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Cleitinho diz que vai diminuir IPVA, mas que mineradoras oferecem dinheiro para desistir

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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) elevou o tom contra mineradoras e disse, em discurso no Senado nesta terça-feira (7/7), que um político de Divinópolis o procurou para levar um recado com oferta de dinheiro para que ele desistisse de uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais. O parlamentar não citou o nome do político, não identificou empresas.

A fala ocorreu no mesmo pronunciamento em que Cleitinho disse que pretende compensar uma eventual redução do IPVA em Minas com maior cobrança sobre mineradoras. Em seguida, acusou o setor de “pagar propina para político”, sem apresentar nomes ou documentos durante o discurso. Pela versão taquigráfica do Senado, a frase sobre a oferta foi registrada como dinheiro para que ele “desistisse”, e não exatamente para que ele “se calasse”.

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O episódio tem impacto político porque Cleitinho aparece como favorito nas pesquisas para o governo de Minas e ainda não confirmou oficialmente se será candidato. O senador, natural de Divinópolis, tem mandato até 2031 e aparece no perfil oficial do Senado como representante de Minas pelo Republicanos.

O que Cleitinho disse no Senado

No discurso, Cleitinho afirmou que mineradoras estariam “loucas” para saber se ele será candidato ao governo de Minas. Disse também que, caso chegue ao Palácio Tiradentes, pretende reduzir a alíquota do IPVA e compensar parte da perda de receita cobrando mais do setor mineral.

Depois dessa crítica, o senador relatou um encontro que teria ocorrido na semana anterior. Segundo ele, um político de sua cidade o procurou dizendo que precisava falar pessoalmente. Cleitinho afirmou que, ao chegar a Divinópolis, encontrou o interlocutor enquanto estava em um estabelecimento no bairro São José. O político, ainda de acordo com o senador, teria pedido para ele entrar no carro e aumentado o som antes de transmitir o recado.

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Na versão registrada oficialmente, Cleitinho disse que ouviu do interlocutor: “Eles estão te oferecendo dinheiro para ver se você desiste”. Em resposta, afirmou ter mandado o recado de que não desistiria. O senador também disse que sua política “nunca esteve à venda” e que caberia ao povo decidir o futuro de Minas caso ele mantenha liderança nas pesquisas até agosto.

A fala precisa ser lida com cautela. Cleitinho fez uma acusação grave em plenário, mas não apresentou publicamente o nome do político, das supostas empresas ou do grupo que teria enviado o recado. Também não informou se pretende encaminhar a gravação citada a órgãos de investigação, como Ministério Público, Polícia Federal ou Justiça Eleitoral.

Acusação aumenta pressão antes das convenções

Cleitinho Azevedo
Foto: Câmara Federal

A acusação aparece no momento em que o calendário eleitoral começa a fechar a janela de indefinição. O TSE prevê convenções partidárias de 20 de julho a 5 de agosto, período em que partidos e federações escolhem candidatos a governador, senador, deputados e presidente. Os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados até 15 de agosto.

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Cleitinho citou justamente esse prazo em seu discurso. Disse que pode deixar a decisão para 5 de agosto, último dia das convenções, e afirmou que não vê motivo para antecipar o anúncio enquanto adversários aparecem com baixo desempenho nas pesquisas.

Por que a mineração entrou no centro da fala

A mineração é um dos setores mais sensíveis da política mineira. Minas Gerais é um dos maiores polos minerais do país, com peso direto na arrecadação pública, no emprego, na balança comercial, nas cidades mineradoras e nos conflitos ambientais.

Dados da Agência Nacional de Mineração mostram que o Brasil arrecadou R$ 7,91 bilhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em 2025, a segunda maior marca da série histórica. A ANM informou que R$ 7,09 bilhões foram repassados a estados, municípios e outros entes beneficiários, alcançando 5.234 municípios brasileiros.

Em Minas, a dependência é ainda mais evidente. Levantamento publicado pelo Diário do Comércio com base em dados da ANM apontou que Vale, Anglo American e CSN Mineração responderam por R$ 2,3 bilhões dos R$ 3,6 bilhões arrecadados de CFEM no estado em 2025. A concentração mostra por que qualquer proposta de aumentar cobrança sobre mineradoras vira assunto eleitoral de alto impacto.

A fala de Cleitinho também vem depois de meses de desgaste público envolvendo mineração, licenciamento ambiental e corrupção em Minas. Em setembro de 2025, a Operação Rejeito, da Polícia Federal, repercutiu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Segundo a ALMG, deputados citaram fraudes em processos de licenciamento ambiental de mineradoras, 22 mandados de prisão, 79 mandados de busca e apreensão e movimentação de pelo menos R$ 1,5 bilhão atribuída ao grupo investigado pela PF.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.