Faz mais de dois meses que Walace não veste a camisa do Cruzeiro em campo. O afastamento, que começou como punição disciplinar em abril, virou um impasse que atravessa o início do inverno sem solução à vista, e o calendário agora trabalha contra o clube.
O volante de 31 anos continua treinando separado do grupo principal na Toca da Raposa II. A rotina é a mesma desde que a diretoria decidiu cortá-lo da viagem para Guayaquil, no Equador, onde a equipe enfrentou o Barcelona pela Libertadores. Volta e meia o nome dele aparece em listas de jogadores que podem deixar o clube, mas a saída de fato ainda não aconteceu.
O episódio que mudou tudo
A origem do problema é conhecida, mas vale reconstituir porque ela explica a dureza da resposta do clube. Depois da derrota para o São Paulo, no início de abril, Walace enviou uma mensagem criticando o goleiro Matheus Cunha em um grupo de aplicativo que reúne os jogadores. A mensagem era para outra pessoa. Foi parar no grupo errado.
Ele apagou o conteúdo rapidamente. Não adiantou. Várias pessoas já tinham lido, e o assunto chegou à cúpula do clube antes que o próprio jogador pudesse se explicar.
Pedro Lourenço, dono da SAF, não escondeu o tom de ultimato quando comentou o caso publicamente. Disse que esse tipo de indisciplina tem limite. A frase definiu o rumo que o caso tomaria nas semanas seguintes.
Por que o Cruzeiro não consegue resolver isso rápido
Aqui está o ponto que a maioria das notícias sobre o caso não explica bem. Não é falta de vontade do Cruzeiro. É um problema de engenharia financeira.
Walace tem contrato até dezembro de 2028. O salário é um dos mais altos do elenco, herança da contratação badalada de 2024, quando o clube pagou a Udinese algo entre R$ 36 milhões e R$ 43 milhões pelo jogador. Para qualquer clube interessado, a conta só fecha de um jeito: empréstimo, com o Cruzeiro bancando boa parte dos vencimentos.
E isso é exatamente o que a diretoria celeste queria evitar. Manter o jogador parado custando salário cheio já é ruim. Pagar parte do salário dele em outro clube, sem nada em campo, é ainda peor do ponto de vista contábil.
Ainda assim, o Cruzeiro topou. Segundo apuração do Moon BH, a SAF aceita negociar Walace mesmo bancando uma fatia salarial relevante, desde que o imbróglio termine antes que o prejuízo aumente.
O nome que apareceu no radar
Um detalhe que ganhou força nas últimas semanas é o interesse do Grêmio. Faz sentido por dois motivos. Walace foi formado nas categorias de base do clube gaúcho, tem identidade com o ambiente de Porto Alegre, e seu perfil físico, 1,88m, primeiro volante de marcação, combina com o que o time busca reforçar.
O problema não é o interesse. É o timing. A janela brasileira só reabre em 20 de julho. Antes disso, qualquer movimentação formal está travada, e o Cruzeiro segue pagando a conta de um jogador que não entra em campo desde abril.
O retrato de um investimento que não decolou
Os números ajudam a entender por que esse caso pesa tanto na gestão do clube. Em quase duas temporadas de Cruzeiro, Walace soma 51 partidas e um único gol. Em 2026, a participação dele foi de sete minutos, entrando no fim da vitória sobre o Pouso Alegre pelo Mineiro.
Sete minutos. É praticamente nada para um jogador contratado como reforço de peso.
O volante passou pelas mãos de cinco treinadores diferentes desde que chegou. Fernando Seabra, Fernando Diniz, Leonardo Jardim, Tite e agora Artur Jorge. Nenhum conseguiu, ou quis, dar a ele um espaço relevante. Quando um atleta caro falha de forma parecida com comandantes tão distintos entre si, o mercado costuma interpretar isso como sinal de alerta, não coincidência.
Na leitura do Moon BH, que acompanha o caso desde o afastamento em abril, esse é o tipo de situação que define limites reais para a paciência das SAFs com contratações de prestígio que não convertem em desempenho.
O que muda a partir de julho

Com a abertura da janela marcada para o dia 20, a expectativa interna na Toca da Raposa é de que o caso Walace finalmente avance, para um lado ou para outro. Reintegração total já foi tentada em fevereiro e durou pouco. A tendência mais forte agora é de saída, ainda que o modelo da negociação continue sendo o principal obstáculo.
Enquanto isso não acontece, o volante segue numa rotina pouco comum para um atleta do tamanho do investimento que representa: treina, aguarda, e observa de fora o time buscar vaga nas oitavas da Libertadores e seguir colado no G-4 do Brasileirão.
A janela de julho promete decidir o que meses de conversa não resolveram.





