A pesquisa eleitoral Real Time Big Data, divulgada nesta quinta-feira (21) pelo portal R7, revelou que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), largou na vanguarda da corrida majoritária, consolidando-se como o principal polo de tração do eleitorado progressista no estado.
No entanto, o dado mais fascinante do levantamento reside no equilíbrio cirúrgico e na guerra de estratégias travada pela segunda vaga, onde Marcelo Aro (PP) surge como um fenômeno de complementaridade de votos, emparedando os veteranos Aécio Neves (PSDB) e Carlos Viana (PSD).
No cenário estimulado principal, Marília Campos lidera isolada com 20% das intenções de voto. Marcelo Aro aparece numericamente em segundo, com 13%, seguido de forma por Aécio Neves e Carlos Viana, ambos estacionados em 12%.
A rodada estatística ouviu 1.600 eleitores entre os dias 19 e 20 de maio, apresentando margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança fixado em 95%. O resultado joga luz sobre as complexas engrenagens do voto duplo, um sistema que pune a rejeição extremada e premia os candidatos com maior trânsito diplomático.
A solidez de Marília Campos e a largada do primeiro voto
A liderança de Marília Campos com um quinto da preferência do eleitorado mineiro não deve ser interpretada como um espasmo estatístico casual. A prefeita que comandava Contagem, o terceiro maior PIB de Minas Gerais e um dos maiores colégios eleitorais da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
A engenharia de Marcelo Aro e o triunfo do segundo voto
Se Marília Campos dita o ritmo da convicção, o ex-secretário de Estado de Casa Civil de Minas Gerais, Marcelo Aro, dá uma autêntica aula de engenharia política na captura do voto complementar. Embora apareça com 13% no somatório geral, a pesquisa revela uma assimetria tática: Aro registra 9% como primeira escolha dos mineiros, mas lidera de forma isolada a preferência como segundo voto, atingindo 16%.
Esse comportamento é o passaporte mais seguro para conquistar uma cadeira no Senado em anos de votação dupla. O eleitor mediano tende a carimbar o seu primeiro voto no nome de maior recall ou pelo radicalismo ideológico do seu espectro político.
A escolha da segunda vaga, contudo, obedece a critérios pragmáticos de menor rejeição, proximidade com prefeitos locais ou simples equilíbrio de forças regionais.
O teto de recall de Aécio e a flexibilidade de Carlos Viana
O desempenho do deputado federal e ex-governador Aécio Neves evoca um misto de nostalgia e barreira política. O tucano sustenta 12% no painel geral, ancorado estritamente em sua sólida herança política construída ao longo de dois mandatos vitoriosos no Palácio da Liberdade.
No lado oposto dessa mesma moeda matemática, o senador em exercício Carlos Viana exibe o comportamento inverso. Ele acumula 12% no painel geral, distribuídos de forma equilibrada: 14% como primeiro voto e 10% como segunda opção.
A fragmentação da direita e o peso das abstenções
O levantamento traz um alerta dramático para o ecossistema bolsonarista e liberal em Minas Gerais. O campo da direita apresenta-se pulverizado, o que pode pulverizar os votos e abrir caminho para o avanço das candidaturas mais orgânicas do centro e da esquerda.
O deputado federal Domingos Sávio (PL) aparece estacionado com 7% das intenções de voto, empatado numericamente com a ex-deputada Áurea Carolina (PSOL). Paralelamente, o pré-candidato do partido Novo, Marco Antônio Costa (conhecido popularmente como Superman), computa 5%.
Cenário com Marília, Aro, Aécio e Carlos Viana (2):
- Marília Campos (PT): 20%
- Marcelo Aro (PP): 13%.
- Aécio Neves (PSDB): 12%
- Carlos Viana (PSD): 12%
- Áurea Carolina (PSOL): 7%
- Domingos Sávio (PL): 7%
- Marco Antônio Costa (Novo) 5%
- Brancos e nulos: 10%
- Não souberam ou não responderam: 14%
Cenário sem Viana e sem Marco Antônio Costa (1):
- Marília Campos (PT): 22%
- Aécio Neves (PSDB): 15%
- Marcelo Aro (PP): 14%
- Domingos Sávio (PL): 10%
- Áurea Carolina (PSOL): 8%
- Brancos e nulos: 11%
- Não souberam ou não responderam: 20%
Pesquisa Real Time Big Data: O levantamento ouviu 1.600 pessoas entre os dias 19 e 20 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.


