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Atlético tentou proteger uma noite e quatro dias depois a conta chegou

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O Atlético tomou uma decisão clara antes de iniciar as quartas de final da Copa Sul-Americana: aceitar algum risco no Campeonato Brasileiro para chegar à Vila Belmiro com parte importante do elenco mais descansada. Quatro dias depois, a estratégia que parecia justificável no calendário ganhou um resultado difícil de ignorar.

O Galo perdeu por 2 a 0 para o São Paulo no sábado (5), encerrando uma sequência de 14 partidas sem derrota, e voltou a sofrer exatamente o mesmo placar diante do Santos na quarta-feira (9). Em 180 minutos, portanto, foram quatro gols sofridos, nenhum marcado e duas derrotas consecutivas depois de mais de três meses sem perder.

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A sequência, sozinha, já chama atenção. O que torna os dois resultados ainda mais relevantes é que a primeira derrota foi parcialmente aceita como consequência de uma escolha feita justamente para aumentar as chances de sucesso na segunda.

Atlético mexeu em quase metade do time antes da Vila

Contra o São Paulo, Eduardo Domínguez promoveu cinco mudanças na equipe titular poucos dias depois da classificação sobre o Cruzeiro pela Copa do Brasil. Fred, Mateo Cassierra e Victor Hugo estavam entre os nomes que começaram no banco.

A lógica era compreensível. O Atlético havia acabado de disputar um clássico eliminatório intenso e teria poucos dias para preparar outra decisão, desta vez pela Copa Sul-Americana.

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O próprio Moon BH mostrou antes da partida na Vila que Atlético e Santos haviam adotado estratégias opostas de preparação. Enquanto o Galo reduziu a carga de alguns jogadores no Brasileiro, o adversário utilizou mais titulares e preferiu manter o ritmo competitivo.

O preço inicial foi o 2 a 0 no Morumbis. A análise do ge após aquela partida chegou a tratar o tropeço como uma derrota na “hora certa”, justamente porque seu impacto imediato parecia pequeno diante das prioridades nas copas.

Quatro dias depois, essa leitura mudou.

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O benefício esperado não apareceu contra o Santos

Gabriel Delfim Atlético
Foto: Pedro Souza / Atlético

O descanso administrado não se transformou na atuação que o Atlético esperava na Vila Belmiro. O time teve dificuldades para construir jogadas ofensivas, caiu de rendimento no segundo tempo e viu o Santos marcar duas vezes, abrindo uma vantagem importante na eliminatória.

A cobertura do jogo pelo UOL destacou justamente a dificuldade ofensiva atleticana e as intervenções de Gabriel Delfim, que impediram que a desvantagem ficasse ainda maior.

Isso não significa que poupar contra o São Paulo tenha sido necessariamente um erro. Gestão de elenco não pode ser avaliada apenas pelo resultado seguinte, porque jogadores carregam níveis diferentes de desgaste e risco físico que não ficam completamente visíveis para quem observa de fora.

O problema é que uma decisão esportiva também precisa ser analisada pelo retorno que produziu. Neste caso, o Atlético aceitou enfraquecer uma partida para tentar chegar mais forte à seguinte e terminou derrotado nas duas.

De 14 jogos invicto a 180 minutos sem marcar

O contraste se torna ainda maior quando observado a partir do momento anterior. Antes de visitar o São Paulo, o Atlético acumulava 14 partidas sem derrota, com oito vitórias e seis empates, sequência de mais de 100 dias que havia mudado completamente o ambiente em torno do trabalho de Domínguez.

A derrota no Brasileiro interrompeu essa estabilidade. O 2 a 0 na Sul-Americana transformou o que poderia ser apenas uma quebra natural de invencibilidade em uma pequena sequência que agora exige resposta.

O Galo volta a campo neste sábado (12), contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. Depois, na quarta-feira (16), recebe o Santos na Arena MRV precisando vencer por três gols de diferença para avançar diretamente ou por dois para levar a decisão aos pênaltis.

A conta agora será paga dentro da Arena MRV

Divulgação

É justamente a partida de volta que dará a resposta definitiva sobre o tamanho da consequência. Se o Atlético conseguir reagir e avançar, as duas derrotas poderão virar apenas uma turbulência curta dentro de uma temporada ainda viva em duas copas.

Se a eliminação vier, porém, a escolha feita antes do Morumbis inevitavelmente ganhará outro peso. O clube terá atravessado uma semana em que administrou o Campeonato Brasileiro pensando na competição continental, mas não conseguiu transformar essa prioridade em vantagem quando ela realmente precisava aparecer.

Domínguez tentou proteger uma noite. Quatro dias depois, descobriu que descanso e planejamento aumentam as possibilidades de um time, mas não garantem que o desempenho acompanhe a estratégia.

Agora, a chance de transformar essa conta em resposta estará na Arena MRV.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.