William passou quase toda a derrota do Cruzeiro para o Botafogo sentado no banco de reservas. Quando entrou, aos 77 minutos, encontrou um time pressionado pelo relógio, sem seus principais articuladores e obrigado a atacar uma defesa cada vez mais fechada.
O lateral-direito participou somente dos 13 minutos regulamentares finais — além dos acréscimos — e tocou 12 vezes na bola. Mesmo com um volume tão pequeno, criou duas oportunidades, produziu uma grande chance e terminou com dois passes-chave.
Foram cinco passes certos em cinco tentativas e três cruzamentos bem executados. Em termos proporcionais, 40% dos passes completados por William criaram uma finalização para um companheiro.
Nenhum jogador do Cruzeiro precisou de tão pouco contato com a bola para produzir tanto na derrota por 1 a 0, no Mineirão. O Botafogo venceu com gol de Gabriel Justino no primeiro tempo e encerrou uma sequência de nove partidas sem derrotas da equipe de Artur Jorge.
A participação de William não foi suficiente para mudar o resultado, mas deixou um recado claro na disputa pela lateral direita: mesmo sem a titularidade, o camisa 12 ainda pode oferecer ao Cruzeiro uma capacidade de criação que apareceu pouco durante a partida.
William transformou cinco passes em duas chances
William entrou no lugar de Fagner aos 77 minutos. Naquele momento, o Cruzeiro já havia trocado peças no ataque e aumentado a presença perto da área do Botafogo.
O lateral não teve tempo para participar de uma construção longa. Sua missão era mais direta: receber aberto pela direita, levantar a cabeça e encontrar alguém dentro da área.
Os números mostram como ele interpretou o cenário. Dos cinco passes tentados, dois foram classificados como passes-chave. Isso significa que praticamente uma de cada duas bolas distribuídas por William terminou em finalização.
Também houve três cruzamentos certos em pouco mais de 13 minutos regulamentares. É uma média de um cruzamento bem executado a cada quatro minutos e 20 segundos.
Não se trata apenas de quantidade. A bola mais importante saiu aos 93 minutos, quando William encontrou Jonathan Jesus completamente livre dentro da área. O zagueiro teve a oportunidade de empatar, mas não conseguiu direcionar a cabeçada para o gol.
Dois minutos depois, o camisa 12 voltou a criar perigo em uma cobrança de falta. Warleson precisou desviar a bola e afastar mais uma tentativa de pressão do Cruzeiro.
A equipe mineira teve outras oportunidades nos acréscimos, especialmente pelo alto, mas terminou sem conseguir superar o goleiro botafoguense.
Um tipo de jogada que faltava ao Cruzeiro
O desempenho ganha importância pelo contexto da partida. O Cruzeiro não teve Matheus Pereira, Gerson e Gabriel Pec, três jogadores com participação direta na construção ofensiva. Luis Sinisterra ainda precisou ser substituído antes do intervalo por uma questão física.
Sem esses nomes, o time teve dificuldades para variar a maneira de atacar. Kaio Jorge conseguiu aparecer em algumas oportunidades, mas o Cruzeiro passou parte do segundo tempo circulando a bola sem encontrar o passe que rompesse a última linha.
Cruzeiro pode encontrar uma função específica para William
A atuação sugere que William não precisa ser avaliado apenas pela pergunta tradicional sobre quem deve começar os jogos.
O lateral pode ter uma função própria dentro do elenco. Em partidas nas quais o Cruzeiro encontra dificuldade para entrar na área, sua capacidade de avançar e cruzar pode mudar o desenho ofensivo no segundo tempo.
Também existe a possibilidade de utilizá-lo ao lado de outro lateral. Em um cenário de pressão, William pode atuar mais adiantado pela direita, preservando um defensor atrás e aumentando a quantidade de jogadores responsáveis pelo último passe.
Não seria uma novidade completa. Durante seus melhores momentos pelo Cruzeiro, o camisa 12 destacou-se justamente por conseguir transformar a chegada ao campo ofensivo em gols, assistências e cruzamentos perigosos.
O desafio é recuperar essa influência dentro de uma equipe que passou a oferecer menos minutos ao jogador.


