A indefinição de Cleitinho Azevedo sobre a disputa pelo governo de Minas Gerais abriu espaço para um plano alternativo dentro de seu grupo político: lançar o irmão gêmeo, Gleidson Azevedo, ao Palácio Tiradentes caso o senador decida não concorrer. Segundo apuração do Moon BH com fontes do Republicanos, a possibilidade é estudada pela família.
Hoje, Gleidson aparece como pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos. Mas, nos bastidores, seu nome passou a ser tratado como uma espécie de seguro eleitoral da família Azevedo. Se Cleitinho recuar, o grupo tentaria manter uma candidatura própria ao governo, em vez de entregar todo o capital político acumulado pelo senador a outro nome da direita.
O movimento tem lógica. Cleitinho lidera pesquisas para o governo, mas ainda evita bater o martelo. Enquanto isso, PL, Republicanos e outros atores da direita mineira tentam calcular se devem esperar o senador, pressioná-lo por uma decisão ou construir outro caminho.
Gleidson entra nesse cálculo por três motivos: carrega o mesmo sobrenome, tem trajetória própria em Divinópolis e fala com o mesmo público popular e conservador que impulsionou Cleitinho ao Senado.
Gleidson virou peça móvel no tabuleiro
Ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson deixou o Novo e se filiou ao Republicanos, partido do irmão. A mudança já indicava que ele não queria ficar preso a uma estratégia contrária ao projeto familiar.
Antes da troca de legenda, o Novo chegou a liberá-lo para apoiar Cleitinho caso o senador confirmasse candidatura ao governo. Depois, com a filiação ao Republicanos, Gleidson passou a ser visto como peça direta do mesmo grupo político.
Em entrevista recente ao programa “Café com Política”, de O Tempo, ele disse acreditar que Cleitinho será candidato e apontou Luís Eduardo Falcão como o nome preferido para vice na eventual chapa. Ao mesmo tempo, não descartou mudar seu próprio caminho conforme a decisão do irmão.
É nesse trecho que nasce a leitura do plano B. Se Cleitinho entrar na disputa, Gleidson pode concorrer à Câmara dos Deputados, ao Senado ou ocupar outro espaço na composição. Se Cleitinho desistir, o irmão gêmeo pode ser apresentado como alternativa para preservar o palanque do Republicanos em Minas.
A estratégia, porém, tem riscos. Gleidson não é Cleitinho. Embora tenha base em Divinópolis e seja conhecido no Centro-Oeste mineiro, ainda não tem o mesmo recall estadual do senador. Uma candidatura ao governo exigiria muito mais do que sobrenome: precisaria de alianças, tempo de TV, estrutura, programa de governo e presença em regiões onde ele ainda é menos conhecido.
Por que Cleitinho ainda não decidiu
A dúvida de Cleitinho não vem da falta de competitividade. Pelo contrário. O senador aparece à frente em levantamentos para o governo e virou o nome mais cobiçado da direita mineira.
O problema é que a decisão muda toda a vida política dele. No Senado, Cleitinho mantém mandato até 2031, fala diretamente com sua base e segue no papel de fiscalizador. No governo, teria de assumir a máquina estadual, responder por áreas complexas e deixar a posição confortável de quem cobra para virar quem executa.
Também existe o cálculo nacional. O PL quer um palanque forte em Minas para Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. A aproximação com Cleitinho atende a essa lógica, mas a demora irrita aliados que precisam montar chapas, definir vices e organizar campanhas.
Quanto mais o senador adia a resposta, mais cresce a pressão por alternativas. Uma delas é o próprio PL lançar candidatura própria. Outra é o Republicanos testar Gleidson como substituto familiar, caso Cleitinho prefira não entrar na disputa.
A candidatura do irmão gêmeo, se avançar, seria uma tentativa de transformar o fenômeno Cleitinho em projeto de grupo. O eleitor que hoje vê no senador uma figura de protesto, cobrança e linguagem popular poderia ser chamado a manter esse voto dentro da família Azevedo.
Até agora, a decisão segue nas mãos de Cleitinho. E é justamente essa indefinição que mantém todo o tabuleiro mineiro parado, esperando saber se o nome da família Azevedo na urna será o senador ou seu irmão gêmeo.




