O Flamengo saiu do Mineirão com um empate por 1 a 1 contra o Cruzeiro, nesta quarta-feira (12), e levou a decisão das oitavas de final da Libertadores completamente aberta para o Maracanã. Por trás do resultado, porém, existe um contraste que pode preocupar Leonardo Jardim: o Rubro-Negro finalizou 15 vezes, acertou cinco chutes no gol e teve mais posse de bola, mas criou menos grandes chances e conseguiu menos ações dentro da área adversária que o time mineiro.
Os números ajudam a separar volume de eficiência.
Segundo as estatísticas da ESPN, o Flamengo teve 53% da posse, 15 finalizações contra 11 do Cruzeiro e cinco chutes na direção do gol, enquanto a Raposa acertou somente um. Mesmo com essa superioridade aparente, o time carioca terminou com uma grande chance criada contra duas dos donos da casa.
Existe outro dado ainda mais curioso: o Cruzeiro teve 23 toques dentro da área do Flamengo. O Rubro-Negro, apesar de finalizar mais, terminou com 19.
Ou seja, o time de Leonardo Jardim conseguiu chutar bastante, mas nem sempre conseguiu transformar a posse e o controle territorial em situações realmente limpas de finalização.
Flamengo teve volume, mas Cruzeiro conseguiu ser mais agudo
O placar ajuda a ilustrar essa diferença.
O único chute do Cruzeiro na direção do gol terminou justamente no golaço de Keny Arroyo, aos sete minutos do segundo tempo. O equatoriano recebeu de William, ganhou espaço diante da marcação e acertou uma finalização praticamente indefensável para Rossi.
Do outro lado, o Flamengo precisou insistir.
Foram dez finalizações de dentro da área e outras cinco de fora, além de duas bolas na trave. O número demonstra presença ofensiva, mas também evidencia uma dificuldade: transformar essas chegadas em oportunidades nas quais o atacante realmente fique em condição privilegiada para marcar.
A diferença parece pequena quando analisada apenas em uma partida. Em mata-mata, entretanto, pode ser determinante.
No Maracanã, onde naturalmente existe a expectativa de que o Flamengo assuma ainda mais a iniciativa, atacar muito sem conseguir romper a organização defensiva do Cruzeiro pode oferecer justamente o cenário que a Raposa deseja para explorar espaços.
Gol saiu quando Jardim mexeu no ataque
Se existe um ponto positivo importante para o Flamengo, ele apareceu no banco de reservas.
Leonardo Jardim começou a partida com Bruno Henrique, Gonzalo Plata e Emerson Royal entre as novidades da equipe. Pedro e Lucas Paquetá ficaram como opções para o segundo tempo.
Depois do gol de Arroyo, o treinador reagiu.
Pedro e Paquetá entraram aos 20 minutos da etapa final. A resposta foi praticamente imediata. Apenas um minuto e 34 segundos depois de entrar, Paquetá apareceu dentro da área para aproveitar o rebote da cabeçada de Léo Ortiz no travessão e empatar.
O lance nasceu justamente de uma situação diferente das construções que o Flamengo vinha tentando em boa parte da partida.
Ayrton Lucas cobrou falta para a segunda trave, Léo Ortiz ganhou pelo alto e acertou o travessão. Paquetá estava bem posicionado para pegar a sobra e completar.
O Flamengo encontrou o gol, portanto, a partir de uma bola parada e da capacidade de ocupar a área no rebote.
Pedro também pode mudar o desenho para a volta

A entrada de Pedro merece atenção especialmente pensando no segundo jogo.
O Flamengo começou sem uma referência tradicional de área e encontrou dificuldades para transformar o domínio da posse em oportunidades mais claras. Com o camisa 9 em campo, a estrutura ofensiva muda.
Isso não significa que Pedro necessariamente será titular no Maracanã. Leonardo Jardim terá outras partidas e treinamentos antes de definir a escalação.
Mas o confronto do Mineirão deixou uma pergunta inevitável: diante de um Cruzeiro disposto a fechar espaços, vale ao Flamengo acumular jogadores capazes de circular a bola ou ter uma referência mais fixa para atacar a última linha?
A resposta pode determinar quanto aqueles 15 chutes realmente significarão no jogo de volta.
Números mostram um Flamengo superior, mas não dominante
O Flamengo também terminou a partida com vantagem na circulação da bola. Foram 508 passes tentados, com 437 certos, contra 434 passes do Cruzeiro, dos quais 377 chegaram ao destino.
Nos escanteios, nova vantagem rubro-negra: quatro a dois.
O time também obrigou o goleiro Otávio a realizar quatro defesas, enquanto Rossi terminou a partida sem nenhuma defesa registrada. Isso aconteceu porque a única finalização certa do Cruzeiro terminou no gol de Arroyo.
São números que permitem afirmar que o Flamengo teve mais volume.
O problema está em transformar volume em controle real do risco.
Enquanto o Rubro-Negro acumulava passes e finalizações, o Cruzeiro conseguiu tocar mais vezes na área adversária e criar duas grandes oportunidades. A Raposa mostrou que não precisa necessariamente controlar a bola durante longos períodos para ameaçar.
Essa característica tende a ganhar ainda mais importância no Maracanã.
Flamengo terá que encontrar espaços no Maracanã
Cruzeiro e Flamengo voltam a se enfrentar na próxima quarta-feira, 19 de agosto, no Rio de Janeiro. Como o primeiro duelo terminou empatado, qualquer vitória no tempo normal garante vaga nas quartas de final. Um novo empate leva a decisão para os pênaltis.
O Flamengo terá o mando de campo e provavelmente encontrará um ambiente completamente diferente daquele do Mineirão.
Mas jogar em casa não elimina o desafio mostrado na ida.
Se o Cruzeiro aceitar períodos sem a bola e apostar novamente em ataques mais verticais, caberá ao Flamengo encontrar uma forma de fazer com que a superioridade em posse e finalizações também apareça onde mais importa: nas chances realmente perigosas.
As 15 finalizações de Belo Horizonte parecem um bom número à primeira vista.
Para chegar às quartas da Libertadores, porém, o Flamengo pode precisar de algo mais difícil do que simplesmente chutar mais: chutar melhor.


