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Flamengo mira Lucas Ronier, mas preço recorde e regra do Brasileirão mudam o jogo

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O Flamengo colocou Lucas Ronier no radar e abriu uma discussão de mercado que vai além de uma simples busca por reforço. O atacante do Coritiba tem 21 anos, é uma das principais revelações recentes do clube paranaense e aparece como uma opção de investimento para a próxima temporada. O problema é que a operação envolve valor alto, concorrência e uma limitação importante no Brasileirão.

A informação inicial foi de que o Rubro-Negro sinalizou uma proposta de 10 milhões de euros, cerca de R$ 60 milhões, pelo jogador. O valor seria recorde na história do Coxa, superando a venda de Igor Paixão ao Feyenoord por 8 milhões de euros. Nos bastidores, porém, há cautela.

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Esse contraste é importante para entender a situação. Há interesse de mercado, há avaliação positiva sobre o atleta e há um valor que começa a circular como referência. Mas ainda não existe, publicamente, uma negociação fechada ou proposta formal confirmada por todas as partes.

O atacante tem contrato com o clube paranaense até dezembro de 2027. A multa é alta: R$ 200 milhões para o futebol brasileiro e 60 milhões de euros para o exterior. Na prática, ninguém trabalha com esses números como preço real de venda. A expectativa é que o Coxa aceite conversar em uma faixa entre 10 e 12 milhões de euros, justamente o patamar que faria da joia a maior negociação da história alviverde.

Preço de Lucas Ronier exige compra de projeto, não de urgência

O valor de mercado atual do atacante é de 6 milhões de euros, segundo o Transfermarkt. Isso significa que uma proposta de 10 milhões de euros já ficaria acima da avaliação pública do jogador. Para o Coritiba, seria uma venda muito forte. Para o clube carioca, seria uma aposta cara em potencial de crescimento. Há um ano, ele valia apenas 1 milhão de euros.

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A questão central é o tempo. Ronier já disputou 15 partidas nesta edição do Brasileirão. Como o regulamento permite que um atleta troque de clube dentro da Série A apenas se tiver feito, no máximo, 12 jogos, ele não poderia defender o Fla no campeonato nacional de 2026.

Isso muda bastante a análise. Se a compra for pensada para resolver o elenco imediatamente, o negócio perde força. O jovem só poderia ser usado em competições nas quais estivesse regularizado e elegível, como torneios eliminatórios, a depender dos prazos e inscrições. Para a principal competição de pontos corridos, o impacto ficaria para 2027.

Por isso, a eventual investida precisa ser vista como movimento estratégico, não como reforço emergencial. O Rubro-Negro compraria um jogador para a próxima temporada, tentando se antecipar a concorrentes brasileiros e europeus.

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O mercado externo já observou o atleta em outras janelas. Clubes da Inglaterra, como Tottenham e Fulham, foram citados em monitoramentos recentes, enquanto equipes italianas também acompanham a situação. O Neom, da Arábia Saudita, chegou a oferecer 12 milhões de dólares em 2024, mas o atacante não quis seguir com a negociação por entender que a mudança poderia atrapalhar sua evolução.

Essa decisão ajuda a mostrar que o jogador e seu entorno olham para carreira, não apenas para dinheiro. Para o Fla, isso pode ser positivo. O projeto esportivo, a visibilidade e a disputa por títulos podem pesar mais do que uma proposta financeiramente agressiva de mercados periféricos.

Como joga Lucas Ronier

Ronier é um ponta-direita canhoto, de 1,65 m, formado no Couto Pereira. Apesar da baixa estatura, tem boa explosão curta, drible em espaço reduzido e capacidade de atacar o um contra um. Em 2026, aparece entre os jogadores de maior destaque do Coritiba justamente pela coragem para partir para cima.

O jovem também evoluiu na participação coletiva. Fernando Seabra já o definiu como um jogador de espaço curto, espaço longo, invasão de área, capacidade de atuar dos dois lados e por dentro. Essa descrição ajuda a entender por que ele chama atenção. Não é apenas um ponta de linha lateral. Pode atacar diagonal, receber entre linhas e aparecer como elemento surpresa.

Em 2026, os números mostram crescimento. São 23 partidas, 3 gols e 4 assistências. A evolução não é explosiva, mas é consistente para um jogador que assumiu protagonismo cedo em um clube pressionado pelo retorno à Série A.

Há ainda um detalhe curioso: os três gols marcados nesta temporada foram de cabeça, mesmo com apenas 1,65 m. Isso não faz dele um atacante de área, mas indica boa leitura de espaço e coragem para atacar zonas de finalização.

No desenho rubro-negro, Ronier poderia disputar espaço pelo lado direito, entrando para dentro com a perna boa, ou ser usado em alguns momentos por dentro, como meia-atacante de mobilidade. A adaptação dependeria do entendimento tático, porque o nível de exigência sem bola no Fla é maior. Pressão alta, recomposição e tomada de decisão rápida são pontos obrigatórios para qualquer atacante no elenco.

Vale a pena para o Flamengo?

A resposta depende do objetivo. Por 10 milhões de euros, Ronier não é contratação barata. O valor compraria potencial, idade, margem de revenda e uma característica escassa: atacante brasileiro jovem, driblador, canhoto e já testado na Série A.

Se a intenção for reforçar o elenco imediatamente para o Brasileirão, não vale tanto. A limitação dos 15 jogos reduz o impacto de curto prazo e obriga o clube a pensar no jogador como peça para 2027. Pagar caro agora por alguém que não poderia atuar na competição nacional até o fim da temporada exige convicção de scout e planejamento.

Se a leitura de Leonardo Jardim for de oportunidade estratégica, a operação faz mais sentido. O Fla tem poder financeiro para antecipar movimentos antes que clubes europeus transformem o negócio em disputa mais cara. Também possui estrutura para desenvolver um jogador que ainda não está pronto como estrela, mas já tem repertório de alto nível.

O risco está no preço. Uma compra entre 10 e 12 milhões de euros deixaria pouca margem para erro. O atacante teria de crescer rapidamente para justificar o investimento. Além disso, o elenco da Gávea já tem concorrência pesada nas beiradas, com atletas mais experientes e custo alto. Sem plano claro de minutagem, o jovem poderia sair de protagonista no Coxa para opção distante no Rio.

O lado positivo é que o clube carioca já vive uma fase de renovação gradual do ataque. Everton Cebolinha, Luiz Araújo e outros nomes do setor têm situações de mercado em aberto, seja por contrato, sondagens ou idade. Ronier se encaixaria como uma peça de transição para o próximo ciclo, não necessariamente como solução imediata.

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Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.

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