O Cruzeiro chega ao clássico contra o Atlético com um argumento que vai além do mando de campo ou da rivalidade. Nenhum clube da Série A venceu mais partidas que a Raposa no período imediatamente posterior à Copa do Mundo. O desafio agora é transformar essa regularidade em vantagem justamente em um confronto eliminatório.
Desde a retomada do calendário brasileiro, o Cruzeiro acumulou seis vitórias, dois empates e duas derrotas nas primeiras dez partidas do recorte, com 14 gols marcados e oito sofridos. O aproveitamento chegou a 66,67%, colocando a equipe entre os melhores desempenhos do país no período.
O Athletico-PR passou a ter aproveitamento percentual superior depois de entrar em campo novamente, mas a Raposa continua sendo o time da elite nacional com mais vitórias acumuladas desde a retomada.
Os números ajudam a explicar por que o Cruzeiro chega fortalecido ao duelo desta terça-feira (25), às 21h, no Mineirão. Mas também criam uma cobrança diferente: depois de mostrar constância, o time de Artur Jorge precisa transportar o bom momento para uma eliminatória que não permite recuperar pontos na rodada seguinte.
Vitória sobre Flamengo reforçou momento do Cruzeiro
A última demonstração veio contra um adversário direto da parte de cima da tabela. O Cruzeiro venceu o Flamengo por 2 a 1, de virada, no fim de semana, resultado que ajudou a equipe a consolidar o melhor número de vitórias no período pós-Copa.
A campanha recente tem uma característica importante. Não se trata apenas de uma sequência construída contra equipes da parte inferior da classificação.
O time celeste vem sendo competitivo contra adversários de diferentes estilos e conseguiu marcar 14 vezes em dez partidas no levantamento. A defesa sofreu oito gols, deixando saldo positivo de seis.
Nesta terça, entretanto, o contexto muda.
Cruzeiro e Atlético iniciam uma eliminatória de 180 minutos pelas quartas de final da Copa do Brasil. O primeiro duelo acontece no Mineirão, enquanto a decisão será na Arena MRV. Para a Raposa, aproveitar o mando de campo significa tentar fazer com que o ótimo desempenho recente tenha consequência concreta no torneio.
Mata-mata deixa pouca margem para o erro
O Cruzeiro acabou eliminado recentemente da Libertadores, o que torna a Copa do Brasil ainda mais importante no planejamento da temporada. A equipe conseguiu manter o desempenho em outras competições, mas agora encontra outro jogo em que uma atuação abaixo do esperado pode custar meses de trabalho.
É aí que os números pós-Copa precisam ser analisados com cuidado.
Seis vitórias em dez jogos comprovam consistência. Não significam, porém, que o clássico esteja encaminhado. O Atlético, por exemplo, atravessa o mesmo período sem uma única derrota no recorte utilizado pelo levantamento, com quatro vitórias e cinco empates nas nove partidas contabilizadas inicialmente.
O confronto coloca, portanto, duas sequências positivas frente a frente.
Artur Jorge tem praticamente força máxima

Para o jogo, Jonathan Jesus retorna de suspensão e deve formar a dupla de zaga com Fabrício Bruno. Fagner aparece na lateral direita, enquanto Gabriel Rojas e Villalba disputam posição pelo lado esquerdo.
No ataque, a tendência é de Wesley e Arroyo acompanhando Kaio Jorge. Gabriel Pec e Sinisterra aparecem entre as baixas por lesão.
A provável formação tem Otávio; Fagner, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Gabriel Rojas ou Villalba; Lucas Romero, Gerson e Matheus Pereira; Arroyo, Wesley e Kaio Jorge.
Mais do que os nomes, porém, o Cruzeiro entra no clássico carregando um dado difícil de ignorar: nenhum integrante da Série A ganhou mais partidas desde a retomada do futebol brasileiro.
Contra o Atlético, a Raposa terá a oportunidade de mostrar se essa regularidade também pode ser transformada em vantagem quando o jogo deixa de valer três pontos e passa a valer sobrevivência.


