A sinalização inicial de Aécio Neves (PSDB) de que poderia se afastar da disputa pelas duas vagas ao Congresso provocou um fenômeno incomum: em vez de os seus votos migrarem para outros candidatos, o eleitorado simplesmente cruzou os braços. A leitura atenta da última pesquisa Quaest pelo Moon BH forneceu ao tucano o argumento perfeito para repensar sua estratégia e ensaiar um retorno ao tabuleiro.
Quando Aécio figurava no cenário principal da pesquisa de julho, ele detinha consolidados 16% das intenções de voto. A expectativa natural do mercado político era que, com sua saída, candidatos de perfil semelhante, como Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL) ou Marcelo Aro (PP), herdassem essa fatia generosa.
Os números de agosto, no entanto, revelaram um “apagão” de herdeiros. Sem o tucano, todo os candidatos perderam percentuais. O espólio eleitoral de Aécio não encontrou destino nas candidaturas ativas. O resultado direto foi uma explosão na taxa de indecisos, brancos e nulos, que saltou vertiginosamente de 34% para assombrosos 52%.
Ou seja, os eleitores tucanos não migraram automaticamente para a concorrência. Eles ficaram indecisos, o que pode ter mostrado certa fidelidade ao ex-governador.
A explosão de brancos, nulos e indecisos
O capital político deixado por Aécio (que pontuava 16% no cenário principal de julho) e por Eros Biondini (8%) não encontrou um herdeiro direto. O reflexo imediato foi um salto expressivo no número de eleitores que não escolhem nenhum dos nomes apresentados:
- Julho (cenário sem Aécio): Indecisos (17%) + Brancos/Nulos/Não votarão (17%) = 34%
- Agosto (cenário atual): Indecisos (31%) + Brancos/Nulos/Não votarão (21%) = 52%
Mais da metade do eleitorado mineiro forma hoje o maior “bloco” da corrida ao Senado. Essa indefinição ganha peso redobrado porque, em 2026, Minas Gerais elegerá dois senadores. Ao separar as escolhas, a Quaest mostra que 34% dos entrevistados ainda não fazem ideia de quem receberá o seu segundo voto.
Paradoxo: eleitorado menor, porém mais convicto
A pesquisa trouxe à tona uma mudança qualitativa importante. Embora o contingente de pessoas sem candidato tenha crescido drasticamente, os eleitores que já fizeram uma escolha estão ficando mais firmes nela:
- Em julho, 64% admitiam mudar de voto até a eleição, contra apenas 35% de votos definitivos.
- Em agosto, 48% afirmam que a escolha atual é definitiva, enquanto 52% dizem que ainda podem mudar.
A rodada atual ouviu 1.506 mineiros entre 21 e 24 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrada como MG-04060/2026. A pesquisa anterior entrevistou 1.482 pessoas entre 22 e 26 de julho, também com margem de três pontos e seu registro é MG-03490/2026.


