O Cruzeiro colocou em prática uma inteligente engenharia financeira nos bastidores da Toca da Raposa. O plano consiste em negociar o atacante Chico da Costa, atualmente na mira do Remo, para abrir espaço na folha salarial e viabilizar a contratação do volante Gregore, jogador do Al-Rayyan e homem de extrema confiança do técnico Artur Jorge. A movimentação de mercado desenha uma importante correção de rota no elenco celeste para o segundo semestre de 2026.
A estratégia da SAF cruzeirense é dar vazão aos atletas que perderam espaço na rotação principal antes de ir às compras. No xadrez do futebol moderno, vender bem os excedentes tornou-se tão vital quanto anunciar contratações bombásticas.
O alívio na folha: A utilidade na saída de Chico da Costa
Chico da Costa desembarcou em Belo Horizonte como uma opção física de área, mas a mudança de comando técnico minou seu espaço. Sob a batuta de Artur Jorge, o centroavante de 31 anos disputou apenas seis partidas no Brasileirão e foi colocado na lista de negociáveis.
A procura do Remo surge como uma excelente oportunidade de negócio para todas as partes envolvidas. Como não estourou o limite de sete jogos na Série A, o centroavante segue totalmente elegível para defender outra equipe nacional.
Segundo levantamento do Moon BH com base em dados de mercado do Transfermarkt, o valor estimado do atacante gira em torno de 1,2 milhão de euros (cerca de R$ 6,8 milhões), com vínculo contratual válido até dezembro de 2027.

O montante recebido em uma eventual venda não cobrirá sozinho a chegada de uma nova estrela. O verdadeiro trunfo da operação está no efeito dominó financeiro: o Cruzeiro elimina o custo fixo de um salário alto parado no banco e libera uma cobiçada vaga de inscrição no plantel.
O preço da confiança: A complexa operação por Gregore
Se a saída de Chico da Costa é tratada de forma discreta, o alvo para o meio-campo eleva a régua de ambição da SAF. O volante Gregore, de 32 anos, é o nome indicado pela comissão técnica para dar sustentação defensiva ao Cruzeiro.
O principal obstáculo para o acerto reside estritamente nas cifras praticadas pelo futebol do exterior. O Al-Rayyan realizou um investimento pesado de US$ 7 milhões (aproximadamente R$ 38,9 milhões na cotação da época) para tirar o meio-campista do Botafogo em 2025.
O clube do Catar faz jogo duro e exige uma compensação robusta para liberá-lo antes do fim do contrato em 2027. Atualmente, o Transfermarkt avalia os direitos do volante em 4,5 milhões de euros (corte de R$ 25 milhões).

Mapeamento analítico exclusivo do Moon BH junto aos bastidores da Rede 98 confirma que o alto custo salarial e a pedida dos cataris são os grandes nós da negociação. A saída de Chico da Costa funciona como o óleo necessário para fazer essa engrenagem financeira girar com menor atrito.
Radiografia do meio-campo: Onde Gregore se encaixa?
A busca por Gregore responde a uma necessidade de preenchimento de função na lousa de Artur Jorge. O volante destro de 1,81m, que veste a camisa 40 no Catar, oferece um padrão de combate e encurtamento de espaço que trará o equilíbrio necessário para o Cruzeiro encarar torneios de mata-mata.
O atual setor de meio-campo celeste ostenta fartura técnica, mas cada peça entrega uma característica muito específica:
- Lucas Romero: Entrega a liderança tática e o balanço defensivo tradicional.
- Gerson e Christian: Oferecem a condução vertical e a quebra de linhas em velocidade.
- Lucas Silva: Garante a cadência, a manutenção da posse e a batida de média distância.
- Matheus Pereira: Atua como o cérebro criativo e o arco do ataque.
A chegada de Gregore adiciona uma dose extra de agressividade física sem a bola. Trata-se do “homem de gelo” que deu sustentação ao Botafogo nas conquistas nacionais e continentais de 2024 antes de migrar para o Oriente Médio. O volante é o escudo ideal para proteger a zaga em campo aberto e dar total liberdade para os meias atacarem o terço final.
O termômetro do risco: A idade e o teto de revenda
Toda operação baseada na indicação direta de um treinador exige extrema frieza da diretoria. Trazer um atleta de 32 anos por valores elevados significa abrir mão do potencial de revenda futura no mercado internacional.
O Cruzeiro sabe que o retorno desse investimento precisará ser estritamente esportivo e imediato. Gregore chegaria com a obrigação de assumir a titularidade e elevar o patamar competitivo do time em jogos de alta pressão.
Artur Jorge já deu o recado definitivo ao deixar Chico da Costa fora da delegação que viajou para enfrentar o Boca Juniors pela Libertadores. A página do atacante já foi virada na Toca da Raposa. Agora, cabe à gestão de Pedro Lourenço transformar essa decisão de vestiário em uma certeira engenharia de mercado.


