Fabinho voltou a ser um nome observado por grandes clubes brasileiros em meio à indefinição sobre seu futuro no Al-Ittihad. O volante de 32 anos tem contrato com o clube saudita até 30 de junho de 2026, não tem permanência garantida e deve discutir os próximos passos da carreira depois da participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Cruzeiro e Flamengo estão entre os clubes mais atentos à situação. O monitoramento ainda não significa proposta oficial, mas o contexto torna o jogador uma oportunidade rara: um meio-campista multicampeão na Europa, com passagem pela Seleção, ainda competitivo e perto do fim do vínculo no futebol saudita.
O interesse, porém, esbarra em um ponto central: salário. Mesmo que o Al-Ittihad facilite uma saída ou não renove o contrato, qualquer clube brasileiro precisaria convencer o jogador a aceitar uma redução expressiva. Estimativas públicas apontam vencimentos fixos na casa de 14 milhões de euros por ano, enquanto reportagens brasileiras já trataram o pacote saudita em patamar ainda mais alto.
Por isso, a situação é mais complexa do que parece. O valor de mercado atual é de 12 milhões de euros, segundo o Transfermarkt, algo próximo de R$ 78 milhões na conversão aproximada. Mas o verdadeiro obstáculo não seria apenas comprar o jogador. Seria bancar salário, luvas e projeto esportivo capazes de competir com alternativas do exterior.
Por que Fabinho interessa ao Flamengo
No caso do Flamengo, a lógica é direta. O clube carioca busca reforçar o meio-campo e pode precisar repor ou renovar peças importantes do setor. A possível saída de Erick Pulgar para o Neom, da Arábia Saudita, aumenta a atenção sobre volantes de alto nível, especialmente jogadores com experiência internacional e capacidade de resolver uma função estratégica.
Fabinho se encaixa porque é um primeiro volante de elite. Não é apenas marcador. Durante a carreira, construiu reputação pela leitura defensiva, pela capacidade de cobrir espaços grandes e pela qualidade para dar o primeiro passe após a recuperação da bola.
No Liverpool, foi peça central do time de Jürgen Klopp. Protegia a defesa, sustentava laterais ofensivos e dava equilíbrio a um modelo agressivo de pressão. No Monaco, viveu grande fase com Leonardo Jardim, hoje no Rubro-Negro, e participou da campanha campeã francesa e semifinalista da Champions League.
Essa relação anterior com Jardim é um ponto que ajuda a explicar o interesse. O treinador conhece o jogador, sabe como utilizá-lo e já tirou alto rendimento dele em um sistema competitivo. Para o Fla, que disputa títulos em sequência e vive cobrança permanente, ter um volante desse perfil reduziria o risco de adaptação tática.
O clube da Gávea também olha para o peso de vestiário. Fabinho chegaria como jogador acostumado a decisões, Champions League, Premier League, Mundial de Clubes, Copa do Mundo e pressão de grandes ambientes. Em um elenco estrelado, esse tipo de currículo tem valor.
A questão é custo-benefício. Aos 32 anos, o meio-campista não seria uma contratação de revenda. Seria investimento de performance imediata. Para valer a pena, precisaria chegar com salário compatível com a realidade brasileira e condição física para ser titular em jogos grandes.
Por que o Cruzeiro também o acompanha
Para o Cruzeiro, o interesse tem outro caminho. O clube mineiro vive uma janela de decisões importantes no meio-campo. Christian é alvo do Krasnodar, da Rússia, e pode render mais de R$ 50 milhões. Se a venda avançar, a diretoria celeste precisará avaliar se repõe a saída com uma aposta mais jovem ou com um nome pronto.
Fabinho seria contratação de impacto técnico e simbólico. A Raposa vem tentando se posicionar como projeto capaz de disputar nomes grandes no mercado, especialmente depois de elevar investimentos e voltar a competir por objetivos mais altos. Um volante desse tamanho mudaria o patamar de liderança do setor.
O encaixe esportivo também faz sentido. O time celeste tem peças de intensidade e construção, mas poderia ganhar um jogador com leitura mais refinada para controlar jogos difíceis. Em partidas de Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão, um primeiro volante experiente ajuda a organizar pressão, proteger zagueiros e dar segurança para laterais apoiarem.
Há ainda um dado de carreira que aproxima o jogador do contexto mineiro: ele trabalhou com Leonardo Jardim no Monaco, justamente no período em que foi transformado de lateral-direito em volante de nível europeu. Embora o treinador hoje esteja no Flamengo, essa fase ajuda a entender o tipo de jogador que o brasileiro se tornou. Ele não nasceu apenas como marcador; foi moldado para ser peça central de organização.
Para a Raposa, o desafio financeiro seria grande. Mesmo se viesse livre, a operação exigiria salário alto, luvas e disputa com clubes de maior receita. O clube celeste teria de vender o projeto esportivo, protagonismo e possibilidade de retornar ao Brasil como referência de uma equipe em crescimento.
Como joga Fabinho

Fabinho é um volante destro, de 1,88 m, que também pode atuar como lateral-direito ou zagueiro em situações específicas. A posição principal, porém, é a de primeiro homem do meio-campo.
Seu jogo tem como base leitura, posicionamento e poder de desarme. Ele não depende apenas de velocidade para defender. Costuma antecipar jogadas, fechar linhas de passe e proteger a entrada da área. Em times que pressionam alto, é o jogador responsável por impedir o contra-ataque quando a primeira pressão é quebrada.
Com bola, entrega passe seguro e verticalidade moderada. Não é um camisa 10, nem um volante de arrancadas constantes, mas sabe acelerar quando encontra espaço. No auge, era forte justamente por fazer o simples com precisão: recuperar, proteger, encontrar o meia livre e manter o time equilibrado.
Na Arábia Saudita, manteve bom volume de minutos. Pelo FotMob, soma 1 gol, 3 assistências e 2.642 minutos na Saudi Pro League 2025/26, com média de nota 7,22. O número de minutos mostra que segue fisicamente ativo em alto nível competitivo, mesmo em um campeonato de menor exigência que a Premier League.
O ponto de atenção está na adaptação ao calendário brasileiro. Aos 32 anos, depois de temporadas pesadas na Europa e na Arábia, o volante precisaria ser gerido com cuidado. O Brasil cobra viagens longas, gramados diferentes, jogos a cada três dias e intensidade emocional alta. O sucesso dependeria menos do nome e mais da condição física real.
Quanto custaria uma operação
O valor de mercado de 12 milhões de euros não deve ser tratado como preço fechado. Como o contrato se encerra em 30 de junho, a operação pode ficar mais ligada a salário e luvas do que a uma transferência tradicional.
Se o Al-Ittihad não renovar e o jogador ficar livre, a taxa de compra deixaria de existir. Isso atrai clubes brasileiros. Ao mesmo tempo, um atleta livre com currículo desse tamanho costuma pedir luvas maiores e contrato robusto. Em muitos casos, o dinheiro que não vai para o clube vendedor acaba indo para o jogador e seus representantes.
O grande obstáculo é o vencimento. Mesmo uma redução de 70% em relação aos valores sauditas ainda colocaria o volante em uma faixa altíssima para o Brasil. Para Cruzeiro ou Flamengo, o negócio só faria sentido se o jogador aceitasse entrar em outro padrão salarial, com contrato talvez mais curto e metas por desempenho.


