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Flamengo e a conta de R$ 46 milhões: 4 nomes após queda de Filipe Luís

A demissão de Filipe Luís nesta terça-feira (3), às vésperas da final do Carioca e do início do Brasileirão, expõe mais do que uma crise técnica na Gávea. O movimento precipitado da diretoria do Flamengo liga um alerta vermelho financeiro: o custo invisível da troca de comando. Ao focar apenas no próximo nome, grande parte da mídia ignora que a conta rubro-negra pode carregar um rombo de até R$ 46 milhões.

Filipe Luís tinha contrato renovado até dezembro de 2027. Com vencimentos na casa de R$ 2,1 milhões mensais para ele e sua comissão, restavam 22 meses de compromisso. Embora o clube deva negociar um parcelamento ou redução dessa multa, o passivo financeiro criado por essa “dupla folha de pagamento” é gigantesco para um clube que exige resultados para ontem.

Leonardo Jardim: O Plano A e a quebra de promessa

Com a vaga aberta, o alvo número um está definido e as negociações já avançam no Rio de Janeiro. Trata-se de Leonardo Jardim. Livre no mercado desde que deixou o Cruzeiro no fim de 2025, o português tem um custo estimado entre R$ 2,0 e R$ 2,6 milhões mensais, mas oferece a vantagem de não exigir pagamento de multa rescisória a outro clube.

O grande ponto de narrativa — e que apimenta a chegada do treinador — é que Jardim está em Belo Horizonte para um casamento e já havia declarado publicamente que, no Brasil, só treinaria o Cruzeiro. Ironicamente, o Flamengo enfrenta a equipe mineira no dia 11 de março. O rubro-negro precisará de um projeto financeiro e esportivo extremamente persuasivo para fazê-lo mudar de ideia.

O plano B: Quem corre por fora?

Se a negociação com Jardim travar, o tabuleiro do Flamengo tem opções com perfis e custos bem distintos:

  • Artur Jorge: É o nome mais caro. Tirar o técnico do Al-Rayyan exige o pagamento de uma multa de 6 milhões de euros (cerca de R$ 39 milhões), inviabilizando uma ação rápida sem alto endividamento.
  • Jorge Sampaoli: Livre após deixar o Atlético-MG, custaria em torno de R$ 1,6 milhão. O problema é o risco de ambiente: seu perfil exigente pode ser um barril de pólvora na atual instabilidade política do clube.
  • Renato Gaúcho: A solução “caseira”. Tem custo menor (abaixo de R$ 2 milhões), zero burocracia internacional e é especialista em apagar incêndios no vestiário em curto prazo.

O Flamengo costuma tratar a troca de treinador como um botão de “modo turbo” para mudar o humor da arquibancada. No entanto, ao apostar em Leonardo Jardim, a diretoria de Luiz Eduardo Baptista não precisa apenas comprar um novo técnico; precisa comprar tempo. E tempo é a moeda mais escassa no Maracanã.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.