamento tem se repetido nas últimas semanas em Minas Gerais. No final de agosto, um evento organizado pela TV Horizonte terminou de forma melancólica apenas com a presença de Gabriel Azevedo, forçando a produção a transformar o espaço em uma sabatina isolada.
Dias depois, um novo encontro promovido pela TMC reuniu somente três postulantes. Os candidatos mais bem posicionados calculam rigorosamente se o ganho de exposição compensa o risco de sofrer ataques fora do ambiente controlado de suas redes sociais.
Regras eleitorais e o impacto no voto
A debandada não obrigava os veículos a cancelarem a transmissão. A legislação eleitoral autoriza a realização de debates mesmo com cadeiras vazias, exigindo apenas a comprovação de que os convites foram formalizados com pelo menos 72 horas de antecedência. A suspensão foi uma escolha puramente editorial e operacional das empresas de comunicação.
Para compensar a falta do confronto, os veículos ampliaram o espaço para entrevistas. O Tempo confirmou uma série de sabatinas para a segunda quinzena de setembro. A Rede 98 também iniciou rodadas de conversas isoladas em seus programas diários, já recebendo nomes como Kalil e Gabriel Azevedo ao longo desta semana.
Faltando menos de um mês para o primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro, as pesquisas mostram uma disputa aberta pela segunda vaga. O cancelamento tira do eleitor a chance de comparar as propostas sob pressão real.
A eleição mineira consolida uma dinâmica muito particular em 2026: sobra propaganda bem produzida e abundam sabatinas confortáveis, mas falta disposição política para encarar os adversários no mesmo palco.


