O Atlético entrou no fim de semana precisando encontrar gols antes de uma das partidas mais importantes da temporada. Encontrou três contra o Fluminense, mas o detalhe mais interessante da vitória por 3 a 1 na Arena MRV está justamente nos jogadores que colocaram a bola na rede.
Reinier, Tomás Cuello e Vitão marcaram os gols atleticanos. Nenhum deles é o centroavante que o clube passou boa parte de 2026 tentando encontrar como referência definitiva para o ataque.
A coincidência aparece no momento certo. Na quarta-feira (16), o Galo recebe o Santos pela volta das quartas de final da Copa Sul-Americana precisando vencer por três gols de diferença para avançar diretamente. Se ganhar por dois, a classificação será decidida nos pênaltis.
O placar necessário já era conhecido. A vitória sobre o Fluminense trouxe uma pista nova sobre como tentar construí-lo.
Atlético espalhou os gols quando mais precisava deles
Durante boa parte do ano, a discussão ofensiva do Atlético passou pela camisa 9. Mateo Cassierra chegou ao duelo de ida contra o Santos acumulando 16 partidas consecutivas sem marcar, a maior seca de sua carreira. Thiago Borbas, por sua vez, também atravessou um período prolongado sem gols antes de encerrar o próprio jejum.
Contra o Fluminense, Eduardo Domínguez montou a equipe sem um centroavante de origem entre os titulares. Fred, Bernard, Cuello e Reinier formaram a linha mais ofensiva, e o resultado foi uma produção distribuída.
Reinier abriu o placar aos 15 minutos do segundo tempo após passe de Cuello. Dois minutos depois, o próprio argentino aproveitou um erro na saída de bola do Fluminense e ampliou. Vitão completou a vitória aos 35, depois de cobrança de escanteio de Gustavo Scarpa.
Segundo os dados divulgados oficialmente pelo Atlético, Reinier chegou a sete gols na temporada, Cuello alcançou oito gols e oito assistências e Vitão marcou pela primeira vez como profissional.
Mais do que três gols, portanto, o Atlético ganhou três origens diferentes para eles: movimentação por dentro, pressão sobre a saída adversária e bola parada.
É justamente o tipo de variedade que pode ser necessária diante de um Santos protegido pela vantagem obtida na primeira partida.
Cuello deixou de ser apenas garçom
O crescimento de Cuello ajuda a explicar essa mudança. O Moon BH já havia mostrado que o argentino passou de principal garçom para jogador com participação cada vez maior também nas conclusões.
A evolução ganhou uma camada ainda mais importante quando o Atlético recusou uma proposta que poderia ultrapassar R$ 100 milhões pelo atacante. A escolha esportiva foi clara: manter um dos jogadores mais produtivos do elenco em vez de transformar imediatamente sua valorização em caixa.
Poucos dias depois, Cuello respondeu com gol e assistência.
Reinier vive processo semelhante. O meia-atacante já havia produzido uma de suas melhores partidas pelo clube contra o Vitória, quando participou diretamente dos dois gols e terminou como principal destaque estatístico da equipe.
Agora voltou a marcar justamente na última partida antes da decisão continental.
A consequência é importante para Domínguez. O treinador não precisa necessariamente esperar que um único jogador resolva o problema ofensivo que acompanha o Atlético.
Vitão acrescenta uma arma que não estava na conta
O terceiro gol adicionou outra possibilidade. Vitão marcou pela primeira vez como profissional justamente em uma bola parada, recurso que costuma ganhar ainda mais peso quando o adversário joga mais recuado.
O zagueiro primeiro cabeceou no travessão e, na sequência, aproveitou a sobra para completar para a rede. Além do valor individual do lance, o gol lembra que a busca pela remontada não precisa ficar restrita aos atacantes.
Contra um Santos que pode administrar a vantagem, escanteios e faltas laterais tendem a representar oportunidades particularmente valiosas.
A Arena MRV também entra na equação

A vitória sobre o Fluminense ampliou para 11 partidas consecutivas a invencibilidade atleticana como mandante na Arena MRV.
A sequência não garante uma remontada, mas mostra que o time construiu estabilidade justamente no lugar onde terá de produzir um de seus resultados mais importantes da temporada.
Antes do fim de semana, a pergunta era simples: o Atlético conseguiria encontrar três gols em uma partida decisiva?
Depois de Reinier, Cuello e Vitão responderem contra o Fluminense, a questão mudou.
O Galo continua sem um centroavante vivendo fase dominante, mas descobriu às vésperas do Santos que talvez não precise depender de apenas um jogador para construir o placar de que necessita.


