A derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro impediu o Flamengo de se aproximar da liderança do Campeonato Brasileiro, mas o resultado no Mineirão também reforçou uma mudança que vem acontecendo de maneira menos perceptível durante a temporada. A defesa rubro-negra já não apresenta a mesma segurança registrada no último Brasileirão.
Segundo o UOL, pós 23 partidas na competição, o Flamengo de Leonardo Jardim sofreu 21 gols. No mesmo número de jogos do Campeonato Brasileiro anterior, sob o comando de Filipe Luís, eram apenas 11 gols sofridos. Ou seja, o número praticamente dobrou de uma temporada para outra.
A comparação não transforma automaticamente a defesa atual em ruim. O Palmeiras, líder do campeonato, sofreu 20 gols em 24 partidas. A diferença está no impacto que alguns dos gols sofridos pelo Flamengo tiveram sobre resultados que poderiam ter colocado o clube em situação ainda melhor na classificação.
Defesa deixou de oferecer a mesma margem de segurança
Em 2025, a proteção defensiva foi um dos grandes diferenciais do Flamengo.
Mesmo em partidas nas quais o ataque não funcionava da maneira esperada, a equipe conseguia frequentemente permanecer viva no jogo graças à dificuldade encontrada pelos adversários para criar oportunidades.
Em 2026, o cenário mudou.
Desde a retomada do Campeonato Brasileiro após a Copa do Mundo, o Flamengo foi vazado em seis das oito partidas disputadas. Apenas nas vitórias contra Chapecoense e Vitória conseguiu deixar o campo sem sofrer gols.
Algumas dessas bolas na rede tiveram influência direta na perda de pontos. O Rubro-Negro empatou por 1 a 1 com São Paulo e Internacional e, no sábado (22), sofreu a virada por 2 a 1 diante do Cruzeiro.
Problema não começa necessariamente nos zagueiros
Leonardo Jardim, porém, tem evitado tratar a questão como responsabilidade exclusiva da última linha.
Após a derrota para o Cruzeiro, o treinador destacou a necessidade de reduzir o número de finalizações concedidas ao adversário e citou também a qualidade de alguns gols sofridos de fora da área.
O problema passa pelo comportamento coletivo.
Quando perde a posse em regiões perigosas ou permite que a partida fique excessivamente aberta, o Flamengo oferece ao adversário mais oportunidades para atacar sua defesa em situações de desequilíbrio.
Contra o Cruzeiro, houve ainda outro componente. O time carioca finalizou 12 vezes, mas acertou apenas duas conclusões no gol.
A combinação entre menor eficiência ofensiva e maior vulnerabilidade defensiva reduz significativamente a margem para erros.
Distância para o Palmeiras chegou a seis pontos
O tropeço no Mineirão ficou ainda mais pesado depois do resultado do Palmeiras.
O clube paulista goleou o Vasco por 4 a 1 e chegou aos 51 pontos em 24 jogos. O Flamengo ocupa a segunda posição com 45 pontos em 23 partidas, portanto possui um confronto a menos, mas viu a distância nominal aumentar para seis pontos.
Ainda há muito campeonato pela frente e a partida atrasada impede uma comparação totalmente direta entre as pontuações.
Mesmo assim, a situação aumenta a importância de recuperar a segurança apresentada em temporadas anteriores.
Semana livre aparece em momento importante
O próximo compromisso do Flamengo será no domingo (30), às 16h, contra o Botafogo, no Maracanã, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Sem partida no meio da semana, Leonardo Jardim ganha um período raro para trabalhar o elenco.
A missão passa por encontrar um equilíbrio que permita ao Flamengo continuar produzindo ofensivamente sem transformar cada perda de bola em uma situação perigosa.
Os 21 gols sofridos não representam uma crise isoladamente. Mas quando comparados aos apenas 11 do mesmo recorte da temporada passada, revelam uma das mudanças mais importantes do atual Flamengo.
Na disputa contra um Palmeiras que abriu vantagem na liderança, recuperar essa antiga fortaleza pode ser tão importante quanto marcar mais gols.


