Pedro Lourenço já colocou a gestão do Cruzeiro em uma dimensão financeira superior a R$ 1 bilhão. O cálculo apresentado pelo jornalista Jorge Nicola é sustentado pela soma do preço da aquisição da SAF com o volume destinado à montagem do elenco desde abril de 2024.
Há, entretanto, uma diferença importante entre gastar, investir, aportar e assumir compromissos de pagamento. A conta supera R$ 1 bilhão com folga, mas nem todo esse dinheiro já deixou imediatamente as empresas da família Lourenço ou entrou à vista nos cofres de outros clubes.
Em publicação sobre o tema, Nicola afirmou que o investimento realizado por Pedrinho BH em aproximadamente dois anos “vai muito além dos R$ 500 milhões em reforços”. A estimativa mais atualizada das contratações confirma essa leitura e permite calcular uma exposição total próxima de R$ 1,25 bilhão, considerando também o valor nominal da compra da SAF.
Como a conta ultrapassa R$ 1 bilhão
Pedro Lourenço adquiriu 90% das ações da SAF por uma operação avaliada em R$ 600 milhões. Desse total, R$ 100 milhões haviam sido investidos em 2023 e foram convertidos em 20% da empresa. Outros R$ 150 milhões foram previstos para pagamento em 2024, enquanto R$ 350 milhões seriam quitados durante dez anos.
O segundo bloco da conta envolve as contratações.
Em 2024, primeiro ano da atual administração, o Cruzeiro movimentou aproximadamente R$ 180 milhões para contratar ou adquirir definitivamente jogadores como Kaio Jorge, Walace, Matheus Henrique, Jonathan Jesus, Lautaro Díaz, Matheus Pereira e João Marcelo.
No ano seguinte, as operações ficaram próximas de R$ 200 milhões. Fabrício Bruno, Keny Arroyo, Christian, Marquinhos, Sinisterra, Kauã Moraes e outros jogadores tiveram direitos adquiridos pela SAF. Gabigol, Dudu e Bolasie chegaram sem taxa de transferência, mas provocaram impacto relevante em salários, luvas e comissões.
Em 2026, a chegada de Gerson mudou outra vez o patamar. A negociação com o Zenit foi fechada por cerca de R$ 170 milhões. Somadas as aquisições de Chico da Costa, Gabriel Rojas e Gabriel Pec, o investimento em direitos econômicos na temporada se aproximou de R$ 270 milhões.
A soma aproximada fica assim:
R$ 600 milhões pela SAF + R$ 650 milhões em jogadores = R$ 1,25 bilhão.
Esse cálculo explica a declaração de Nicola. Mesmo usando estimativas conservadoras para as transferências, a gestão já assumiu obrigações superiores a R$ 1,2 bilhão desde que Pedrinho passou a controlar o futebol celeste.
Balanço revela tamanho da dependência do proprietário

Os demonstrativos de 2025 ajudam a dimensionar a mudança promovida por Pedrinho BH. A receita operacional líquida subiu de R$ 282,7 milhões para R$ 599,2 milhões, enquanto a receita bruta alcançou R$ 685,3 milhões.
O crescimento, porém, foi acompanhado pela expansão das despesas. Os custos do departamento de futebol chegaram a aproximadamente R$ 680 milhões, alta de 72% em um ano. Somente salários, direitos de imagem e encargos representaram R$ 362 milhões.
A SAF terminou 2025 com prejuízo líquido de R$ 114,9 milhões. O resultado negativo caiu em relação ao ano anterior, mas deixou claro que o projeto ainda depende do acionista majoritário para cobrir a diferença entre arrecadação e despesas.
Outro cuidado necessário envolve a dívida. O endividamento bruto chegou a R$ 1,363 bilhão, e a dívida líquida ficou próxima de R$ 1,15 bilhão.
Investimento começa a produzir ativos vendáveis
A gestão começou a mudar sua postura na janela do meio de 2026. Depois de quatro períodos marcados principalmente por compras, o Cruzeiro passou a negociar jogadores para recuperar parte do capital colocado no elenco.
Christian e Kaiki foram vendidos em negócios superiores a R$ 130 milhões. Kauã Prates já havia sido negociado com o Borussia Dortmund por um pacote acima de R$ 75 milhões. Ao mesmo tempo, Gabriel Pec e Gabriel Rojas custaram aproximadamente R$ 90 milhões.


