O Atlético anunciou seu primeiro reforço para o segundo semestre em 24 de junho. Se Léo Duarte entrar em campo diante do Fluminense neste sábado, porém, sua estreia acontecerá exatamente 80 dias depois da oficialização.
A espera ajuda a explicar por que o retorno do zagueiro ao departamento de futebol tem um peso maior do que simplesmente acrescentar mais um nome à relação de disponíveis. Contratado para aumentar as opções de um setor que havia perdido peças importantes, Duarte passou praticamente toda a retomada pós-Copa tentando ficar em condições de fazer aquilo para o que foi trazido.
Segundo a Itatiaia, o defensor foi liberado pelo departamento médico e está à disposição de Eduardo Domínguez. O possível primeiro jogo ocorre justamente no momento em que o Atlético precisa recuperar estabilidade antes de outra decisão continental.
Lesão interrompeu a preparação antes mesmo da estreia
Duarte chegou ao Galo depois de seis temporadas no futebol europeu. O defensor passou pelo Milan e construiu a maior parte dessa trajetória no İstanbul Başakşehir, onde acumulou mais de 200 partidas e chegou a exercer papel de liderança no elenco.
A contratação não exigiu pagamento de taxa de transferência, já que o jogador estava livre no mercado, e foi tratada como uma oportunidade de adicionar experiência à defesa. O vínculo assinado com o Atlético vai até 2030.
O planejamento inicial previa que a pausa provocada pela Copa do Mundo serviria justamente para acelerar a adaptação. Duarte treinaria com o grupo, conheceria os métodos de Eduardo Domínguez e estaria preparado para a retomada do calendário.
O roteiro mudou em julho.
Durante um treinamento na Cidade do Galo, o zagueiro sofreu uma lesão muscular na região posterior da coxa direita. O problema foi comunicado em 15 de julho e adiou uma estreia que, naquele momento, parecia próxima.
Desde então, o Atlético disputou partidas de Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana sem conseguir utilizar o primeiro reforço anunciado para o semestre.
Retorno acontece quando defesa voltou a ser pressionada
O momento da liberação também não poderia ser mais sensível.
Depois de atravessar 14 partidas sem perder, o Atlético sofreu duas derrotas consecutivas por 2 a 0, primeiro contra o São Paulo e depois diante do Santos. Foram quatro gols sofridos em 180 minutos, sequência que interrompeu uma estabilidade defensiva construída durante boa parte do segundo semestre.
A comissão técnica também precisou administrar diferentes problemas no setor nas últimas semanas. Lyanco voltou recentemente de lesão, Ruan Tressoldi passou pelo protocolo de concussão e Domínguez chegou a utilizar jogadores fora de suas funções habituais para completar a linha defensiva.
Nesse cenário, Duarte deixa de ser apenas um reforço atrasado pela lesão. Ele pode ampliar as combinações justamente quando o treinador precisa decidir quais jogadores utilizar em dois compromissos com exigências muito diferentes.
O primeiro é contra o Fluminense pelo Brasileirão. Poucos dias depois, o Atlético recebe o Santos na Arena MRV precisando reverter a derrota por 2 a 0 sofrida na Vila Belmiro.
Atlético finalmente poderá avaliar contratação dentro de campo
A demora também cria uma situação incomum para uma janela que já está chegando ao fim. Enquanto outros reforços contratados durante o período já acumulam partidas, Duarte permaneceu como uma peça essencialmente projetada para o futuro.
O Atlético sabia quem havia contratado pela trajetória construída no Flamengo, Milan e Başakşehir. Ainda não sabia, porém, como o defensor responderia dentro da estrutura de Domínguez.
Essa resposta pode começar agora.
Não existe garantia de titularidade imediata. Um jogador que ficou tanto tempo sem disputar partida oficial precisa recuperar ritmo, e a tendência é que a comissão técnica controle a carga antes de entregar minutos mais pesados.
Mesmo assim, a simples disponibilidade muda as opções do treinador. Domínguez pode utilizar três zagueiros, fazer rotações no Brasileirão ou proteger jogadores que precisarão chegar inteiros à decisão da Sul-Americana.
A contratação feita no início da janela, portanto, pode começar a influenciar o time apenas quando o mercado já fecha suas portas.
O Atlético esperou 80 dias para descobrir, em uma partida oficial, o que Léo Duarte pode realmente acrescentar. A coincidência é que a resposta chega justamente quando o clube mais precisa aumentar suas alternativas.


