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Cruzeiro: anúncio de Gabigol põe uso de música do Instagram no centro de disputa

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O Cruzeiro continua discutindo na Justiça as consequências de um vídeo publicado para anunciar Gabigol, em janeiro de 2025. A disputa envolve a utilização de “Clube da Esquina nº 2” e coloca no centro do processo uma ferramenta familiar a quem acompanha futebol pelas redes sociais: a publicação em colaboração no Instagram.

A questão é determinar as responsabilidades pelo uso da canção naquele anúncio. Enquanto o clube sustenta que compartilhou um conteúdo do jogador com música disponibilizada pela plataforma, os responsáveis pela obra contestam a utilização sem autorização. O caso permanece sem decisão de mérito, segundo atualização publicada nesta terça-feira, 6 de outubro, pelo ge.

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Perícia vai examinar o vídeo que anunciou Gabigol

Foto: Jhony Inácio/Cruzeiro

Segundo a reportagem do ge sobre o andamento do processo, o Cruzeiro tentou substituir o perito designado, questionando sua especialização. O profissional defendeu sua formação e experiência, e o pedido do clube foi negado.

Os honorários foram fixados em R$ 43.767. Após o depósito, a Justiça determinou o início do trabalho técnico, que deverá ajudar a esclarecer as circunstâncias da publicação.

Esse valor corresponde à perícia, não a uma indenização concedida aos autores da ação. A distinção é importante porque o processo ainda examina a controvérsia, sem conclusão sobre a responsabilidade do Cruzeiro pelos danos alegados.

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O que o Cruzeiro argumenta sobre a publicação

Na manifestação divulgada quando o caso ganhou repercussão, o clube afirmou que o vídeo havia sido publicado na página pessoal do atacante. Sua participação, segundo essa versão, teria ocorrido por meio da ferramenta de colaboração, que permite associar uma mesma postagem a mais de um perfil.

A defesa pública também apontou que a trilha havia sido extraída da biblioteca musical do Instagram, com identificação dos criadores. O Cruzeiro classificou o compartilhamento como editorial e afirmou que pretendia homenagear um artista conhecido pela ligação com a equipe.

Esses argumentos ajudam a entender por que a discussão ultrapassa a escolha da música. A origem da postagem, a participação de cada perfil e a finalidade do conteúdo aparecem como elementos relevantes para examinar o episódio, sem que a versão apresentada pelo clube encerre a controvérsia.

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Autores contestam o uso da obra no anúncio

A ação reúne a Sony Music e os músicos Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges. A origem da cobrança é o uso da composição no material que apresentou a contratação nos primeiros momentos de 2025.

Em agosto daquele ano, a equipe de Milton explicou publicamente que considerava o conteúdo uma campanha publicitária com utilização não autorizada da obra. Na manifestação reproduzida pela CNN Brasil, tratou a iniciativa judicial como defesa do trabalho artístico.

As duas posições atribuem sentidos diferentes à mesma publicação. Para o clube, houve compartilhamento editorial e homenagem; para os responsáveis pela música, ocorreu utilização da obra em uma ação publicitária. Essa divergência impede tratar a intenção declarada por qualquer lado como resposta definitiva para o processo.

Por que o Instagram entrou no centro da discussão

A perícia foi mantida para examinar o uso da canção, e o caso também envolve informações sobre as regras de licenciamento da plataforma. Conforme reportagem do Bahia Notícias publicada em 1º de outubro, a Meta deverá apresentar esclarecimentos sobre essas condições.

O ponto interessa para além do futebol porque a experiência de publicar é simples: selecionar um áudio, editar o vídeo e convidar outro perfil para colaborar. No processo, porém, será necessário examinar o que aquelas ferramentas permitiam nas circunstâncias concretas do anúncio.

A leitura editorial que o episódio permite é sobre a distância entre facilidade de publicação e clareza das responsabilidades. O fato de uma ferramenta estar disponível ao usuário integra a discussão, mas o resultado depende da análise do conteúdo, das condições aplicáveis e dos argumentos apresentados pelas partes.

Um anúncio que continua produzindo consequências

A contratação foi apresentada ao torcedor como uma novidade esportiva, mas a escolha da trilha gerou uma discussão que segue aberta mais de um ano depois. Para o Cruzeiro, o episódio mostra como decisões de comunicação podem continuar exigindo atenção muito depois de encerrada uma campanha.

O próximo avanço relevante será conhecer as conclusões da perícia e como elas serão consideradas no processo. Até lá, a informação central é a continuidade da apuração técnica: não há base para anunciar vitória definitiva de qualquer lado ou transformar os honorários do perito em condenação do clube.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.