O futebol brasileiro acordou em choque nesta terça-feira (3 de março). Na mesma noite em que o Flamengo aplicou uma goleada histórica de 8 a 0 sobre o Madureira e garantiu vaga na final do Campeonato Carioca, a diretoria rubro-negra puxou o gatilho: Filipe Luís está demitido.
A decisão, que parece completamente ilógica para quem olha apenas o placar do Maracanã, expõe um racha institucional sem volta. E a diretoria não quer perder tempo: o “Plano A” para assumir a prancheta já está no Brasil e atende pelo nome de Leonardo Jardim, ex-Cruzeiro.
A Demissão de 30 Segundos e o “Pior Início em 10 Anos”
O roteiro da saída de Filipe Luís foi frio e incomum até para os padrões do Flamengo. A demissão foi comunicada logo após a entrevista coletiva no estádio, em uma conversa que durou poucos segundos e não teve justificativas táticas. Pior: como o elenco já havia deixado o Maracanã, o treinador sequer conseguiu se despedir dos jogadores no vestiário. Junto com ele, caem o auxiliar Ivan Palanco e o preparador físico Diogo Linhares.
O placar de 8 a 0 não foi suficiente para apagar o incêndio de 2026. O estopim público foi o pior início de temporada do clube em uma década, marcado pelas perdas da Supercopa do Brasil (para o Corinthians) e do vexame na Recopa Sul-Americana (para o Lanús). Nos bastidores, a corda arrebentou pelo desgaste profundo com o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) e a insatisfação interna com o método de comunicação da comissão.
O “Bote” em Leonardo Jardim e a Promessa Rompida
Com a final do Carioca contra o Fluminense marcada já para este domingo, o Flamengo não anunciou um técnico interino. O clube quer um comandante definitivo para ontem. E o momento não poderia ser mais oportuno: Leonardo Jardim está no Brasil.
O treinador português desembarcou em Belo Horizonte para ser padrinho de um casamento na família de Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro. Sabendo que Jardim planejava voltar a trabalhar a partir deste mês de março, o Flamengo agiu rápido. Representantes do português são esperados no Rio de Janeiro ainda nesta terça-feira para avançar nas negociações.
O grande obstáculo da operação é moral e político. Ao deixar a Toca da Raposa, Jardim afirmou categoricamente que, no Brasil, só treinaria o Cruzeiro. Aceitar a oferta rubro-negra será interpretado em Minas Gerais como uma quebra de promessa imperdoável. A favor do Flamengo, pesa o realismo do futebol: um elenco estelar, vitrine continental e um cheque em branco costumam atropelar juras de amor no mercado da bola.