A campanha de Áurea Carolina (PSOL) ao Senado por Minas Gerais recebeu R$ 140 mil de Beatriz Sawaya Botelho Bracher, escritora e integrante de uma das famílias mais conhecidas do mercado financeiro brasileiro. O repasse foi registrado em 3 de setembro e se tornou, de longe, a maior doação direta de uma pessoa física à candidata até agora.
Beatriz é filha de Fernão Bracher, fundador do banco BBA, instituição adquirida pelo Itaú em 2002 e que deu origem ao atual Itaú BBA. Ela também é irmã de Cândido Bracher, que comandou o Itaú Unibanco como CEO entre 2017 e 2021 e permanece ligado ao grupo como integrante do Conselho de Administração.
Além da ligação familiar com o setor bancário, registros empresariais mostram Beatriz como sócia da Luar de Agosto Incorporadora e Construtora Ltda., empresa paulista ativa nas áreas de incorporação imobiliária e construção de edifícios.
A herança bancária e os negócios imobiliários
O banqueiro Fernão Bracher, responsável pela fundação do banco BBA no final da década de oitenta. A instituição foi posteriormente adquirida pelo Itaú, em um negócio que deu origem ao gigante corporativo Itaú BBA.
A relação do clã com o conglomerado bancário se manteve ativa por meio de Cândido Bracher, irmão da escritora, que ocupou a cadeira de presidente executivo do Itaú Unibanco entre os anos de 2017 e 2021.
Além do vínculo herdado no setor financeiro, os registros comerciais apontam a doadora como sócia da Luar de Agosto Incorporadora e Construtora, uma empresa paulista ativa no segmento de edificações.
A legislação eleitoral em vigor proíbe qualquer financiamento político corporativo. Como consequência, empresários e herdeiros precisam utilizar recursos próprios, atrelados aos seus registros físicos, para apoiar candidaturas sem infringir a lei.
Um histórico milionário de financiamento político
O repasse feito para a candidata do PSOL em Minas Gerais não é um movimento político isolado da herdeira. Um levantamento consolidado pelo projeto 72Horas, baseado nas declarações prestadas ao Tribunal Superior Eleitoral, revela que a escritora já distribuiu 845 mil reais entre quatorze candidaturas diferentes nas eleições de 2026.
A carteira diversificada de doações contempla políticos filiados ao PT, MDB, Rede, PSB e PSOL, colocando Beatriz na décima quarta posição entre os maiores financiadores privados do país na atual temporada. A ministra Marina Silva, por exemplo, recebeu 150 mil reais na mesma data do depósito feito para a chapa mineira.
A atuação como mecenas eleitoral acompanha a escritora há alguns ciclos políticos. Em pleitos anteriores, ela destinou recursos vultosos para a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva e para a corrida de Tabata Amaral à prefeitura de São Paulo. As regras da Justiça Eleitoral permitem essas movimentações financeiras desde que o doador respeite o limite legal de dez por cento dos seus rendimentos brutos declarados no ano anterior.
Para o projeto de Áurea Carolina, a quantia injetada evidencia um cenário particular: quase a totalidade do financiamento privado está concentrada nas mãos de uma única financiadora, enquanto a estrutura geral da campanha segue dependendo quase exclusivamente da verba pública partidária.


